24 de jun de 2010

Venda - se direito!

Dia desses, vi um músico formado pela UFRGS em música e que toca violão desde os 8 anos de idade, falar assim: " É, eu tento ser músico. Arranho no violão alguma coisa." De imediato pensei que se essa criatura "arranha" algo no violão, o que sobra para os que realmente "arranham" algo no piano, violão, saxofone e bateria? Infelizmente não sobra nada! Se aquela criatura "arranha" quem realmente "arranha" está por baixo... Por baixo mesmo!
Mas depois do pensamento óbvio, fui para um outro lado. Como é que esse cara quer que eu compre o CD dele, se nem ele confia no próprio trabalho? Como é que ele quer parar nos programas mais assistidos de televisão, se ele mesmo diz nas entrelinhas o seguinte: "Olha, eu toco violão há 22 anos, me formei em música, mas infelizmente sou um péssimo músico. Vou esperar mais 20 anos para ficar bom e só aí você vai poder ter coragem de comprar meu trabalho, ok?"
Exagerei? Penso que não. As pessoas precisam aprender a vender melhor seu trabalho!
Os mais politicamente corretos e fãs das frases prontas vão dizer: " Todos estão sempre aprendendo." Concordo,  ninguém sabe tudo e isso é fato, porém algo se sabe bem. Continuar aprendendo sem se fazer amador por toda a vida é necessário. Guarde um pouco a humildade na caixa em baixo de sua cama. E isso que você pensa que é humildade, na verdade não é. Isso é não acreditar que você é capaz. Saia do corpo, olhe - se no espelho. Quem baixa o tom da humildade, não é visto como arrogante.
 Se você sabe algo -- e se sabe bem--, a ponto de virar um trabalho real, que gere lucro, tempo de sua vida e  você se dedica, tenta ser o melhor, sabe que é bom nunca solte um  " Eu arranho". Eu até já pensei que a pessoa que solta um "eu arranho" está querendo um maravilhoso elogio, mas não é o caso. Vejo pessoas envergonhadas mesmo tendo certeza do seu ótimo trabalho, falarem o tal"arranho".
Em contra partida existem os que não tem certeza do que estão falando e dizem: " Sou músico, toco muito!" Daí é aquela historinha que conhecemos: se a criatura é bonitinha e tem uma puta segurança pessoal, com presença de palco, alguma gravadora se interessará mesmo que a música seja péssima!
Isso não acontece só com músicos. Vejam os escritores que dizem que são quase escritores ou os artistas plásticos que adoram falar que estão "quase lá" quando até exposição já fizeram? É estranho, falta confiança, falta vender o trabalho.
"Quase alguma coisa" é algo vago. O "quase" não vende e se engana quem acha que artista não deve ganhar pelo seu trabalho e nem assinar sua obra. No mundo real, as pessoas sobrevivem de sua arte. Não diga que "arranha" quando você é um dos melhores. Venda-se direito.

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