17 de jul. de 2010

O grande mentiroso

Todos mentem, aumentam ou diminuem histórias. Mentem para agradar, mentem para desagradar ou simplesmente mentem pela covardia.


Todos já mentiram uma vez na vida... Duas, três, quatro ou cinco o importante é que mentir faz parte da vida. O que não deve acontecer é viver na mentira, que torna o ser um mentiroso convicto, não patológico mas sem vergonha na cara. O mentiroso tal qual o político não tem vergonha... A vergonha é só a alheia.

A mentira é tão ligada à fofoca que não se desgrudam; são unha e carne, espaguete e queijo ralado. Quando uma aparece a outra está junto: é a coceira na língua, a vontade do ouvido. Quem mente muito já é um fofoqueiro por natureza. Seus sentidos são resumidos. O ouvido pode ser grande, mas somente para escutar a parte que lhe convém -- o que desagrada é posto fora, enxotado do contexto.

A mentira é vício, tal qual o cigarro. Quem fuma defende o vício, mas não deve processar a indústria depois de adoecer, pois isso seria trair sua própria vida, sua convicção de fumante ativo. O mentiroso depois da mentira descoberta não deve culpar os outros... É feio, vira vexame.

Mentir um pouquinho não existe assim como desmentir rapidamente é um insulto... Um insulto à vítima da mentira, da história da carochinha.

Não existe ousadia na mentira. O que existe é a placa luminosa que indica a falta de emoção, a falta de vida, a vontade de parecer o que não se é, o ser sem ser, o fazer e não fazer.

Mentira também não tem nada a ver com imaginação. Não confunda, o mentiroso não tem imaginação, tem falta dela. Carece de ideias logicas, de verdade. O mentiroso não imagina, ele pega a vida dos outros e transforma em sua. Ele captura o que existe de melhor, pior, mais luminoso, estranho e fantástico e acopla em sua vontade de ser o que não é.

O mentiroso vai dizer que inglês é sua praia, que é culto, inteligente e provavelmente lhe faltou carinho. Ele já inventa uma mentira antes de acontecer o fato, se torna previsível e claro, todos são culpados.

O grande mentiroso pede desculpas, sua consecutiva grande mentira. Pede desculpas para aliviar a tensão, e voltar a mentir. Pede porque não sente muito, sente pouco... O suficiente para chorar pedindo desculpas e armar a língua para a próxima mancada.

A mentira não tem só a perna curta, tem a língua grande.
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