30 de jun. de 2010

crua

Busco verdades em muitas paragens
Cavando os alicerces da iniquidade
Tolos, decrépitos, sonsos, aqueles
Refastelando-se da luminosidade
O sol, acobertando o cretinismo
Com a luz forte, cegando vontades
Confortavelmente banhando-se
Covardemente escondendo-se
No fogo de suas vazias vaidades
Afundem-se na lama escura, crua
Pegajosa e fria companhia, sua
Deixa que te cubra a pele nua, seja
Sente o prazer dos movimentos
Sórdida humanidade e seus lamentos
De bondade resta a imensa ruptura
De alianças antigas, a fome, tortura
Querem a verdade?
Ela é suja, ausente e carente
Faz temer a mais brava das gentes
Usando a loucura como gerente
Faz emudecer o peito, ausente
O mal  soberano, um mal humano
Insano, profano, absurdo, leviano
Todos os conceitos impuros
Daqueles que tem na mão,
Tua alma.Que existiria, se não fosse mentira


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Novidades na Editora Novitas!

O vencedor do Concurso de Contos e Crônicas - 2010 é Maurício Martins de Oliveira com o livro: Contos de Varanda. O livro é ótimo e será editado pela Novitas. Parabéns para Maurício e muito obrigada aos Jurados: Mauro Ulrich, Maristela Bairros e Ledi José Gamba.  Para ver nota do resultado no jornal clique AQUI Para ver no site, clique AQUI  

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Foram selecionados 37 autores que irão participar do E-Book " Apenas o necessário". Este E-Book como já foi explicado, será distribuído de forma gratuíta e não haverá custo para os autores. O E-Book receberá tratamento de livro -- como deve ser, conforme normas da Agência Nacional de ISBN --, com ISBN e Ficha Catalográfica, além de edição e arte.
Para ver o nome dos autores, clique AQUI

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A Coletânea de poesias infantil" 15 poetas para todas as crianças" ficou pronta e muito bonita!!
Os poetas Angela Brighenti, Ceiça Esch, Daniel Leite Almeida, Grazielle Varela, Guile, Josy Campos, Karina Pereira, Kiara Guedes, Lourdes Houbler, Lena, Marciano Vasques, Nilza Hoehne Rigo,Rejane Tazza, ValériaVictorino Valle  e Vicência Maria Freitas criaram poesias lindas para as crianças.
Para adquirir o livro entre em contato com os autores que autorizaram divulgar seus e-mails:
Angela = polychem33@gmail.com


Ceiça = www.ceicaesch.recantodasletras.com.br

Guile= guilepoeta@hotmail.com

Josy= josy@theros.info

Karina= kakaarcoiris@ig.com.br

Kiara= kiaraguedes@gmail.com

Lourdes= lourdeshubler@yahoo.com.br

Lena= diasdacostaluciahelena@yahoo.com.br

Nilza= nilzaazzi@gmail.com

Valéria= vvvalle@hotmail.com ou vvvalle@gmail.com

Vicência= vmjaguaribe@netbandalarga.com.br

  * Capa da Coletânea Infantil. Clique na imagem para ampli
         *Ilustração de Capa e miolo de Danilo Marques (organizador) 




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27 de jun. de 2010

Falta constrangimento

O bom senso morreu, a falta de vergonha na cara fugiu e o constrangimento se escondeu. Falta constrangimento, falta aquele acanhamento que nos faz pensar vinte vezes antes de fazermos algo que temos dúvida se é correto, se não vai prejudicar alguém, se não vai ferir algum princípio. Ah, o princípio... Esse tão esquecido "indivíduo", essa palavra sumida e deturpada pelos anos de mau uso.


Falta constrangimento na hora do ato. A liberdade -  mais que a liberdade -  nos proporciona a sensação de inteligência absoluta. Não precisamos, ouvir, escutar... Lemos o que queremos, fazemos o que pensamos. Não existe contraponto, a discussão é um amontoado de gritos surdos e tapas na tribuna  de portas batidas na cara.

Falta constrangimento na ação. Os anos passados só significam algo quando queremos foder mais com o tão surrado conhecimento de quem ainda está em formação. Eu disse, formação? Perdoem, tem horas que esqueço que todos já nascem prontos, sabidos de suas verdades, rasgando os livros históricos de quem pensou por mais de uma geração.

Falta constrangimento na conclusão do pensamento. Uma hora eu digo "fora alguém", mas esse alguém está tão encruado, tão soberano bebendo da mesma água de meus iguais que acabo entrando em desespero. E no desespero, não tenho coerência, culpo o aproveitador pelo aproveitamento.

Falta constrangimento, aquele embaraço. As bochechas não ficam mais rosadas... Para isso é necessário carregar no rouge para dar a falsa impressão de que existe um pouco de vergonha na cara. Falta sim, o insight que nos faz pensar antes de agir e vomitar nossos discursos que não tem mais valia, caíram em desuso, servem para meia dúzia de gatos pingados.

O constrangimento se escondeu. Deixou de existir e nem mentindo vemos sua sombra, aquele momento que os olhos se desviam. Os olhos denunciavam o constrangimento...Hoje já são mestres em enganar.


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24 de jun. de 2010

Venda - se direito!

Dia desses, vi um músico formado pela UFRGS em música e que toca violão desde os 8 anos de idade, falar assim: " É, eu tento ser músico. Arranho no violão alguma coisa." De imediato pensei que se essa criatura "arranha" algo no violão, o que sobra para os que realmente "arranham" algo no piano, violão, saxofone e bateria? Infelizmente não sobra nada! Se aquela criatura "arranha" quem realmente "arranha" está por baixo... Por baixo mesmo!
Mas depois do pensamento óbvio, fui para um outro lado. Como é que esse cara quer que eu compre o CD dele, se nem ele confia no próprio trabalho? Como é que ele quer parar nos programas mais assistidos de televisão, se ele mesmo diz nas entrelinhas o seguinte: "Olha, eu toco violão há 22 anos, me formei em música, mas infelizmente sou um péssimo músico. Vou esperar mais 20 anos para ficar bom e só aí você vai poder ter coragem de comprar meu trabalho, ok?"
Exagerei? Penso que não. As pessoas precisam aprender a vender melhor seu trabalho!
Os mais politicamente corretos e fãs das frases prontas vão dizer: " Todos estão sempre aprendendo." Concordo,  ninguém sabe tudo e isso é fato, porém algo se sabe bem. Continuar aprendendo sem se fazer amador por toda a vida é necessário. Guarde um pouco a humildade na caixa em baixo de sua cama. E isso que você pensa que é humildade, na verdade não é. Isso é não acreditar que você é capaz. Saia do corpo, olhe - se no espelho. Quem baixa o tom da humildade, não é visto como arrogante.
 Se você sabe algo -- e se sabe bem--, a ponto de virar um trabalho real, que gere lucro, tempo de sua vida e  você se dedica, tenta ser o melhor, sabe que é bom nunca solte um  " Eu arranho". Eu até já pensei que a pessoa que solta um "eu arranho" está querendo um maravilhoso elogio, mas não é o caso. Vejo pessoas envergonhadas mesmo tendo certeza do seu ótimo trabalho, falarem o tal"arranho".
Em contra partida existem os que não tem certeza do que estão falando e dizem: " Sou músico, toco muito!" Daí é aquela historinha que conhecemos: se a criatura é bonitinha e tem uma puta segurança pessoal, com presença de palco, alguma gravadora se interessará mesmo que a música seja péssima!
Isso não acontece só com músicos. Vejam os escritores que dizem que são quase escritores ou os artistas plásticos que adoram falar que estão "quase lá" quando até exposição já fizeram? É estranho, falta confiança, falta vender o trabalho.
"Quase alguma coisa" é algo vago. O "quase" não vende e se engana quem acha que artista não deve ganhar pelo seu trabalho e nem assinar sua obra. No mundo real, as pessoas sobrevivem de sua arte. Não diga que "arranha" quando você é um dos melhores. Venda-se direito.

18 de jun. de 2010

simbiose

 Te conheço mais que a mim
Respiro teus momentos
Aos quais simplesmente,
Me acrescento.
Sinto com teu tato macio
Cada toque um desvairio
A loucura em braile
Unhas, digitais e cutículas
Um perfeito corpo de baile.
Degusto com tua lingua
Piadista, cortante, abrasiva
Que sabe como me acarinha
Dançando em minha boca, festiva
Sofro teus orgasmos simpáticos
A intensidade fantástica
A simetria quase mágica
Minutos intermináveis, elásticos
Não te conheço mais que a mim
Simplesmente não há como saber
Um começo teu
Onde seria meu fim

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12 de jun. de 2010

O esquecimento proposital

                                            O esquecimento proposital

Vi esses dias uma ex-usuária de maconha criticar um fumante de tabaco de forma xiita. Na hora pensei em elucidar a pessoa, dizendo: "Oi, você tem um passado, lembra?", mas fiquei fria -- gelada para falar a verdade. Cada um mostra para o mundo o que é oportuno; o que nos desabona, escondemos.
Sabe, essa coisa de estar quase nos trinta me pega às vezes. Vejo várias pessoas de 30 e poucos ou muitos, "garganteando" exemplos furados e sim, esquecendo de seu próprio passado. Claro, o importante é se perdoar -- foda - se a opinião alheia --, afinal de contas os erros surgem justamente para que possa existir o arrependimento, um aprendizado. O normal é fugir do que nos prejudica e mudar. Sim, mudar para melhor! Agora o que incomoda são os que se colocam como exemplo e simplesmente deletam da sua mente toda a merda que fizeram, como se atualizassem uma página com texto novo no blog, fazendo parecer tão simples como deletar uma poesia ridícula do bloco de notas do computador.
É aquela lógica, que faz do "vizinho" estar redondamente enganado. O "vizinho" é um estúpido que tira o lixo um dia antes do lixeiro passar. O "vizinho" também está errado por brigar com a esposa aos berros e me fazer roubar a briga e escrever um conto. O "vizinho" é burro por gastar dinheiro comprando pinga no bar da esquina .O "vizinho" também é um sem coração que some e não dá notícias. O seu "vizinho" é tão errado que o desafio a se colocar como exemplo de vida e de conduta. Esses que criticam tanto seus "vizinhos" deveriam mostrar ao mundo sua fugaz diferença, sua história de sucesso pessoal. Afinal de contas, andar sempre nos trilhos é para poucos e admiro uma pessoa incrível assim. Incrível no sentido fantástico e fodástico da palavra!
Vejo muito pouco um  alguém qualquer fazer uma autocritica com sucesso. Na maioria dos casos a autocritica vira uma mania que todos em volta devem suportar. Logo, o tabaco do cidadão ao lado vai sempre incomodar um ex-fumante de maconha. Ele vai reclamar, discursar seguindo a máxima política, onde gritando primeiro as merdas dos outros faz com que as nossas pareçam menores.
"Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa?" Não, isso vai depender da nossa disposição em olhar para dentro e fazer a autocritica funcionar ou continuar condenando o tabaco do "vizinho", esse sim um horror!

11 de jun. de 2010

Sai!

Fez de mim um trapo, gato e sapato
Pendurado ao relento
Sob seu olhar atento
Me cansei, de fato.

Pois hoje sei como
E se soubesse de algo
Que jamais morderia novamente
Esse intragável mas reluzente pomo

Desse sofrimento passado
Em passado não distante nem antigo
Tiro minhas lições de vida
Essa, não necessária em ser sofrida
Lição palpável dolorida
Sai agora de minha mente
Não mais me barra nem castra
Sai da minha frente
Um novo alguém cortou-me a amarra
Que fazia de mim

Você


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6 de jun. de 2010

Medo

Meu filho Lucas diz que tem medo do escuro e prefere que deixe as luzes acessas do banheiro, para iluminar um pouco o quarto. Todos temos medo de alguma coisa, mas quando somos crianças confessamos aquilo que nos dá medo.
Adultos tem medo e com o tempo o medo é classificado por psicólogos e psiquiatras. Adulto que tem muito medo, precisa se medicar. E essa grande verdade nos faz ter medo de confessar o que nos amedronta. Para todos os tipos de medo, uma terapia, uma solução farmacológica e não acredito que isso funcione.
Antigamente tudo era mais simples, pois nem tudo era uma nova forma de doença. O medo faz parte da pessoa. Não falo no medo que te tranca em casa e te afasta do convívio social, mas o puro medo, simples.
Eu tenho medo do escuro também, não gosto da escuridão... Algumas vezes perco o ar olhando o nada do escuro.
Tenho medo de dirigir. A simples menção de segurar uma direção faz passar um filme em minha mente, onde além de causar um acidente seguido do maior engarrafamento da América Latina, me vejo saindo do corpo e gritando para todos: " Oi! Eu estou aqui!".
Tenho muito medo de morrer. A morte em si, essa não me dá medo... Mas tenho medo de deixar quem eu amo. Muito medo de deixar meu filho, meu marido e nunca mais sentar para conversar na sala com meu pai ou com a mãe na cozinha. Soma-se ao medo de morrer, o medo de contrair uma grande doença, como o câncer por exemplo. Não sei se eu me sentiria bem careca ou tendo enjoos o dia inteiro. Não sei como viveria se recebesse um determinado tempo de vida. Se viver sem saber quando vai se morrer é um tiro no escuro -- 'encarável', por assim dizer --, imagine viver sabendo quando vai morrer.
Tenho medo de ladrão, assaltante, sequestrador e das drogas. Tenho medo de armas, de pessoas mal-encaradas e de indivíduos que caminham de forma suspeita.
Tenho medo de deixar a casa sozinha, muito medo de que meu gato Juarez não volte para casa e medo que Heitor, o cachorro, fique doente novamente.
Tenho medo de não conseguir me controlar quando devo, e medo de tomar choque no banheiro.
Morro de medo que algo aconteça com as pessoas pessoas que mais gosto. Muito medo que alguém faça alguma maldade a meu filho.
Os medos movem a vida diferente. Nos fazem ter mais cuidado e ser intensos. Sou uma pessoa intensa que acredita nas pessoas mas duvido um pouco delas. Sou equilibrada entre a bondade e a maldade, tenho consciência que o mundo unido, belo e florido é utopia.
Alguns dizem que quem tem cu, tem medo. Como o cu faz parte da vida dos seres viventes, concluo que todos sentem medo de algo. Na verdade, quem respira tem medo.


5 de jun. de 2010

roupas no varal

Em uma pobre casa de tábuas
A tinta que a cobria pelo sol queimada,
Gretada e com frestas escuras
Que davam à miséria interna
A visão de uma tarde ensolarada
Lá fora, a vida pulula em lençóis brancos
Um muro de limpeza, a presença da cor
Estendidos lado a lado com tantos outras
Roupas ao vento, com seu cheiro de flor.

Vidas se mostram ali, naquele arco-íris
Sustentado por arame retilínio
Um contraste claro, óbvio
A pobreza é monetária
Os cuidados maternos, eternos

E ao cair da noite lá estarão
Sentados em reunião
Os pratos cheios de quase nada
Sobre a limpa toalha bordada,
De outra mãe herdada.

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L.I.V.R.O. - Millor Fernandes

Eu não sou lá muito fã de copiar textos de outros autores e aqui publicá-los. Ainda mais um texto como este do Millor, repetidos inúmeras vezes por aí. Mas sempre vale a pena reler um texto bom, ainda mais quando você encontra uma cópia em outra língua, em vídeo, como o que está no rodapé desta postagem.

Leiam L.I.V.R.O. - sempre...

Existe entre nós, muito utilizado, mas que vem perdendo prestígio por falta de propaganda dirigida, e comentários cultos, embora seja superior a qualquer outro meio de divulgação, educação e divertimento, um revolucionário conceito de tecnologia de informação. Chama-se de Local de Informações Variadas, Reutilizáveis e Ordenadas - L.I.V.R.O.
L.I.V.R.O. que, em sua forma atual, vem sendo utilizado há mais de quinhentos anos, representa um avanço fantástico na tecnologia. Não tem fios, circuitos elétricos, nem pilhas. Não necessita ser conectado a nada, ligado a coisa alguma. É tão fácil de usar que qualquer criança pode operá-lo. Basta abri-lo!

Cada L.I.V.R.O. é formado por uma seqüência de folhas numeradas, feitas de papel (atualmente reciclável), que podem armazenar milhares, e até milhões, de informações. As páginas são unidas por um sistema chamado lombada, que as mantém permanentemente em seqüência correta. Com recurso do TPO - Tecnologia do Papel Opaco - os fabricantes de L.I.V.R.O.S podem usar as duas faces (páginas) da folha de papel. Isso possibilita duplicar a quantidade de dados inseridos e reduzir os custos à metade!

Especialistas dividem-se quanto aos projetos de expansão da inserção de dados em cada unidade. É que, para fazer L.I.V.R.O.S com mais informações, basta usar mais folhas. Isso porém os torna mais grossos e mais difíceis de ser transportados, atraindo críticas dos adeptos da portabilidade do sistema, visivelmente influenciados pela nanoestupidez.

Cada página do L.I.V.R.O. deve ser escaneada opticamente, e as informações transferidas diretamente para a CPU do usuário, no próprio cérebro, sem qualquer formatação especial. Lembramos apenas que, quanto maior e mais complexa a informação a ser absorvida, maior deverá ser a capacidade de processamento do usuário. Vantagem imbatível do aparelho é que, quando em uso, um simples movimento de dedo permite acesso instantâneo à próxima página. E a leitura do L.I.V.R.O. pode ser retomada a qualquer momento, bastando abri-lo. Nunca apresenta “ERRO FATAL DE SENHA“, nem precisa ser reinicializado. Só fica estragado ou até mesmo inutilizável quando atingido por líquido. Caso caia no mar, por exemplo. Acontecimento raríssimo, que só acontece em caso de naufrágio.

O comando adicional moderno chamado ÍNDICE REMISSIVO, muito ajudado em sua confecção pelos computadores (L.I.V.R.O. se utiliza de toda tecnologia adicional), permite acessar qualquer página instantaneamente e avançar ou retroceder na busca com muita facilidade. A maioria dos modelos à venda já vem com esse FOFO (softer) instalado.

Um acessório opcional, o marcador de páginas, permite também que você acesse o L.I.V.R.O. exatamente no local em que o deixou na última utilização, mesmo que ele esteja fechado. A compatibilidade dos marcadores de página é total, permitindo que funcionem em qualquer modelo ou tipo de L.I.V.R.O. sem necessidade de configuração. Todo L.I.V.R.O. suporta o uso simultâneo de vários marcadores de página, caso o usuário deseje manter selecionados múltiplos trechos ao mesmo tempo. A capacidade máxima para uso de marcadores coincide com a metade do número de páginas do L.I.V.R.O.

Pode-se ainda personalizar o conteúdo do L.I.V.R.O., por meio de anotações em suas margens. Para isso, deve-se utilizar um periférico de Linguagem Apagável Portátil de Intercomunicação Simplificada - L.A.P.I.S. Elegante, durável e barato, L.I.V.R.O. vem sendo apontado como o instrumento de entretenimento e cultura do futuro, como já foi de todo o passado ocidental. São milhões de títulos e formas que anualmente programadores (editores) põem à disposição do público utilizando essa plataforma.

E, uma característica de suprema importância: L.I.V.R.O. não enguiça!
E agora em versão similar/copiada/remexida, em espanhol:
 

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4 de jun. de 2010

Deu o que tinha que dar.




 Há alguns anos tive aquele estalo em uma conversa entre ego, id e alter-ego. Uma revelação que me dizia que ou eu começava a entender de política ou jamais conseguiria mudar os rumos do país. Sim, pois em princípio e por definição, política é a arte ou ciência da organização, direção e administração de nações ou Estados e como faço parte de uma Nação organizada em Estado, faço parte desse processo, certo?

 Errado. Não que eu tenha desistido de escrever e/ou ler sobre política, não é isso. Não quero ser uma alienado. Só passei a preservar minhas opiniões que, em realidade, pouco serviram a qualquer pessoa até o presente dia. Ou seja: você se indispõe com gente antagônica politicamente por nada, pois de outra forma, se o assunto fosse a capa da Playboy do mês por exemplo, poderia acontecer de eu conseguir ampliar minhas relações de amizades. Algo muito mais sadio, concordam? 

Durante muito tempo fiquei colado nos políticos de nosso país, para o bem e para o mal. Tinha a paciência de entrar em portais governamentais e estudar -- sim sinhô! es-tu-dar -- cada empenho, convênio e cartões corporativos administrados pelos Três Poderes. Despendia um tempo que não tenho com assuntos que não resolveria em hipótese alguma.

Aplaudi deputados que mostraram ter vergonha na cara em determinadas situações para em seguida me sentir um idiota completo, quando o mesmo cidadão eleito faria uma asneira onde apareceria seu nome em meio a alguma falcatrua. As coisas de nosso país se resolvem somente por meio de conchavos criminosos, onde desclassificados regados a vinhos e uísques caríssimos decidem -- ou não decidem, que é mais comum -- os rumos de nossa Bananolândia.

 Assim, desisto de acompanhar a política. Porque sou dono de meu nariz e quem decide de minha vida sou eu mesmo, independente do bola da vez que faça de conta gerenciar o Brasil. Legisladores que fazem leis em causa própria, juízes que julgam conforme tendências político-partidárias nem mais acobertadas pela venda da Justiça ou membros do executivo que estão se lixando ao que acontece fora daquela Ilha da Fantasia chamada Brasília, passaram a fazer parte do rol de pessoas que não quero em meu dia a dia. Na realidade, quero mais é que todos, independente de partido ou ideologia, confessem os crimes que -- eu sei -- em muitos casos foram obrigados a cometer por conta de alianças indigestas e improváveis em outros tempos, com mais sobriedade e ética.

Eu pago -- ou não -- minhas contas. Eu. Ninguém pertencente ao mundo político fez algo por mim ou por alguém que eu conheça. São seres irreais, curtindo a virtualidade de telejornais, enquanto às costas de seu eleitor angariam mais e mais moedas, trinta de cada vez.

Sou escritor, editor e mais uma porção de funções aprendidas na marra e no bambolear das ancas da vida. E sou eleitor, frustrado com a ignorância daqueles que se dizem defensores do povo.

Senhores, estou cagando para os senhores. Só me deixem viver em paz.
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3 de jun. de 2010

socialmente falando

Redes sociais me fascinam desde quando o mIRC era o auge da convivência internética. Em uma tela preta e feia, com milhares de comandos mais feios ainda, você podia interagir com pessoas do mundo todo, desde que soubesse -- ou conseguisse -- encontrá-los. Depois vieram ferramentas de interação cada dia mais e mais fantásticas e com mais recursos, de emoticons do MSN aos chats que durante anos foram líderes de compartilhamento de ideias, por piores que fossem.

Hoje o auge é o Twitter. Sim, tem o Facebook, o Orkut e sabe-se mais lá o que, mas Twitter é senhor do papo virtual em tempo real, com seus 140 caracteres máximos deixando as conversas ágeis e, por que não, fáceis. Algo que tem me chamado a atenção durante as incursões tuiteiras é a quantidade de intelectuais. Pessoas de fino saber que sempre tem uma importante reunião (ir ao banheiro), um projeto a apresentar (jantar), que esculpem os corpos na academia (levar o lixo para a rua) e assim por diante. Essas mesmas pessoas também são craques em presentear-nos com citações próprias copiadas de outros.

O que estou querendo dizer é o seguinte: as pessoas continuam, desde os tempos do mIRC, a criar uma personagem fictícia no meio virtual. Que seja um aspiração pessoal, um 'eu queria ser assim' ou mesmo um enganador contumaz, nunca nos livramos de irreais perfis, onde pode-se ler que fulano de tal é escritor, caminhoneiro, sushiman, fotógrafo, pinta paredes, roça quintais, joga bingo e, mais importante de tudo, é blogueiro.

É tão ruim assim a vida real para que seja transformada, maquiada em interessante no meio virtual? Não necessariamente. Muitos agem dessa maneira até como meio de proteção. Ou seja: o cidadão cria um perfil no mas famoso meio de troca de informações (sejam inúteis ou não) e quer ter a tal privacidade intocada. Vale a mesma observação que vi em um show de stad up outro dia, onde o humorista conta sobre o alpinista que sobre, sobe, sobe a montanha, chega no cume e desce, desce, desce a montanha, quando não morre no meio do caminho. Aí a pergunta é: "Subiu nessa merda de montanha para quê, porra!". Quer privacidade? Sai da internet, cáspita!

"Mas David, para que escrever isso que todo mundo sabe, sua besta?". Simplesmente porque não tenho nada para fazer agora. E queria dar pitacos, do tipo sejam reais, aproveitem a ignorância e usem-na como pretexto para aprender mais, sem medo. Não tirem de si o direito de ser criticado por algo imbecil que você escreveu, pois é melhor ser considerado imbecil por meio das próprias palavras que  ser um imbecil citando alguém há muito tempo morto e de quem ao menos 10% da população mundial conhece as frases de cor.

Sejam reais e acostumem-se a tomar tapas na cara da mesma maneira que na vida real, porque vou te falar uma coisa, gente que insiste em ficar dando repeteco nas burrices dos outros é de um tédio sem noção.





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