10 de jul de 2010

A professora de Matemática

Quando eu era estudante não gostava de matemática, porque detestava com todas as forças minha professora. Eu não aprendia de maneira nenhuma com ela, sentia verdadeiro desconforto ao escutar-lhe a voz ou observar suas mãos pequenas escrevendo no quadro negro. Depois da época colegial fui fazer faculdade e tive algumas cadeiras de matemática, que para minha surpresa se tornaram ridiculamente fáceis, passei a me sentir inteligente na matéria.

Gostamos de quem produz algo ou do produto? Gostamos da imagem do produto ou do efeito? No meu caso o "produto" era a matemática e quem produzia era a professora que eu detestava. Só para constar ela foi minha professora durante os 3 anos do ensino médio, ou seja, durante todo esse tempo me senti burra e acreditei por um bom tempo que matemática era algo que eu nunca gostaria na minha vida.

Na verdade, o marketing muda nossa visão sobre tudo, muda o gosto. Parece que existe um dispositivo e é certo que existe, só não sei se o nome disso é dispositivo que avisa: "compre, consuma, entenda ou leia." Mas isso é muito pessoal, não surte o efeito com todos.

Por não gostar da professora de matemática, fiz um bloqueio mental contra a matéria e não entendia nada. Era só a professora entrar na sala de aula, que minha vida passava a ser o contar dos segundos -- empacados -- para que mudasse o professor. Eu fui assim com matemática, mas não fui e nem sou com livros e seus autores. Lembro da minha resistência psicológica em ler Marx, justamente por agremiações que se apropriaram de sua teoria. Pensava comigo mesma que não tinha nada a ver essa resistência... Eu precisava era ler. Nenhuma leitura é perdida -- mesmo que ao final atestemos que não gostamos -- pois sempre conseguimos aprender ou pontuar algo em nossa vida. Mas li Marx, sem me ater a sua figura ou mesmo em quem passou a se utilizar da teoria de forma errada. Li sem o pré-julgamento. Li sem levar a opinião formada de quem se diz portador de sua "voz"... Simplesmente, li. No final me surpreendi: eu tinha 16 anos na época, realmente o que Marx escreveu é muito bom.

Hoje leio de tudo. Gosto de alguns autores e não gosto de outros. Enfim o normal, mas nunca a figura do autor ou sua maneira de ser detiveram minha leitura. Alguns já tem a ideia fixa de que, se ganhou um prêmio literário ou foi convidado para programa de televisão, o cara é ruim. Não vale a pena ler, é puro marketing. Pergunto, você o leu? Não vale dizer: " Não perco meu tempo, lendo isso." Você precisa conhecer para criticar. Se você leu um só livro e critica todos os outros, é certo que você perdeu a evolução de um escritor e sua opinião infelizmente está defasada.

Na minha leitura diária existem dois tipos de livros: Autores famosos e autores que ainda não o são. O surpreendente é que muitos famosos e não famosos podem não agradar ou decepcionar. Mas legal mesmo é que em ambos os grupos encontramos leituras que valem a pena de serem postos na fila de preferências, não porque o autor é bonitinho ou excêntrico, mas porque a leitura é boa.

A professora de matemática me ensinou que o conteúdo é o que importa e não a pessoa que transmite. A professora de matemática me ensinou a não deixar meu preconceito sobre o criador influenciar na criação. Share |

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