Tem dias que a cabeça não cria o final e nem o meio. É o limbo criativo, ressaca literária que impede versos e finais. Dizem uns que um poema nunca acaba, outros que precisa de final, título, assunto, inspiração, falta de inspiração... Enfim o que sei é que escrevo várias frases, rimadas ou não e termino depois. Não aceito sugestão nesse momento, o poema é do autor depois de escrito é de todos... Mas reservo o direito de tomar posse do poema ao menos durante a criação.
***
Rezo meias palavras descartáveis... Como e vomito, indigestão do carvão de casca podre e aço nas mãos. Conjunto de renascer. ***
Quem escreve exerce o desapego. Poesia é escrita para vestir os outros. Pode ter sido escrita para ser casaco e quando menos se espera é transformada em um inusitado sapato. Nunca se sabe como a poesia vai vestir e quem vai usar.
***
Alguns chamam de rancor, não esquecer das pessoas e fatos que já fizeram algum estrago na vida, eu chamo de autopreservação.
***
Posso lavar toda a louça do mundo... Que quando a poesia não está pronta, não nasce. A desgraça completa é que guardo todos os rascunhos das poesias e boa parte das vezes, ficam no rascunho. Não arrisco a linha, tenho medo da margem expulsar.
***
As pessoas deveriam ser transparentes para facilitar a visão.
***
Alguns levam segundos para escrever, outros horas e dias. Diversas pessoas ficam felizes ao escrever e outras sofrem. Tranquilamente sou a favor do sofrimento para escrever... Ferve a mão, atiça a testa e respinga no papel ( apesar de hoje em dia eu usar muito mais o computador.)
***
Defender o indefensável, deletar o indeletável, apontar o dedo para ser quebrado.
***
Enquanto não encontro meu ponto de equilíbrio ou a linha de confronto certa para poetar, sigo escrevendo em linhas. Sem rima com rima...
***
Poeta não chora... Derrete em rio e invade o sal.
31/07/2010
25/07/2010
O PC
Estava lendo o Ivan
Lessa agorinha mesmo lá no site da BBC Brasil. Eu gosto e aguardo a
coluna do Ivan, pois a realidade misturada ao sarcasmo e -- por quê
não -- ao surreal é algo que me dá mais ganas de ler do que um
texto chato em formato convencional.
Em uma das frases da
crônica em questão -- Abaixo os Simpsons! --, há uma frase
fantástica: "O passado de vez em quando engata essa: ser bom."
Não há como discordar, mesmo não sendo saudosista.
Racionalmente falando,
poder andar de bicicleta ou skate nas ruas era fantástico --
principalmente porque ninguém atropelava e fugia, como aconteceu
recente e tristemente, com o filho da Cissa Guimarães. Assim como
aprender a dirigir no colo do pai, bater bafo ou pular corda. Hoje em
dia, quase não se veem mais os balões de São João, que queimaram
tantas florestas e empresas. Não se brinca mais de esconde-esconde.
Não se atira mais o pau no gato.
A culpa, se é que
podemos culpar alguém, é um chato com variadas versões, todas elas
arraigadas na mente tacanha de uns e outros: o politicamente correto.
O Politicamente Correto
-- vamos amiudar isso e chamá-lo somente de PC, que vale também
para paralisia cerebral -- não gosta de cirandas, acha que palmadas
educativas que fazem nossos filhos voltarem o corpo são um atentado
à infância e principalmente, acham que os exemplos do passado são
maléficos. Fumar faz mal (mas ninguém breca o processo produtivo),
carro a gasolina não pode (mas o álcool é mais caro), brincar de
médico é traumático (nem precisa comentar). Beber pode, mas tem
que ser vinho orgânico, nacional e produzido com uvas esmagadas por
calcanhares rachados.
O PC tem só um
objetivo na vida: mudar a vida. Não a dele, que além de chato deve
ser um ícone para si e para sua família, mas a minha, a sua, a
nossa vida, que nada tem a ver com a dele. Ser PC, antes de mais
nada, é ser bem-sucedido financeiramente, pois os produtos orgânicos
sempre pesam mais no bolso do assalariado convencional.
O PC não sai do meu pé
nem tira o nariz de meu cigarro. O PC adora medir o quanto bebo. O PC
adora quando meu carro quebra, pois os híbridos são menos
poluentes, embora mais caros. O PC economiza a água na hora do
banho, desliga as luzes ao sair de um cômodo, mas tem piscina e o ar
condicionado -- com purificador de ar e sem CFC -- funcionando 24 horas
por dia.
O PC não conta piadas,
pois qualquer risada é um assalto às minorias. O PC também não
come churrasco. Emissões de carbono no carvão e no pum das vacas. O
PC não come McDonald´s, pois o hambúrguer pode ser de minhocas e
além de tudo o PC não curte música, pois os decibéis de uma festa
adolescente podem ferir os ouvidos de que pouco está-se importando
com isso.
O PC não tem nada a
ver com política, em verdade. O PC é um fanático religioso. E
chato, arrogante, prepotente como todo extremista é.
Sem saudosismo, que se
danem os Simpsons da crônica do Ivan Lessa. Mas ao menos que
retornem os catecismos do Carlos Zéfiro.
24/07/2010
O burro
Sinto-me frustrada toda vez que resolvo discutir um assunto relevante com gente burra. Frustrada porque a discussão vai por água abaixo, desce a ladeira, cai na lama e no final das contas a discussão perde seu valor intelectual.
Falo em valor intelectual porque não discuto mais por qualquer bobagem; fico feliz em atestar que já passei dessa fase e é algo que não volto atrás. Se o assunto não é relevante a boca se cala, a mente passeia e a cara se faz paisagem.
O assunto pode ser altamente importante, mas coloque um burro para discutir que vira um oba-oba de quem escuta menos e grita mais. Logo a discussão se resume a palavras e frases sem valia pois o burro perde qualquer discussão, mas não aceita que perdeu. O burro não tem argumento e começa a falar sem pensar. As palavras do burro surgem do esôfago e param direto na boca e você precisa ter fígado para aguentar. O burro pode enganar durante algum tempo, pois leu algo no Google sobre determinado assunto ou viu algo na televisão, repete o que escutou por aí, mas ele vai se revelar, cair em contradição.. É inevitável.
Abençoada a ignorância, que permite-nos calar e escutar quando de fato não entendemos sobre determinado assunto. Abençoada ignorância que permite a aprendizagem e não a estagnação do ouvido. Digo ouvido porque a "inteligência" de um burro vem do ouvido, não do cérebro.
Ignorantes todos somos em algum assunto. Ignorância tem cura, burrice não.
Toda discussão com um burro termina em ataque pessoal. Se você é homem ele vai te chamar de corno ou broxa. Se você é mulher vai te chamar de gorda ou puta. O burro sempre tem uma carta nada a ver com o baralho para tirar da manga, a língua sempre armada. O burro não discute, ele realmente briga.
Continuo brigando, mas prefiro brigar comigo mesma. Prefiro brigar pelas pessoas queridas, mas não brigo mais para colocar minha ideia. Ideia não tem a ver com briga e sim com discussão. Na briga de ideias e palavras enlouquecidamente articuladas ganha quem fica mudo, quem não participa e quem não perde tempo fazendo um burro se calar.
A burrice grita, a ignorância pensa.
Falo em valor intelectual porque não discuto mais por qualquer bobagem; fico feliz em atestar que já passei dessa fase e é algo que não volto atrás. Se o assunto não é relevante a boca se cala, a mente passeia e a cara se faz paisagem.
O assunto pode ser altamente importante, mas coloque um burro para discutir que vira um oba-oba de quem escuta menos e grita mais. Logo a discussão se resume a palavras e frases sem valia pois o burro perde qualquer discussão, mas não aceita que perdeu. O burro não tem argumento e começa a falar sem pensar. As palavras do burro surgem do esôfago e param direto na boca e você precisa ter fígado para aguentar. O burro pode enganar durante algum tempo, pois leu algo no Google sobre determinado assunto ou viu algo na televisão, repete o que escutou por aí, mas ele vai se revelar, cair em contradição.. É inevitável.
Abençoada a ignorância, que permite-nos calar e escutar quando de fato não entendemos sobre determinado assunto. Abençoada ignorância que permite a aprendizagem e não a estagnação do ouvido. Digo ouvido porque a "inteligência" de um burro vem do ouvido, não do cérebro.
Ignorantes todos somos em algum assunto. Ignorância tem cura, burrice não.
Toda discussão com um burro termina em ataque pessoal. Se você é homem ele vai te chamar de corno ou broxa. Se você é mulher vai te chamar de gorda ou puta. O burro sempre tem uma carta nada a ver com o baralho para tirar da manga, a língua sempre armada. O burro não discute, ele realmente briga.
Continuo brigando, mas prefiro brigar comigo mesma. Prefiro brigar pelas pessoas queridas, mas não brigo mais para colocar minha ideia. Ideia não tem a ver com briga e sim com discussão. Na briga de ideias e palavras enlouquecidamente articuladas ganha quem fica mudo, quem não participa e quem não perde tempo fazendo um burro se calar.
A burrice grita, a ignorância pensa.
21/07/2010
III Coletânea Scriptus - Palavração
Estão abertas as inscrições para mais uma Coletânea Scriptus, a terceira produzida pela Editora Novitas, desta vez nomeada "Palavração". Simples e direto.
Da mesma que as versões anteriores desta coletânea ("Um balaio de ideias" e "A livre escrita"), contaremos com número reduzido de autores. Serão somente 15, cada um contando com 10 páginas para publicar seus poemas, contos, crônicas ou minicontos.
As especificações gerais desta Coletânea:
1) Capa colorida, em papel supremo 250g, acabamento fosco;
2) Miolo em papel pólen, 80g, p&b;
3) Imagens preto e branco (foto) junto à biografia do autor (1 página);
4) 10(dez) páginas para cada autor, sendo 9(nove) destinadas aos textos e 1(uma) destinada à biografia de cada autor, que receberá, pelo valor contratado, 20 exemplares;
5) ISBN, ficha catalográfica;
Custos
- A participação está condicionada ao pagamento de R$ 360,00 (trezentos e sessenta reais), que podem ser parcelados em até três vezes sem juros.
Prazos
Após o fechamento grupo, em torno de dois meses para a entrega dos exemplares prontos.
Para maiores informações, entre em contato através de nosso formulário de contato ou escreva diretamente para contato@editoranovitas.com.br
18/07/2010
A Estrada
Uma estrada,
Finita em suas barreiras
Fechada pelos escombros
Um mar, de cimento e madeira
Ao longe um ser sem nome
Busca entre todas as sujeiras
Um algo que o conforte
A busca pela sorte
Debaixo de um tijolo
Encontrou várias promessas
Revestidas com o ouro
Ouro de tolo, oco
Um simples tijolo, enfim
Sobre um pilar ao meio partido
Viu rostos conhecidos,
Não seriam aqueles tantos
Antigos amigos, há muito perdidos?
Aproximou-se e como por encanto
Desfez-se em poeira a imagem
Partiram, sem dizer adeus
Fica a saudade, o pranto
Distante, à margem da estrada
Um reflexo, um brilho
Correu, quem sabe ali estivesse
Traços de sua antiga vida
Encontrou apenas cacos
Milhares deles, espelhados
A moldura de madeira carcomida
Jogada ali ao lado
Em pedaço de si, ali refletido
Um caleidoscópio de olhos, bocas
Narizes recortados, dedos enlaçados
Enxergou todo seu passado
E lembrou-se
E soube que estava ali não pela sorte
Mas vagando em um vale de morte
Tirou de si a própria vida
Que agora busca, o peito encharcado
Por sangue coagulado
Uma profunda ferida
O coração roto a mostra
Um tiro certeiro
Lancinante
E o fim de uma era
O calar de uma voz
O prego no caixão
De um covarde.
Que agora, chora...
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Finita em suas barreiras
Fechada pelos escombros
Um mar, de cimento e madeira
Ao longe um ser sem nome
Busca entre todas as sujeiras
Um algo que o conforte
A busca pela sorte
Debaixo de um tijolo
Encontrou várias promessas
Revestidas com o ouro
Ouro de tolo, oco
Um simples tijolo, enfim
Sobre um pilar ao meio partido
Viu rostos conhecidos,
Não seriam aqueles tantos
Antigos amigos, há muito perdidos?
Aproximou-se e como por encanto
Desfez-se em poeira a imagem
Partiram, sem dizer adeus
Fica a saudade, o pranto
Distante, à margem da estrada
Um reflexo, um brilho
Correu, quem sabe ali estivesse
Traços de sua antiga vida
Encontrou apenas cacos
Milhares deles, espelhados
A moldura de madeira carcomida
Jogada ali ao lado
Em pedaço de si, ali refletido
Um caleidoscópio de olhos, bocas
Narizes recortados, dedos enlaçados
Enxergou todo seu passado
E lembrou-se
E soube que estava ali não pela sorte
Mas vagando em um vale de morte
Tirou de si a própria vida
Que agora busca, o peito encharcado
Por sangue coagulado
Uma profunda ferida
O coração roto a mostra
Um tiro certeiro
Lancinante
E o fim de uma era
O calar de uma voz
O prego no caixão
De um covarde.
Que agora, chora...
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17/07/2010
O grande mentiroso
Todos mentem, aumentam ou diminuem histórias. Mentem para agradar, mentem para desagradar ou simplesmente mentem pela covardia.
Todos já mentiram uma vez na vida... Duas, três, quatro ou cinco o importante é que mentir faz parte da vida. O que não deve acontecer é viver na mentira, que torna o ser um mentiroso convicto, não patológico mas sem vergonha na cara. O mentiroso tal qual o político não tem vergonha... A vergonha é só a alheia.
A mentira é tão ligada à fofoca que não se desgrudam; são unha e carne, espaguete e queijo ralado. Quando uma aparece a outra está junto: é a coceira na língua, a vontade do ouvido. Quem mente muito já é um fofoqueiro por natureza. Seus sentidos são resumidos. O ouvido pode ser grande, mas somente para escutar a parte que lhe convém -- o que desagrada é posto fora, enxotado do contexto.
A mentira é vício, tal qual o cigarro. Quem fuma defende o vício, mas não deve processar a indústria depois de adoecer, pois isso seria trair sua própria vida, sua convicção de fumante ativo. O mentiroso depois da mentira descoberta não deve culpar os outros... É feio, vira vexame.
Mentir um pouquinho não existe assim como desmentir rapidamente é um insulto... Um insulto à vítima da mentira, da história da carochinha.
Não existe ousadia na mentira. O que existe é a placa luminosa que indica a falta de emoção, a falta de vida, a vontade de parecer o que não se é, o ser sem ser, o fazer e não fazer.
Mentira também não tem nada a ver com imaginação. Não confunda, o mentiroso não tem imaginação, tem falta dela. Carece de ideias logicas, de verdade. O mentiroso não imagina, ele pega a vida dos outros e transforma em sua. Ele captura o que existe de melhor, pior, mais luminoso, estranho e fantástico e acopla em sua vontade de ser o que não é.
O mentiroso vai dizer que inglês é sua praia, que é culto, inteligente e provavelmente lhe faltou carinho. Ele já inventa uma mentira antes de acontecer o fato, se torna previsível e claro, todos são culpados.
O grande mentiroso pede desculpas, sua consecutiva grande mentira. Pede desculpas para aliviar a tensão, e voltar a mentir. Pede porque não sente muito, sente pouco... O suficiente para chorar pedindo desculpas e armar a língua para a próxima mancada.
A mentira não tem só a perna curta, tem a língua grande.
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Todos já mentiram uma vez na vida... Duas, três, quatro ou cinco o importante é que mentir faz parte da vida. O que não deve acontecer é viver na mentira, que torna o ser um mentiroso convicto, não patológico mas sem vergonha na cara. O mentiroso tal qual o político não tem vergonha... A vergonha é só a alheia.
A mentira é tão ligada à fofoca que não se desgrudam; são unha e carne, espaguete e queijo ralado. Quando uma aparece a outra está junto: é a coceira na língua, a vontade do ouvido. Quem mente muito já é um fofoqueiro por natureza. Seus sentidos são resumidos. O ouvido pode ser grande, mas somente para escutar a parte que lhe convém -- o que desagrada é posto fora, enxotado do contexto.
A mentira é vício, tal qual o cigarro. Quem fuma defende o vício, mas não deve processar a indústria depois de adoecer, pois isso seria trair sua própria vida, sua convicção de fumante ativo. O mentiroso depois da mentira descoberta não deve culpar os outros... É feio, vira vexame.
Mentir um pouquinho não existe assim como desmentir rapidamente é um insulto... Um insulto à vítima da mentira, da história da carochinha.
Não existe ousadia na mentira. O que existe é a placa luminosa que indica a falta de emoção, a falta de vida, a vontade de parecer o que não se é, o ser sem ser, o fazer e não fazer.
Mentira também não tem nada a ver com imaginação. Não confunda, o mentiroso não tem imaginação, tem falta dela. Carece de ideias logicas, de verdade. O mentiroso não imagina, ele pega a vida dos outros e transforma em sua. Ele captura o que existe de melhor, pior, mais luminoso, estranho e fantástico e acopla em sua vontade de ser o que não é.
O mentiroso vai dizer que inglês é sua praia, que é culto, inteligente e provavelmente lhe faltou carinho. Ele já inventa uma mentira antes de acontecer o fato, se torna previsível e claro, todos são culpados.
O grande mentiroso pede desculpas, sua consecutiva grande mentira. Pede desculpas para aliviar a tensão, e voltar a mentir. Pede porque não sente muito, sente pouco... O suficiente para chorar pedindo desculpas e armar a língua para a próxima mancada.
A mentira não tem só a perna curta, tem a língua grande.
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15/07/2010
Sabedoria infantil
Ficar
em casa, confortavelmente paramentado de mendigo é uma conquista do
relacionamento. Quase um xixi com a porta aberta, você só pode
vestir aquela roupa da liquidação de 1998 se confiar na pessoa com
quem você convive.
Tenho
uma blusa de lã, gola rulê (de quando era moda gola rulê) que vira
e mexe passa por outro pescoço que não o meu, e acaba abraçando
por mim o corpo de dona Letícia. Essa troca de roupas -- mesmo que
uma só mão, já que o que é dela não me servirá jamais -- é uma
troca de confidências. Uma continuidade de segredos trocados em
horas silenciosas, quando somente os rostos colados podem se fazer
ouvir. Enfim, o estabelecimento da intimidade entre os casais.
Claro
que existem absurdos. E Letícia, amada minha, comete alguns,
despropositados. E olhem que não somente eu que penso assim. Lucas,
meu enteado, tem o mesmo ódio ela calça de moletom verde ("Presente
do meu irmão" -- sic) e da blusa do Mickey ("Eu trouxe da
Disney!" -- aos 15 anos...).
Hoje
durante o almoço, fartamente servido por aquela lasanha que só eu
sou capaz de fazer, Lucas opinou que, como o pai dele viria buscá-lo
para as férias de inverno, seria melhor a mãe trocar de roupa. Sim,
o Mickey e a calça de moletom verde.
"Meu
filho, estou em casa. Essa roupa é tão confortável!" -- disse
amada minha.
"Pode
ser, mas é horrível" -- foi a resposta do cidadão de 9 anos. E continuou: "Mãe,
se troca...".
Eu
rindo, claro. Essa é uma situação que se enquadra naquelas
brincadeiras de família. O rabo solto para piadinhas conhecidas.
Dona
Letícia, do alto de sua sapiência, sentenciou:
"Olhem
aqui, vocês dois, está frio e esta roupa é bem quente!"
Sem
demorar para pensar, seu Lucas respondeu:
"Então
tá. Quer dizer então que no verão tu vais andar pelada por aí, é
isso?"
Claro
que amada minha foi trocar de roupa, depois dessa...
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14/07/2010
O "Anszubusmandafolha"
Algumas palavras quando ditas de longe ou quando o interlocutor não abre a boca direito, soam estranhas. Eu por exemplo, finjo que escutei quando a pessoa não é muito chegada, aceno de longe e faço meu sorriso de "Tudo, ok! Não entendi, mas concordo." Com as pessoas que convivemos tudo é diferente. Temos a coragem de perguntar -- "Hã ?" --. Ou ainda pedir de forma não muito delicada: "Fale alto, criatura!".
Existem algumas vezes que realmente a pessoa fala direito a palavra, mas meu ouvido me engana e escuto um embaralhado de letras que não consigo contextualizar. Isso ocorre quando não uso a palavra de forma cotidiana e só a vejo/ouço em ocasiões raras.
Pois... Certo dia, David e eu estávamos conversando na sala sobre uma mega "rateada" que a Folha publicou. Relataram um assassinato e na mesma reportagem colocaram o nome do local, qual era a promoção do dito supermercado, a marca e preço da faca que o meliante esfaqueou o outro cidadão. Ou seja, o que era para ser uma tragédia, virou uma mega propaganda do supermercado. David enviou um e-mail para a Folha, dizendo que esse tipo de reportagem era absurda! Transformaram um episódio triste em palco.
Na hora pensei que David estava tento um AVC em minha frente, pois o que era "Anszubusmandafolha"? O que ele queria dizer com aquilo?
Fiquei olhando de forma suspeita para David e ele passou a me olhar tentando imaginar o que se passava em minha cabeça. O que se sucede saiu automático de minha boca:
Ele levantou rapidamente as mãos acima da cabeça e soltei um "ufa" de alívio. A partir daquele dia, quando falamos algo que o outro não entende, automaticamente levantamos os braços para não mostrar que estamos tendo um AVC. É um código "interno" e garanto que facilita e muito a vida do casal.
Outra dica é pedir para o interlocutor sorrir -- funciona também. Se você encontrar conosco em algum lugar e do nada um de nós levantar os braços, já sabe... Foi porque o outro fez cara de " Não entendi porra nenhuma do que tu falaste!".
Sobre o "Anszubusmandafolha" você já sabe o que é, né? Ignore o que escutei e preste atenção no contexto, fica fácil de entender.
PS do David: Pessoas, o que eu queria dizer e que a moça aí acima não entendeu é "Ombudsman da Folha", certo? Se você também não entendeu, mesmo lendo, erga os bracinhos que a gente socorre...
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Existem algumas vezes que realmente a pessoa fala direito a palavra, mas meu ouvido me engana e escuto um embaralhado de letras que não consigo contextualizar. Isso ocorre quando não uso a palavra de forma cotidiana e só a vejo/ouço em ocasiões raras.
Pois... Certo dia, David e eu estávamos conversando na sala sobre uma mega "rateada" que a Folha publicou. Relataram um assassinato e na mesma reportagem colocaram o nome do local, qual era a promoção do dito supermercado, a marca e preço da faca que o meliante esfaqueou o outro cidadão. Ou seja, o que era para ser uma tragédia, virou uma mega propaganda do supermercado. David enviou um e-mail para a Folha, dizendo que esse tipo de reportagem era absurda! Transformaram um episódio triste em palco.
David: "Amor, te disse que o "Anszubusmandafolha" me respondeu?"
Eu: "Hã?"
David: "Hã?"
Na hora pensei que David estava tento um AVC em minha frente, pois o que era "Anszubusmandafolha"? O que ele queria dizer com aquilo?
Fiquei olhando de forma suspeita para David e ele passou a me olhar tentando imaginar o que se passava em minha cabeça. O que se sucede saiu automático de minha boca:
"David, levanta os braços..."
Ele levantou rapidamente as mãos acima da cabeça e soltei um "ufa" de alívio. A partir daquele dia, quando falamos algo que o outro não entende, automaticamente levantamos os braços para não mostrar que estamos tendo um AVC. É um código "interno" e garanto que facilita e muito a vida do casal.
Outra dica é pedir para o interlocutor sorrir -- funciona também. Se você encontrar conosco em algum lugar e do nada um de nós levantar os braços, já sabe... Foi porque o outro fez cara de " Não entendi porra nenhuma do que tu falaste!".
Sobre o "Anszubusmandafolha" você já sabe o que é, né? Ignore o que escutei e preste atenção no contexto, fica fácil de entender.
PS do David: Pessoas, o que eu queria dizer e que a moça aí acima não entendeu é "Ombudsman da Folha", certo? Se você também não entendeu, mesmo lendo, erga os bracinhos que a gente socorre...
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Marcadores:
falta de compreensão,
não entendi,
palavras estranhas
10/07/2010
A professora de Matemática
Quando eu era estudante não gostava de matemática, porque detestava com todas as forças minha professora. Eu não aprendia de maneira nenhuma com ela, sentia verdadeiro desconforto ao escutar-lhe a voz ou observar suas mãos pequenas escrevendo no quadro negro. Depois da época colegial fui fazer faculdade e tive algumas cadeiras de matemática, que para minha surpresa se tornaram ridiculamente fáceis, passei a me sentir inteligente na matéria.
Gostamos de quem produz algo ou do produto? Gostamos da imagem do produto ou do efeito? No meu caso o "produto" era a matemática e quem produzia era a professora que eu detestava. Só para constar ela foi minha professora durante os 3 anos do ensino médio, ou seja, durante todo esse tempo me senti burra e acreditei por um bom tempo que matemática era algo que eu nunca gostaria na minha vida.
Na verdade, o marketing muda nossa visão sobre tudo, muda o gosto. Parece que existe um dispositivo e é certo que existe, só não sei se o nome disso é dispositivo que avisa: "compre, consuma, entenda ou leia." Mas isso é muito pessoal, não surte o efeito com todos.
Por não gostar da professora de matemática, fiz um bloqueio mental contra a matéria e não entendia nada. Era só a professora entrar na sala de aula, que minha vida passava a ser o contar dos segundos -- empacados -- para que mudasse o professor. Eu fui assim com matemática, mas não fui e nem sou com livros e seus autores. Lembro da minha resistência psicológica em ler Marx, justamente por agremiações que se apropriaram de sua teoria. Pensava comigo mesma que não tinha nada a ver essa resistência... Eu precisava era ler. Nenhuma leitura é perdida -- mesmo que ao final atestemos que não gostamos -- pois sempre conseguimos aprender ou pontuar algo em nossa vida. Mas li Marx, sem me ater a sua figura ou mesmo em quem passou a se utilizar da teoria de forma errada. Li sem o pré-julgamento. Li sem levar a opinião formada de quem se diz portador de sua "voz"... Simplesmente, li. No final me surpreendi: eu tinha 16 anos na época, realmente o que Marx escreveu é muito bom.
Hoje leio de tudo. Gosto de alguns autores e não gosto de outros. Enfim o normal, mas nunca a figura do autor ou sua maneira de ser detiveram minha leitura. Alguns já tem a ideia fixa de que, se ganhou um prêmio literário ou foi convidado para programa de televisão, o cara é ruim. Não vale a pena ler, é puro marketing. Pergunto, você o leu? Não vale dizer: " Não perco meu tempo, lendo isso." Você precisa conhecer para criticar. Se você leu um só livro e critica todos os outros, é certo que você perdeu a evolução de um escritor e sua opinião infelizmente está defasada.
Na minha leitura diária existem dois tipos de livros: Autores famosos e autores que ainda não o são. O surpreendente é que muitos famosos e não famosos podem não agradar ou decepcionar. Mas legal mesmo é que em ambos os grupos encontramos leituras que valem a pena de serem postos na fila de preferências, não porque o autor é bonitinho ou excêntrico, mas porque a leitura é boa.
A professora de matemática me ensinou que o conteúdo é o que importa e não a pessoa que transmite. A professora de matemática me ensinou a não deixar meu preconceito sobre o criador influenciar na criação. Share |
Gostamos de quem produz algo ou do produto? Gostamos da imagem do produto ou do efeito? No meu caso o "produto" era a matemática e quem produzia era a professora que eu detestava. Só para constar ela foi minha professora durante os 3 anos do ensino médio, ou seja, durante todo esse tempo me senti burra e acreditei por um bom tempo que matemática era algo que eu nunca gostaria na minha vida.
Na verdade, o marketing muda nossa visão sobre tudo, muda o gosto. Parece que existe um dispositivo e é certo que existe, só não sei se o nome disso é dispositivo que avisa: "compre, consuma, entenda ou leia." Mas isso é muito pessoal, não surte o efeito com todos.
Por não gostar da professora de matemática, fiz um bloqueio mental contra a matéria e não entendia nada. Era só a professora entrar na sala de aula, que minha vida passava a ser o contar dos segundos -- empacados -- para que mudasse o professor. Eu fui assim com matemática, mas não fui e nem sou com livros e seus autores. Lembro da minha resistência psicológica em ler Marx, justamente por agremiações que se apropriaram de sua teoria. Pensava comigo mesma que não tinha nada a ver essa resistência... Eu precisava era ler. Nenhuma leitura é perdida -- mesmo que ao final atestemos que não gostamos -- pois sempre conseguimos aprender ou pontuar algo em nossa vida. Mas li Marx, sem me ater a sua figura ou mesmo em quem passou a se utilizar da teoria de forma errada. Li sem o pré-julgamento. Li sem levar a opinião formada de quem se diz portador de sua "voz"... Simplesmente, li. No final me surpreendi: eu tinha 16 anos na época, realmente o que Marx escreveu é muito bom.
Hoje leio de tudo. Gosto de alguns autores e não gosto de outros. Enfim o normal, mas nunca a figura do autor ou sua maneira de ser detiveram minha leitura. Alguns já tem a ideia fixa de que, se ganhou um prêmio literário ou foi convidado para programa de televisão, o cara é ruim. Não vale a pena ler, é puro marketing. Pergunto, você o leu? Não vale dizer: " Não perco meu tempo, lendo isso." Você precisa conhecer para criticar. Se você leu um só livro e critica todos os outros, é certo que você perdeu a evolução de um escritor e sua opinião infelizmente está defasada.
Na minha leitura diária existem dois tipos de livros: Autores famosos e autores que ainda não o são. O surpreendente é que muitos famosos e não famosos podem não agradar ou decepcionar. Mas legal mesmo é que em ambos os grupos encontramos leituras que valem a pena de serem postos na fila de preferências, não porque o autor é bonitinho ou excêntrico, mas porque a leitura é boa.
A professora de matemática me ensinou que o conteúdo é o que importa e não a pessoa que transmite. A professora de matemática me ensinou a não deixar meu preconceito sobre o criador influenciar na criação. Share |
07/07/2010
Let´s dance
Estava ainda há pouco dando aquela geral nos jornais e encontrei esta manchete que me atiçou a curiosidade: "Ah, se a guerra fosse assim…" . No corpo da reportagem aparece um vídeo onde soldados israelenses em patrulha pelas ruas de Hebron (Cisjordânia), percebendo que não havia perigo, resolvem fazer passos de dança, embalados pela música Tik Tok, da Ke$ha. Apesar de não ser meu estilo de música, a coreografia ficou legal. Eu gostei.
Claro que logo após a reportagem ir ao ar, fanáticos extremistas e pseudo-politicamente-corretos (além de chatos, babacas, comunas, reacionários, e tudo de mal que você queira pensar), comentam coisas como "é fácil dançar sendo o opressor". Esse tipo de gente, com sua almas puras como chão de boteco e elevada consciência humanitária bradam pela punição dos soldados, pelo simples motivo de que a atitude deles seria uma chacota com o povo palestino. Concordo: Ke$ha agride até os meus ouvidos nada puros. Poderiam ter usado ao menos ai um...Beatles, talvez.
O que essas pessoas esquecem é que ali estão seis ou oito (não lembro agora) jovens que são obrigados a portar armas. Muitos anos atrás li uma frase que diz "A guerra é uma invenção dos velhos onde morrem os jovens", de quem não sei a autoria, mas que é válida e exemplificada neste caso. Jovens, com certeza, prefeririam estar namorando e dançando em alguma bar da noite, invés de servirem de alvo ou praticarem tiro ao alvo em outros jovens.
O mundo envelhece e envelhece mal. Nosso planetinha envelhece tão mal que seria justo trocar o nome Terra por algo mais condizente -- como Donatela Versace. E as rugas que aparecem em nosso mundo são exatamente essas atitudes hipócritas, onde todos são os donos das verdades...alheias!
Eu apoio aos soldados israelenses e não acredito que sejam merecedores de punição. Assim como os americanos, citados na mesma reportagem e que fizeram algo bem pior: coreografaram Lady Gaga(Eca) e seu Telephone(Ugh).
Na realidade o ser humano é nada mais, nada menos, que o parente do macaco -- e peço desculpas ao macaco. Como devem ter existido vários parentes trocando um oi durante o processo evolutivo -- uma convivência forçada entre pelados e peludos durante determinado tempo --, hipócritas nos forçam ao seu convívio, puxando para baixo nossa evolução feroz, que caminha em direção à extinção total.
2012 está aí, gente! Se for para essa merda explodir, quero um barranco para encostar, um uísque para beber, meu cigarro não pode faltar. E, para ouvir, além das gargalhadas de minha amada, Ke$ha na vitrola, para me dar o conforto que o lixo todo, estará indo embora...
E você, hipócrita, que sentiu-se ofendido com este texto já sabe: "Tô nem aíííí, tô nem aííííí...."
Claro que logo após a reportagem ir ao ar, fanáticos extremistas e pseudo-politicamente-corretos (além de chatos, babacas, comunas, reacionários, e tudo de mal que você queira pensar), comentam coisas como "é fácil dançar sendo o opressor". Esse tipo de gente, com sua almas puras como chão de boteco e elevada consciência humanitária bradam pela punição dos soldados, pelo simples motivo de que a atitude deles seria uma chacota com o povo palestino. Concordo: Ke$ha agride até os meus ouvidos nada puros. Poderiam ter usado ao menos ai um...Beatles, talvez.
O que essas pessoas esquecem é que ali estão seis ou oito (não lembro agora) jovens que são obrigados a portar armas. Muitos anos atrás li uma frase que diz "A guerra é uma invenção dos velhos onde morrem os jovens", de quem não sei a autoria, mas que é válida e exemplificada neste caso. Jovens, com certeza, prefeririam estar namorando e dançando em alguma bar da noite, invés de servirem de alvo ou praticarem tiro ao alvo em outros jovens.
O mundo envelhece e envelhece mal. Nosso planetinha envelhece tão mal que seria justo trocar o nome Terra por algo mais condizente -- como Donatela Versace. E as rugas que aparecem em nosso mundo são exatamente essas atitudes hipócritas, onde todos são os donos das verdades...alheias!
Eu apoio aos soldados israelenses e não acredito que sejam merecedores de punição. Assim como os americanos, citados na mesma reportagem e que fizeram algo bem pior: coreografaram Lady Gaga(Eca) e seu Telephone(Ugh).
Na realidade o ser humano é nada mais, nada menos, que o parente do macaco -- e peço desculpas ao macaco. Como devem ter existido vários parentes trocando um oi durante o processo evolutivo -- uma convivência forçada entre pelados e peludos durante determinado tempo --, hipócritas nos forçam ao seu convívio, puxando para baixo nossa evolução feroz, que caminha em direção à extinção total.
2012 está aí, gente! Se for para essa merda explodir, quero um barranco para encostar, um uísque para beber, meu cigarro não pode faltar. E, para ouvir, além das gargalhadas de minha amada, Ke$ha na vitrola, para me dar o conforto que o lixo todo, estará indo embora...
E você, hipócrita, que sentiu-se ofendido com este texto já sabe: "Tô nem aíííí, tô nem aííííí...."
Revista Cultural Novitas Nº 6
Nesta edição:
Abilio Manoel, Xico Sá, Eduardo C Braga, Silvio Alavares, Denise Veiga, Andrea Barros, Guilherme Noronha, Evandro de Souza Marques Gomes, Letícia Losekann Coelho, Suzana Martins, Monica Saraiva, Álisson da Hora, Katia Mota, Alessandro de Paula, Anderson Mattozinhos, Bruno Bossolan, Luis Bento, David Nobrega, Du, Rodolfo Lima, Eloy Nunes, Luisa Aranha, Marcelo Soriano, Giuliana, Denison Mendes, Suzana Martins.
Divirtam-se!
Abilio Manoel, Xico Sá, Eduardo C Braga, Silvio Alavares, Denise Veiga, Andrea Barros, Guilherme Noronha, Evandro de Souza Marques Gomes, Letícia Losekann Coelho, Suzana Martins, Monica Saraiva, Álisson da Hora, Katia Mota, Alessandro de Paula, Anderson Mattozinhos, Bruno Bossolan, Luis Bento, David Nobrega, Du, Rodolfo Lima, Eloy Nunes, Luisa Aranha, Marcelo Soriano, Giuliana, Denison Mendes, Suzana Martins.
Divirtam-se!
05/07/2010
002
Peças desconexas
Quebra-cabeças
Um coração partido
Um adeus sofrido
O grande amor
Amor perdido
Veneno transfundido
Um beijo mal sentido
Aquele sabor, o calor
O grande amor
Amor bandido
Vai ao longe, distante
Mosca mutante
Cadaver do já sentido
O grande amor
Amor estremecido
Foi e não volta
A amarra se solta
Precisa esquecer, sofrer
O grande amor
Amor, vencido...
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Quebra-cabeças
Um coração partido
Um adeus sofrido
O grande amor
Amor perdido
Veneno transfundido
Um beijo mal sentido
Aquele sabor, o calor
O grande amor
Amor bandido
Vai ao longe, distante
Mosca mutante
Cadaver do já sentido
O grande amor
Amor estremecido
Foi e não volta
A amarra se solta
Precisa esquecer, sofrer
O grande amor
Amor, vencido...
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04/07/2010
A importância além do esperado
É estranha a grande importância que alguns dão para si mesmos em determinada situação. Quem se dá uma importância além do esperado sofre de mania de perseguição combinada com um ego imenso.
Isso acontece com frequência com pessoas esclarecidas e descoladas, que muitas vezes fazem uso daquela frase mentirosa: "Eu não me preocupo com o que os outros falam sobre mim". Surge como uma crise de ansiedade... Assim do nada, um gatilho para se sentir imensamente importante e detentor de grande parte da vida útil das outras pessoas.
"Estava escrito nas entrelinhas" - Essa frase é tipicamente de quem vê problema em tudo ou até uma mensagem subliminar direcionada para si. Me expressei mal, na verdade eu deveria ter dito: atitude típica de quem tem um ego gigante. Só pode! Imagina se Augusto dos Anjos lá em 1900 e bolinha iria escrever uma poesia para você ler no ano de 2010 e te enviar um recado? Não... Mil vezes não. Augusto dos Anjos não tinha e-mail, mas com certeza você achou algo semelhante em sua vida ou -- falta de vida -- e se tapou de raiva, achando que foi "descoberto" em uma mancada qualquer.
-- Crônicas, poesias, contos, romances -- livros, enfim -- fazem com que o leitor se identifique de alguma maneira, mas calma... Não radicalize. --
Outro gatilho também pode ser um e-mail com uma crônica escrita por terceiro, uma poesia, um telefonema, a felicidade ou tristeza alheia, as conquistas ou derrotas dos outros e até a ausência... "Por que fulano, sumiu? Alguma coisa está aprontando." Relaxe, você não é tão importante para os outros pensarem em você o tempo inteiro. Relaxe, você não é tão importante para os outros gastarem metade de seu dia pensando em você. Simplesmente, relaxe.
Eu troco o relaxe, por divirta-se que é bem mais bacana nesse mundinho doido de hoje. Divirta-se, vá em um bom restaurante e esqueça sua maldita dieta pelo menos por um dia. Vá ao cinema, teatro, jogue basquete com seu filho e saia de sua insuportável zona de conforto. Divirta-se! Faça algo que nunca fez ou algo que você adore fazer mas diz que não encontra tempo.
Divirta-se e não gaste uma vida útil como a sua deve ser, preocupado em que os outros estão fazendo ou pensando. Você não é tão importante para esses outros quanto imagina.
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Isso acontece com frequência com pessoas esclarecidas e descoladas, que muitas vezes fazem uso daquela frase mentirosa: "Eu não me preocupo com o que os outros falam sobre mim". Surge como uma crise de ansiedade... Assim do nada, um gatilho para se sentir imensamente importante e detentor de grande parte da vida útil das outras pessoas.
"Estava escrito nas entrelinhas" - Essa frase é tipicamente de quem vê problema em tudo ou até uma mensagem subliminar direcionada para si. Me expressei mal, na verdade eu deveria ter dito: atitude típica de quem tem um ego gigante. Só pode! Imagina se Augusto dos Anjos lá em 1900 e bolinha iria escrever uma poesia para você ler no ano de 2010 e te enviar um recado? Não... Mil vezes não. Augusto dos Anjos não tinha e-mail, mas com certeza você achou algo semelhante em sua vida ou -- falta de vida -- e se tapou de raiva, achando que foi "descoberto" em uma mancada qualquer.
-- Crônicas, poesias, contos, romances -- livros, enfim -- fazem com que o leitor se identifique de alguma maneira, mas calma... Não radicalize. --
Outro gatilho também pode ser um e-mail com uma crônica escrita por terceiro, uma poesia, um telefonema, a felicidade ou tristeza alheia, as conquistas ou derrotas dos outros e até a ausência... "Por que fulano, sumiu? Alguma coisa está aprontando." Relaxe, você não é tão importante para os outros pensarem em você o tempo inteiro. Relaxe, você não é tão importante para os outros gastarem metade de seu dia pensando em você. Simplesmente, relaxe.
Eu troco o relaxe, por divirta-se que é bem mais bacana nesse mundinho doido de hoje. Divirta-se, vá em um bom restaurante e esqueça sua maldita dieta pelo menos por um dia. Vá ao cinema, teatro, jogue basquete com seu filho e saia de sua insuportável zona de conforto. Divirta-se! Faça algo que nunca fez ou algo que você adore fazer mas diz que não encontra tempo.
Divirta-se e não gaste uma vida útil como a sua deve ser, preocupado em que os outros estão fazendo ou pensando. Você não é tão importante para esses outros quanto imagina.
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