Mostrando postagens com marcador literatura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador literatura. Mostrar todas as postagens

25 de nov. de 2014

Entre Prosa & Verso - Evento Cultural


Acontecerá amanhã, dia 27, uma nova rodada de bate-papo cultural do projeto Entre Prosa & Verso, desenvolvido pelo escritor e jornalista José Renato Ribeiro. Desta vez, o convidado é o ex-prefeito, geólogo, defensor das causas ambientais e escritor José Alberto Wenzel.

O intuito deste projeto é trocar ideias sobre os mais variados tópicos relativos à arte e cultura, Ou seja: não é o lance enfadonho de ouvir, ouvir e mais nada e sim, questionar e buscar um consenso sobre as possibilidades e potencialidades da região, dentro do(s) tema(s) apresentado(s) pelo convidado.

O encontro será no Mosaico Café & Arte (que se vocês não sabem, é "a casa" dos autores deste blog), na Rua Tenente Coronel Brito, 184, Centro, Santa Cruz do Sul (RS). Início marcado para as 20:00, encerrando provavelmente às 21:15.

Estão todos convidados!




24 de nov. de 2014

Literatura - "O Corpo Marcado De Giz", de Oscar Calixto



Lançado em agosto deste ano, "O Corpo Marcado de Giz" já coleciona críticas favoráveis pelo Brasil. E mais: essas críticas partem tanto da mídia quanto de outros escritores, o que já por si só é um ganho imenso.

Ponto Um: Oscar Calixto tem o dom da linguagem artística. Afinal é o que se pode chamar de multimídia, o que fatalmente acaba contribuindo para uma escrita elaborada, sem ser tortuosa (ou sendo, mas não a ponto de destruir as construções literárias);

Ponto Dois: Quem se propõe a escrever, nestes dias de penúria linguística, deveria ser premiado desde a concepção da obra...

Assista abaixo o book trailer de "O Corpo Marcado De Giz"






E mais outro book trailer: Segunda História do Romance (Gustavo Flávio)




Mais sobre o livro:

1ª ORELHA
O Corpo Marcado de Giz é fascinante. A obra propõe uma metalinguagem literária nunca vista antes na Literatura Brasileira. O leitor é convidado a participar da curiosidade de um médico nada convencional que vê seu amigo tornar-se um best-seller. Em ambas as estórias (a que é lida e a vivenciada pelo médico Gustavo Flávio), o leitor é arrebatado por um clima de suspense e mistério que culmina, quase sempre, em um clímax atrás do outro, provocando verdadeiro frisson exponencial na experimentação literária.

Como em quase toda obra de Oscar Calixto, o humor, o drama e os detalhes do humano se embaralham a todo instante, fazendo com que seus personagens tomem amplitudes de caráter universal.

Os enigmas e charadas apresentadas - quase sempre com resoluções prorrogadas - despertam no leitor mais perspicaz a necessidade de solucioná-los junto com Gustavo Flávio, o que nos proporciona uma espécie de interatividade também nunca vista antes na Literatura Brasileira. 

A julgar pelo senso humanístico, esta é uma obra merecedora de muitos prêmios. Em observância à mistura de fatos reais com a delicada, criativa, autêntica, emocionante e bem-humorada ficção do autor, diria que esta é uma obra de utilidade pública!

Ruy Britto

2ª ORELHA
Oscar Calixto nasceu em Maceió, em 1979. Viveu maior parte de sua infância e adolescência na cidade de Palmeira dos Índios -- Sertão Alagoano - Cidade onde já foi prefeito o escritor Graciliano Ramos. Filho de pais divorciados, começou a trabalhar muito cedo em prol de sustentar a família. Fez faculdade de Processamento de dados e Ciências Contábeis na Bahia. Infeliz o seguimento de atuação profissional, mudou-se para Juiz de Fora, onde iniciou-se na vida artística. Considerado hoje um artista múltiplo, conquistou alguns prêmios como ator e dramaturgo.

Em 2008 publicou o livro de contos "Sobre Homens e Abismos" que acabou lhe rendendo em 2011 uma cadeira na APALCA -- Academia Palmeirense de Letras, Ciências e Artes e o título de "Mais jovem membro de Academias de Letras do Brasil". Atualmente vive no Rio de Janeiro, onde segue atuante como ator, diretor, escritor e dramaturgo.

4º CAPA
TUDO NA VIDA É UM RECOMEÇO?
O Corpo Marcado de Giz faz exatamente esta pergunta ao compartilhar, com quem acompanha suas páginas, a vida de Gustavo Flávio.

Médico-plantonista e cirurgião, Gustavo é um exemplo categórico de alguém que ama a vida e a sua profissão. Entretanto, é também o retrato mais característico de que alguém que procura, sobretudo, a liberdade. Lutando contra a possibilidade de tornar-se um escravo da medicina, busca encontrar nos amigos, nas farras descabidas e na excêntrica vida de solteiro, algo que não lhe permita viver o silêncio da solidão. Menino de Infância pobre, Gustavo teve na vida um grande amigo - Everton Prestes - com quem perdeu o contato depois de formado. Anos depois, já médico, ele descobre que Everton se tornara um célebre escritor.

Vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, o amigo tinha então seu livro publicado em Português. Curioso para conferir as astúcias literárias de Everton, Gustavo procura a edição traduzida e embarca na louca aventura de Victor - um cidadão francês que, por um golpe do destino, acaba se tornando fugitivo Internacional. 

Uma aventura de amigos pelas ruas de bairros cariocas e um encontro amistoso com o leitor que, a priori, sentir-se-á um espectador incrivelmente participativo da estória.

O Corpo Marcado de Giz não deixa pó sobre pó em sua trajetória e é, sem dúvidas, uma peça fundamental na literatura e no excepcional trabalho de Oscar Calixto.
John W. Lewis
USA, 05 de novembro de 2008.

Acompanhe a obra de Oscar Calixto em seus endereços:

Facebook  |  Canal YouTube  |  Site  |  Blog  |  Shopping UOL

12 de nov. de 2014


Durante anos tanto Letícia quanto eu postamos aqui de tudo que vinha em nossa cabeça. Depois passamos a domínio próprio e em seguida, por razões que ninguém conhece, abandonamos a escrita em qualquer espaço que não fossem as redes sociais.

Mas muita coisa tem acontecido e resolvemos voltar a ativa, mas desta vez de uma maneira mais light-arte-cultural, que era na realidade de nossa proposta lááááá no começo dos tempos.

Espero que curtam as postagens e cooperem conosco em indicações e afins.

Um abraço!

David

15 de nov. de 2009

II Coletânea Scriptus - A Livre Escrita

<== Encomende seu exemplar da II Coletânea Scriptus - A Livre Escrita, direto com os autores. Visite a página da Coletânea no site, e saiba como entrar em contato com cada um. ==>

Um Degrau
Existe um ditado popular que diz que todo homem (e aqui deve - se considerar que o dito popular é mais antigo que a quebra de preconceitos e do politicamente correto, logo incluamos as mulheres no contexto) deve, para sentir - se completo, plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro.
Aqui, em mais esta coletânea editada pela Novitas, está a consumação dessa afirmação; alguns já contribuíram para a nossa literatura com livros próprios, porém temos entre os quinze autores que formam "marinheiros de primeira viagem" que resolveram e ousaram! - publicar seus textos em papel pela primeira vez. Se não publicaram ainda um livro solo, ao menos fazem - se agora presentes no grande painel das letras e ideias.
Nós da Editora Novitas consideramos que a coletânea é um degrau: para muitos, apenas o primeiro de uma longa e prolixa carreira como autor e por isso mesmo valorizamos tanto a todos que se aventuram em mostrar algo que certamente poderia até estar já coberto pela poeira do esquecimento, em uma gaveta qualquer. Para outros tantos, serve como laboratório de estilo e gênero literário.
Aos leitores que aqui chegaram, nosso respeito. Em um mundo de correria e de meias informações, aquele que se compromete a ler um livro é um aventureiro que com certeza descobrirá novos mundos - imaginários ou não - que os autores aqui presentes se dispõem a lhes mostrar.
A nossos novos amigos, os Autores: nunca desistam. A magia da escrita é um dom que não deve ser nunca esquecido ou protelado. Sigam em frente e ajudem, com suas palavras, a formar as próximas gerações.
David Nóbrega, Editora Novitas

Nada é mais livre do que escrever.
Escrevendo, conseguimos dar a conhecer histórias - nossas ou de outros - não importando de onde sejam.
Criamos situações, maquiamos personagens.
Assumimos a primeira pessoas, escrevemos como se fosse verdade...
Somos quem não somos e por vezes mostramos quem não gostaríamos de ser.
Morremos, vivemos e amamos em linhas corridas pelas páginas de livros que nos tornam livres, pois escrever ; é liberar pensamentos, exorcizar todos os medos, desintoxicar a alma. E nessa miscelânia de sentimentos provocar as emoções de outros, nossos leitores.
Aqui estão quinze pessoas - Adriana, Bruno, Carlos Eduardo, Carlos Emerson, Cezarina, Cristiano, Flamarion, Gilmar, Isiara, Madalena, Marco, Nanda, Natália, Ninah e Wemerson - que poderiam facilmente serem chamados de joões, marias e afins, pois são escritores. E escritores tem algumas almas a mais, cada um com seu nome próprio, para contar histórias - deles ou de outros.
Letícia Losekann Coelho
Editora e Poeta




17 de jun. de 2009

A culpa é dela! - Um conto

Se ela soubesse como fica insuportável quando está na tensão pré- menstrual, meu mundo melhoraria com certeza. Mas é difícil a pessoa se dar conta do que se passa com ela, de quando é culpada das outras pessoas se afastarem ou do mundo ser tão “injusto”... É muito mais fácil dizer que todos estão errados do que se centrar e ver que os “errados” estão certos, e a única errada é uma: ela.

E eu com isso que ela incha durante a TPM? Acho ela sempre igual, linda por sinal, mas as vezes rezo para os anos chegarem, e ela entrar logo na menopausa para nunca mais ficar menstruada. Fica intragável a desgramada, dá até vontade de chacoalhar para se dar conta que eu sou o mesmo, quem muda é ela.

Ainda não entendi, como é que ela não se deu conta que tudo é culpa da maldita TPM, todo o dia 20 de cada mês ela me olha e pergunta se está tudo bem, eu digo sim, mas ela insiste que não está... Na verdade não está, mas com ela entende? Por que comigo está tudo bem com certeza!

Depois vem a fase de achar problema em tudo, cara isso é um inferno! E vem de novo aquela vontade de chacoalhar ela sabe? Perguntar se ela não nota que é ela o problema, os hormônios, mas não é comigo. Quando chega a fase do choro eu odeio, juro que dá vontade de sair correndo! Meu, ela chora por tudo, ela inverte as situações, repito... Intragável. Se não concordo ela faz greve de sexo, essa é a pior parte, por que bem que poderia aproveitar para ao menos transar antes de ficar menstruada, mas não... prefere brigar e fazer greve, realmente não entendo isso.

Essa mulher não é de lua, ela é de calendário mesmo, como não se deu conta ainda? É só menstruar que tudo muda, automaticamente ela sorri... Aquele primeiro sorriso me dá vontade de esmurrar sabe? Nossa, a mulher passa dias me azucrinando e depois que sangra, sorri? Fico louco com isso, mas tudo bem eu a amo, apesar de ter vontade de colocar uma coleira nela nos dias de tensão pré-menstrual... Porque se deixar, ela morde!

E tudo vira uma tempestade gigante entende? Qualquer probleminha vira um grande problema que nunca vai se resolver, as coisas todas ficam mais intensas quando ela está de TPM, as respostas sempre vem acompanhadas de um curto “porque”, como se eu estivesse questionando ou reclamando sempre. Por exemplo, se pergunto: Amorzinho vamos comer o que hoje? Ela responde curta e grossa: Carne assada, por quê? Odeio isso, não posso perguntar o que vamos comer? Realmente é desesperador!

Se reclamo que ela está chata, eu sou insensível e estúpido, prefiro ficar mudo então, até a bendita descer!

- Acabou o horário de hoje Francisco, na próxima quinta – feira poderemos falar um pouco de você, pode ser?
* Conto publicado originalmente no finado Canto do conto - autoria de Letícia Coelho
*******************
Eu e David vamos "revisitar" alguns contos e poesias que já foram vistos ou publicados em livros por nós e as postagens tem início com esse conto que escrevi ano passado.
É para distrair enquanto preparamos nossos próximos livros :)

********************

Sobre o site da Editora:
"Notas servidor sv18.hmnoc.net
Domínios afetados: editoranovitas.com.br
Este servidor apresentou problemas e no momento está em tratamento. Atualizaremos esta nota com mais detalhes assim que findarem nossas investigações de causa.
Última atualização: Igor Bispo, quarta 17/06/2009 10:24"


Enquanto o problema não for solucionado acessem o blog da editora.

UPDATE:


Notas servidor sv18.hmnoc.net
Domínios afetados: editoranovitas.com.br
Servidor indisponível no momento. Devido a motivos ainda não totalmente esclarecidos diversos serviços deste servidor estão indisponíveis. Nossa equipe está trabalhando an solução e a previsão inicial é de retorno as 12hs.

Flávio Pedro

11:28h - Atualização

Infelizmente este servidor necessita de um procedimento de correção que chamamos de Reload. O tempo para reload pode chegar a 8 horas, iniciamos agora tais procedimentos.
Última atualização: Igor Bispo, quarta 17/06/2009 11:29


UPDATE 2:

Notas servidor sv18.hmnoc.net
Domínios afetados: editoranovitas.com.br
Este servidor apresentou problemas diversos que obrigaram que uma reinstalação do sistema operacional base fosse efetuada, em caráter emergencial. Inicialmente foi prometida pela equipe de engenharia a finalização da tarefa para as 18h. Infelizmente este prazo não pode ser atendida devido à questões de logística e dada à complexidade da questão. No momento estamos estendendo este prazo para as 0h expansível até as 8h caso seja realmente necessário.

Estamos trabalhando com afinco para restabelecer os serviços deste servidor de forma total, sem a necessidade de nenhuma tarefa por parte de nossos clientes, todos os dados estão íntegros e nós certamente estamos reunindo recursos para que os prazos sejam atendidos e que a disponibilidade seja recuperada no menor espaço de tempo possível.

Reafirmando o prazo de restabelecimento dos serviços: 0h expansível até as 8h caso seja realmente necessário.

Lamentamos o ocorrido.

Rafael Barbosa, Especialista em infra-estrutura
Departamento de Engenharia Hosting Machine
Última atualização: Rafael Barbosa, quinta 18/06/2009 02:24


UPDATE 3:

Quinta-feira, 07:42hs, Atualização

As atualizações são as seguintes: Existem cerca de 500Gb de arquivos referentes a sites de clientes e arquivos de e-mail. Estes arquivos estão sendo movidos de um disco antigo ao disco novo, a tarefa esta sendo bem lenta porque são milhares de arquivos pequenos e não apenas volumes únicos. Cerca de 80% foi movido e o windows ainda move o restante, bem lentamente acreditamos que isso também se deva a possíveis problemas no antigo disco que talvez tenha causado o problema original.

O novo prazo de restabelecimento dos serviços: 12h

Igor Bispo - Arquiteto de Soluções, Hosting Machine.
Última atualização: Igor Bispo, quinta 18/06/2009 07:46

5 de mai. de 2009

Convite

E-mail recebido hoje:


Prezado Amigo:


O Memorial Câmara Cascudo, em comemoração à SEMANA DOS MUSEUS 2009: MUSEUS E TURISMO, apresenta a exposição LER/SONHAR: Signos da busca da brasilidade nas dedicatórias de Mário de Andrade a Câmara Cascudo.
A amizade entre os dois intelectuais brasileiros rendeu uma vasta produção de conhecimento sobre a cultura e a literatura brasileira. A correspondência entre eles estendeu-se de 1924 a 1944 e durante este período foram trocadas várias obras entre os dois.
Para resgatar esta história, o Memorial apresenta a exposição LER/SONHAR, composta por 08 (oito) painéis, além de objetos inéditos do público, como o ganzá presenteado pelo coquista potiguar Chico Antônio a Câmara Cascudo, por ocasião de sua visita com Mário de Andrade ao Engenho Bom Jardim (Goianinha/RN) em janeiro de 1929.

É uma oportunidade de conhecer um pouco mais da história, da literatura e da cultura brasileira.

LOCAL:  Memorial Câmara Cascudo
                Praça André de Albuquerque, 30, Centro, Natal-RN

PERÍODO: 05 a 31 de maio de 2009.

HORÁRIO: 8 às 17h, de  3ª. a Domingo.


Um grande abraço

Daliana Cascudo

Para quem estiver por Natal, RN, compareça. Como já disse aqui antes, é o melhor (senão único) local para se visitar por lá.

(* foto  do Memorial é do papai aqui mesmo)


IEditora Novitas

Visite o Site e o Blog da Editora Novitas!

17 de dez. de 2008

Dicas de presente de Natal




Para você meu amigo, você minha amiga e aos cunhados em geral, deixamos aqui humildes dicas de presentes para este final de ano:






Livro: Uns & Outros

Autor(a): David Nóbrega
Editora: VirtualBooks, 2008
ISBN: 978-85-60864-23-2
Categoria: Contos
Nº de páginas: 98
Preço: R$ 16,00 + despesas de envio




O LADO DURO DA VIDA Gerana
Damulakis
*


Conheci a prosa de David nos blogs, acho que no Canto dos contos.
Minha atenção se prendeu no conto “Suicida”, extremamente original, uma idéia de
primeira. Pedi autorização e postei o conto no meu blog. Mostrei para Aramis
Ribeiro Costa, ficcionista experimentado, que também gostou muitíssimo. Daí para
frente, venho seguindo sua produção e posso dizer que já tenho formada minha
impressão — sim, é uma crítica impressionista — a respeito da ficção de David
Nobrega. Seu ritmo é um predicado importante: geralmente veloz, o texto avança
rumo ao resultado sem concessões outras, porque importa mesmo é contar a
história. O que o autor colhe disto é a certeza de que seu leitor não deixará a
narrativa até que ela tenha sido concluída. E se conclui: o conto de David tem
começo, meio e fim, tem compromisso com o enredo e seu desfecho. Outra certeza
seria a satisfação da curiosidade, já que nada fica em suspenso; melhor dizendo,
o nó ficcional é moldado, toma a forma no clímax e se desfaz ainda no texto. O
que o autor conta ao longo das suas vinte e tantas histórias curtas do volume
está de mãos dadas com o lado mais duro da vida. A sensação é a de que nada se
lhe escapa, seja a doença, seja a solidão física e/ou anímica, seja a miséria. O
episódio detonador da narração está em plena concordância com a tragédia, não
começa com tudo perfeito ao redor e, de repente, surge o acaso destruindo a
calmaria. Não. Na contística de David entra-se de chofre na “tragicidade” —
palavra cara a Adonias Filho — com seus personagens e suas situações adversas.
Ao fim e ao cabo, estamos lendo atualmente a própria realidade monstruosa que
nos cerca, que nos atinge, que vivenciamos: violência, falta de relacionamentos
estáveis, solidão, doença. A literatura não está distante da vida mesma, está
reproduzindo-a porque, estupefata, se alinhou completamente com os dissabores,
com o lado duro da inexorável condição humana. Entre estes contos, destaco ainda
“Casual” e “Cruzamento”, Em “Casual”, que plasma justamente a superficialidade
dos relacionamentos, encontro um ponto muito alto da coletânea. Em “Cruzamento”,
confirmo a observação aguçada, na verdade, emblemática do contista. Destaco-os
como contos antológicos, assim como “Suicida”. O que vale dizer que a reunião
dos contos foi muito bem lograda, haja vista a existência de tantos exemplos
antológicos em um volume — em grego, antológico é inesquecível. Em suma, o que
temos são histórias que contam, e contam com estilo firme, com a mão de quem
sabe conduzir sua narrativa do começo ao fim sem tropeços e, ainda, que gera um
envolvimento total durante a leitura: não é pouco, portanto, o que aguarda os
leitores. Salvador, 4 de novembro de 2008



* Crítica Literária - Jornal Tribuna da Bahia



* * *



Livro: Ensaios Amadores…ou não!


Autor(a): Letícia Losekann Coelho
Editora: Scortecci, 2008
ISBN: 978-85-366-1242-3
Categoria: Poesia
Nº de páginas: 101
Preço: R$ 20,00 + despesas de envio

Eu sou suspeito para escrever sobre este livro, uma vez que a autora partilha a
vida comigo. Mas tento:
Ensaios Amadores…ou não! lança questionamentos desde
o título. Um livro de poesias onde a marca maior é a força da palavra. Por mais
simples que seja um simples verso, detém o poder tanto para inaltecer quanto
destruir o assunto a que se refira. Se em Doença temos o embate sentimental a la
Augusto dos Anjos, em Sinestesia… o amor em flor. Contrastes e questionamentos
tantos que podem ser verificados pelo leitor a cada nova e deliciosa página
virada.

Viram? Vocês nos mandam uma mensagem desejando Feliz Natal, nós mandamos a conta para depósito e os livros. Bom para você, bom para nós.
Enquanto isso, nós vai tucando u lujinha....



4 de nov. de 2008

Que período literário vivemos hoje?

Recebemos, por esses dias, a edição impressa do Jornal Vaia em casa. O Jornal é ótimo e recomendo a leitura, nem que seja na internet ( eu ainda prefiro o papel), porém para quem gosta de ler na "tela", vale a pena. Um dos textos que mais me chamou a atenção foi Quem paga por isso de Ademir Assunção, poeta e jornalista... Autor de diversos livros e letrista de música.
Um dos pontos do texto de Ademir, é que olhando as mega estruturas montadas nas feiras do livro, se tem a impressão que o escritor ou poeta vive em um eterno "glamour"... O que não é verdade, escrever é um trabalho também, e para isso é necessário estudo, leitura, e tudo mais que todos nós sabemos.
Uma afirmação importante que existe no texto dele... Noventa por cento do que é vendido ou que movimenta a Bienal do livro, é lixo(...) Concordo e digo mais, além das pessoas estarem acostumadas a ler livros imbecis, como bem diz Ademir, setenta por cento mais ou menos dessas mesmas pessoas não costumam ler o livro inteiro. Quando digo isso, é por ver pessoas que acreditam que " fazem uma leitura dinâmica", quando na verdade estão só passando os olhos nos livros e não entendem o que estão lendo... Isso quando as páginas consideradas " chatas" não são puladas ,acredito que com a mesma culpa de quem " cola" as respostas de uma palavra cruzada.
Existe uma centena de livros enganadores que são os mais vendidos, que ensinam como enriquecer, como se tornar um milionário, e os de auto - ajuda. Lixo editorial, que vende... e como vende! Conheço inúmeras pessoas que escrevem e poetam como ninguém... Mas não publicam seus escritos, alguém já parou para pensar o "real"porque disso? É simples, quem escreve livro de poesia, contos e vários outros assuntos interessantes... é explorado pela editora ou paga para publicar seu livro! Ademir mesmo fala em seu texto, que as editoras sempre dizem: Poesia não vende. Mas pq não vende? Pq eles estão acostumados a publicar lixo e vender!
Alguém consegue definir o período literário que vivemos? Na minha opinião, vivemos um período em que se tem uma enorme criação literária de todos os tipos... editoras, gráficas e livrarias enriquecem. Vários escritores não fazem a leitura de nada que não seja seu, muitas pessoas não entendem o que estão lendo... E vai adiante!
Quando estudei literatura no colégio, sempre me foi apresentado o contexto histórico do Brasil, que refletia de alguma maneira no período literário... Creio que para definir período literário atual, precisamos definir o contexto histórico que vivemos no País... Resumindo: Vivemos em uma grande esculhambação nacional! Somos roubados, lesados, a justiça é lenta - fraca - burocrática... E a sociedade civil e organizada é refém do clima "nada vai mudar" e por isso nada muda, será que não é óbvio? Todo mundo pode tudo, e são poucos os deveres... Por isso chegamos nesse ponto que chegamos. Temos uma sociedade que não recebe cultura de verdade, a maioria dos programas nacionais são uma bosta, pagamos "fortunas" para assistir peças de teatros que deveriam ser baratas, e as que são baratas as vezes com muito mais valor cultural não são assistidas, pq o ator global "tal" não faz parte do elenco. Cadê o incentivo cultural dos governos para facilitar o acesso a cultura no País? Não estão nas pequenas companhias... isso é lógico.
Enfim, acho que nosso presente literário é conturbado... Mas gostaria de ler algo que seja contraditório ou mesmo a opinião das pessoas sobre esse assunto.

Tentei dar um fechamento, para a série de postagens que fiz sobre os períodos literários do Brasil, e depois que recebi o Jornal Vaia em casa, achei que o texto do Ademir fechou muito com o que penso.
Abraços

Neo - Realismo

Os escritores retomam a crítica social e as denúncias aos grandes problemas do Brasil. Os assuntos urbanos, místicos e religiosos também aparecem com forte apelo.
Os principais poetas da época (entre outros escritores ) são:

Cecília Meireles:

"Gargalhada

Homem vulgar! Homem de coração mesquinho!
Eu te quero ensinar a arte sublime de rir.
Dobra essa orelha grosseira, e escuta
o ritmo e o som da minha gargalhada:


Ah! Ah! Ah! Ah!
Ah! Ah! Ah! Ah!


Não vês?
É preciso jogar por escadas de mármores baixelas de ouro.
Rebentar colares, partir espelhos, quebrar cristais,
vergar a lâmina das espadas e despedaçar estátuas,
destruir as lâmpadas, abater cúpulas,
e atirar para longe os pandeiros e as liras...


O riso magnífico é um trecho dessa música desvairada.


Mas é preciso ter baixelas de ouro,
compreendes?
— e colares, e espelhos, e espadas e estátuas.
E as lâmpadas, Deus do céu!
E os pandeiros ágeis e as liras sonoras e trêmulas...


Escuta bem:


Ah! Ah! Ah! Ah!
Ah! Ah! Ah! Ah!


Só de três lugares nasceu até hoje essa música heróica:
do céu que venta,
do mar que dança,
e de mim."

Carlos Drummond de Andrade:

"Poema da purificação


Depois de tantos combates
o anjo bom matou o anjo mau
e jogou seu corpo no rio.


As água ficaram tintas
de um sangue que não descorava
e os peixes todos morreram.


Mas uma luz que ninguém soube
dizer de onde tinha vindo
apareceu para clarear o mundo,
e outro anjo pensou a ferida
do anjo batalhador."


Vinícius de Moraes:

"Soneto da intimidade


Nas tardes de fazenda há muito azul demais.
Eu saio as vezes, sigo pelo pasto, agora
Mastigando um capim, o peito nu de fora
No pijama irreal de há três anos atrás.


Desço o rio no vau dos pequenos canais
Para ir beber na fonte a água fria e sonora
E se encontro no mato o rubro de uma amora
Vou cuspindo-lhe o sangue em torno dos currais.


Fico ali respirando o cheiro bom do estrume
Entre as vacas e os bois que me olham sem ciúme
E quando por acaso uma mijada ferve


Seguida de um olhar não sem malícia e verve
Nós todos, animais, sem comoção nenhuma
Mijamos em comum numa festa de espuma. "

3 de nov. de 2008

Modernismo

O modernismo tem seu início com a semana da arte moderna. A semana da arte moderna nada mais foi que um evento que não foi bem aceito na época. Pode - se dizer que todo movimento artístico quando "quebra" paradigmas não é aceito... Mas já na sua abertura quando Manuel Bandeira recitou o poema "Sapos", as pessoas que o assistiam o vaiaram.
A semana da arte moderna, foi uma explosão de idéias que aboliam por completo a perfeição e a estética na poesia tão apreciada nos outros movimentos. Os artistas modernistas promoveram uma ruptura com a estética européia, buscando assim a identidade Nacional. Não foi só na poesia que o modernismo se mostrou , mas em todas as outras formas de arte.

Alguns escritores da época:

Guilherme de Almeida:

"Flor do Asfalto

Flor do asfalto, encantada flor de seda,
sugestão de um crepúsculo de outono,
de uma folha que cai, tonta de sono,
riscando a solidão de uma alameda...

Trazes nos olhos a melancolia
das longas perspectivas paralelas,
das avenidas outonais, daquelas
ruas cheias de folhas amarelas
sob um silêncio de tapeçaria...

Em tua voz nervosa tumultua
essa voz de folhagens desbotadas,
quando choram ao longo das calçadas,
simétricas, iguais e abandonadas,
as árvores tristíssimas da rua!

Flor da cidade, em teu perfume existe
Qualquer coisa que lembra folhas mortas,
sombras de pôr de sol, árvores tortas,
pela rua calada em que recortas
tua silhueta extravagante e triste...

Flor de volúpia, flor de mocidade,
teu vulto, penetrante como um gume,
passa e, passando, como que resume
no olhar, na voz, no gesto e no perfume,
a vida singular desta cidade!"


Oswald de Andrade:

"Erro de português


Quando o português chegou
Debaixo de uma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português."


Manuel Bandeira:

"Os sapos


Enfunando os papos,
Saem da penumbra,
Aos pulos, os sapos.
A luz os deslumbra.


Em ronco que aterra,
Berra o sapo-boi:
— "Meu pai foi à guerra!"
— "Não foi!" — "Foi!" — "Não foi!".


O sapo-tanoeiro,
Parnasiano aguado,
Diz: — "Meu cancioneiro
É bem martelado.


Vede como primo
Em comer os hiatos!
Que arte! E nunca rimo
Os termos cognatos!


O meu verso é bom
Frumento sem joio
Faço rimas com
Consoantes de apoio.


Vai por cinqüenta anos
Que lhes dei a norma:
Reduzi sem danos
A formas a forma.


Clame a saparia
Em críticas céticas:
Não há mais poesia,
Mas há artes poéticas . . ."


Urra o sapo-boi:
— "Meu pai foi rei" — "Foi!"
— "Não foi!" — "Foi!" — "Não foi!"


Brada em um assomo
O sapo-tanoeiro:
— "A grande arte é como
Lavor de joalheiro.


Ou bem de estatuário.
Tudo quanto é belo,
Tudo quanto é vário,
Canta no martelo."


Outros, sapos-pipas
(Um mal em si cabe),
Falam pelas tripas:
— "Sei!" — "Não sabe!" — "Sabe!".


Longe dessa grita,
Lá onde mais densa
A noite infinita
Verte a sombra imensa;


Lá, fugindo ao mundo,
Sem glória, sem fé,
No perau profundo
E solitário, é


Que soluças tu,
Transido de frio,
Sapo-cururu
Da beira do rio"


Mario de Andrade:

"Moça linda bem tratada


Moça linda bem tratada,
Três séculos de família,
Burra como uma porta:
Um amor.


Grã-fino do despudor,
Esporte, ignorância e sexo,
Burro como uma porta:
Um coió.


Mulher gordaça, filó,
De ouro por todos os poros
Burra como uma porta:
Paciência...


Plutocrata sem consciência,
Nada porta, terremoto
Que a porta de pobre arromba:
Uma bomba."


Cassiano Ricardo:

"O acusado


Quando eu nasci, já as lágrimas que eu havia
De chorar, me vinham de outros olhos.


Já o sangue que caminha em minhas veias pro futuro
Era um rio.


Quando eu nasci já as estrelas estavam em seus lugares
Definitivamente
Sem que eu lhes pudesse, ao menos, pedir que influíssem
Desta ou daquela forma, em meu destino.


Eu era o irmão de tudo: ainda agora sinto a nostalgia
Do azul severo, dramático e unânime.
Sal — parentesco da água do oceano com a dos meus olhos,
Na explicação da minha origem.


Quando eu nasci, já havia o signo do zodíaco.


Só, o meu rosto, este meu frágil rosto é que não
Quando eu nasci.


Este rosto que é meti, mas não por causa dos retratos
Ou dos espelhos.


Este rosto que é meu, porque é nele
Que o destino me dói como uma bofetada.
Porque nele estou nu, originalmente.
Porque tudo o que faço se parece comigo.
Porque é com ele que entro no espetáculo.
Porque os pássaros fogem de mim, se o descubro
Ou vêm pousar em mim quando eu o escondo."


Alcântara Machado:

"MANA MARIA

1

- Vá perguntar pra mana Maria.

Era assim desde que a mãe morrera. Era assim a propósito de tudo. Mana Maria é que resolvia, mandava, punha e dispunha, fazia, desfazia. E Ana Teresa obedecia.

Quando Dona Purezinha morreu, deixou Ana Teresa com dez anos. Tinha duas tranças compridas e com uma delas quis enxugar as lágrimas diante do cadáver da mãe. E foi ai que sentiu pela primeira vez a nova autoridade. Mana Maria deu um puxão na trança e lhe pôs um lenço na mão:

- Enxugue com o lenço.

Lenço seco.

De fato a coragem de mana Maria foi uma coisa que admirou toda a gente. Não derramou uma lágrima. Não teve um gesto, uma expressão de sofrimento. Ninguém esperava tanta fortaleza de ânimo num corpo tão franzino.

Dona Purezinha agonizou seis meses com um cancro no piloro. Era gorda, foi ficando magrinha. Também era boa, paciente, e foi ficando má, impertinente. Parecia que tudo nela morria, menos os olhos que enxergavam uma sombra de poeira na cômoda e os ouvidos que percebiam lá longe, na cozinha, o bater de um prato na pia.

Em torno dela foi se fazendo um silêncio que já era de túmulo. Primeiro se suprimiu o piano de Ana Teresa. Para ela foi uma alegria. Mesmo a aula de Português, Aritmética, Geografia, História do Brasil, Religião, Desenho e Caligrafia, tudo ensinado por Dona Mercedes, passou para o porão.

No porão vivia. Subia para almoçar, lanchar. jantar, dormir. Fora disso, mal punha os pés na escada que conduzia â copa, uma criada, a irmã, o pai, alguém falava:

- Não venha que mamãe está doente.

Era o estribilho. Pegava no voador, rodava dez metros no cimento do jardim, uma janela se abria:

- Não faça barulho! Mamãe está doente!

Na mesa, não queria sopa ou queria pão com manteiga e açúcar:

- Seja boazinha. Olhe que mamãe está doente.

Aos poucos se habituou. Ficava no quarto grande do porão horas e horas vendo a arrumadeira passar roupa. Também ia visitar o galinho garnisé. Corria atrás dele, ele não se deixava pegar, ela dizia:

- Não faça barulho que mamãe está doente.

Até que chegou também o dia do garnisé. O canto dele incomodava Dona Purezinha. Foi para a faca. E Ana Teresa nem direito de chorar teve porque mamãe estava doente.

Já era sossegada de natureza, ficou uma santinha na opinião da cozinheira. Parecia gente grande. Amorteceram com algodão a campainha da entrada, a campainha do telefone. Todos se entendiam por gestos. Joaquim Pereira pensou até em imitar o vizinho senador que quando a mulher esteve para morrer arranjou uns grilos que não deixavam os choferes tocarem cláxon nas imediações. Mas desprovido de qualquer influência política desistiu da idéia. Ana Teresa passou a fazer parte do silêncio: se perturbava quando falavam perto dela. Quase no ouvido da professora segredava as capitais dos Estados do Brasil. E ficou com o hábito de responder movendo a cabeça, sacudindo os ombros, movendo as mãos. A boniteza dela não entristeceu: ficou indiferente, perdeu a vivacidade, ficou distante.

Uma madrugada mana Maria acordou Ana Teresa. Como estava, de camisola e descalça, foi levada até o quarto de Dona Purezinha. O pai a ergueu nos braços, molhou de lágrimas o rosto dela, abraçou forte, beijou muito a filha. Depois falou:

- Venha beijar sua mãezinha que foi pro céu. No quarto estavam um padre, o médico, a enfermeira, tio Laerte e a mulher dele, tia Carlota. Ana Teresa sacudida pelo choro agarrou na mão da morta, deu um beijo. Porém silencioso. Alguém falou: - "Pobrezinha". Com certeza tia Carlota que a tirou do quarto. Ana Teresa viu no fundo do corredor uma vela acesa nas mãos de mana Maria. Teve medo, dobrou o braço no rosto. Voltou carregada pro seu quarto. Ainda ouviu mana Maria falar:

- É bom que tio Laerte vá encomendar o caixão.

Na hora do enterro é que mana Maria não a deixou enxugar os olhos com a trança. Foi o primeiro gesto de mando. E por isso Ana Teresa nunca mais esqueceu dele. Era um quadro que ela via sempre. Sobretudo de noite, no escuro, de olhos fechados, na cama: a sala repleta, o caixão muito alto e florido, a cara barbuda do pai, o jeito duro com que mana Maria lhe puxou a trança, lhe deu o lenço. Lenço seco.

E três dias depois, logo de manhã cedo, Ana Teresa teve a revelação física de mana Maria. Até então nunca reparara direito na irmã. Quer dizer: reparara sim, mas sem compreender. Nessa manhã ela principiou a compreender. Pela primeira vez a viu de óculos. E isso já foi uma surpresa. Nunca suspeitara da existência daqueles óculos de aros de tartaruga. Nunca, nunca mana Maria pusera os óculos na presença dela. Pois mana Maria a recebeu assim, de óculos. Estava com a costureira e mandara chamar Ana Teresa para tomar as medidas. Ana Teresa ficou em pé, no meio do quarto, imóvel, com os olhos nos óculos. A arrumadeira entrou, Ana Teresa olhou para ela e viu também nos olhos dela a mesma surpresa dos óculos. Nunca, nunca mana Maria aparecera de óculos para ninguém. Ana Teresa se deixou dominar por aqueles vidros redondos, aqueles aros de tartaruga manchada. Sentiu a autoridade daqueles óculos.

Aumentou nela o respeito que já tinha pela irmã mais velha e que a levava instintivamente a chamá-la mana Maria. Não Maria simplesmente. A irmã, quinze anos mais velha, impôs-se desde logo ao respeito de Ana Teresa. E esse respeito se exprimiu como de regra por um título: mana Maria valia por Doutora Maria, Excelentíssima Senhora Baronesa Maria, Sua Majestade a Rainha Maria. Sempre a chamou assim.

Ana Teresa olhava os óculos. Depois disfarçou, olhou as mãos. Mãos magras, unhas bem tratadas, mãos esquisitas. Magras demais. Depois bruscas. Faziam tudo depressa. Ajeitavam o cabelo com um repelão. Ana Teresa olhou os cabelos. Eram ondeados. Eram pretos. Pretos demais. E não eram cortados. Todas as moças usavam os cabelos cortados. Todas. Mana Maria não usava. Mana Maria enrolava os cabelos na nuca. E o penteado quase cobria as orelhas. Só se viam os lóbulos.

As sobrancelhas eram grossas. Grossas demais. E o nariz também era ossudo demais. E os dentes? Os dentes não se viam. Mana Maria falava sem mostrar os dentes. Ana Teresa não achava mana Maria bonita.

Mas aqueles óculos, passada a surpresa, eram bonitos. Iam bem para mana Maria. Ana Teresa não sabia direito o que era mas já agora lhe parecia que mana Maria sempre usara aqueles óculos. E ficava melhor assim. Ficava completa.

Mana Maria olhou num papelzinho, falou pra costureira:

- O uniforme pra sair tem gola branca.

Uniforme? Ana Teresa não compreendeu. Nem mana Maria lhe explicou nada. Só dias depois é que o pai com ela no colo contou tudo:

- É muito bom. É o melhor colégio de São Paulo. As internas são tratadas como filhas.

Falou outras coisas, reparou nas lágrimas da filha, enxugou, parecia triste. E disse:

- Eu por mim não punha você interna. Mas sua irmã quer. Ela é que é a mãezinha de meu bem agora. Precisa fazer como ela quer, obedecer em tudo, ser bem boazinha pra ela. Como pra mamãe antes de ir pro céu. Igualzinho.

Foi para o colégio. Mana Maria a deixou entre a madre superiora e a madre prefeita no dia seguinte ao da missa de sétimo dia. Passaram antes pelo cemitério. Colocaram umas flores entre as coroas murchas do enterro, rezaram, tocaram para o colégio. Mana Maria corajosa como sempre. Conversou com a superiora, pagou o primeiro semestre adiantado, virou-se pra irmã:

- Então até domingo.

Ana Teresa com os olhos chorosos deixou-se beijar na testa, beijou mana Maria no rosto, abraçaram-se. Mana Maria se desprendeu com uma recomendação:

- Tenha juízo.

No domingo voltou com o pai. Ana Teresa recebeu-os com uma reverência: " (CONTINUA)

2 de nov. de 2008

Pré - Modernismo

É um período, marcado para a transição do modernismo, que só vai se efetivar com a semana da arte moderna. Na verdade, não existe um grupo de autores afinados seguindo as mesmas características, e sim uma grande e vasta produção literária. O individualismo de alguns autores era claro como é o caso de Euclides da Cunha e Lima Barreto.
Existem muitos escritores que surgem com um estilo inovador, como é o caso de Augusto dos Anjos. Lima Barreto por sua vez, ironiza os ditos "escritores importantes" e existe um forte apelo ao Regionalismo.

Alguns escritores da época:

Monteiro Lobato:

"Cidades Mortas

A quem em nossa terra percorre tais e tais zonas, vivas outróra, hoje mortas, ou em via disso, tolhidas de insanavel caqueixa, uma verdade, que é um desconsolo, ressurte de tantas ruinas: nosso progresso é nomade e sujeito a paralisias subitas. Radica-se mal. Conjugado a um grupo de fatores sempre os mesmos, reflue com eles duma região para outra. Não emite peão. Progresso de cigano, vive acampado. Emigra, deixando atrás de si um rastilho de taperas.

A uberdade nativa do solo é o fator que o condiciona. Mal a uberdade se esvai, pela reiterada sucção de uma seiva não recomposta, como no velho mundo, pelo adubo, o desenvolvimento da zona esmorece, foge dela o capital – e com ele os homens fortes, aptos para o trabalho. E lentamente cai a tapera nas almas e nas coisas.

Em S. Paulo temos perfeito exemplo disso na depressão profunda que entorpece boa parte do chamado Norte.

Ali tudo foi, nada é. Não se conjugam verbos no presente. Tudo é pretérito.

Umas tantas cidades moribundas arrastam um viver decrepito, gasto em chorar na mesquinhez de hoje as saudosas grandezas de dantes.

Pelas ruas ermas, onde o transeunte é raro, não matracoleja sequer uma carroça; de ha muito, em materia de rodas se voltou aos rodizios desse rechinante simbolo do viver colonial – o carro de boi. Erguem-se por ali soberbos casarões apalaçados, de dois e três andares, solidos como fortalezas, tudo pedra, cal e cabiuna; casarões que lembram ossaturas de megateiros donde as carnes, o sangue, a vida, para sempre refugiram.

Vivem dentro, mesquinhamente, vergonteas mortiças de familias fidalgas, de boa prosapia entroncada na nobiliarquia lusitana. Pelos salões vazios, cujos frisos dourados se recobrem de patina dos anos e cujo estuque, lagarteado de fendas, esboroa à força de goteiras, paira o bafio da morte. Ha sobre os aparadores Luis XV bronzeos candelabros de dezoito velas, esverdecidos de azinhavre. Mas nem se acendem as velas, nem se guardam os nomes dos enquadrados – e por tudo se agruma o bolor rancido da velhice.

São os palacios mortos da cidade morta.

Avultam em numero, nas ruas centrais, casas sem janelas, só portas, tres e quatro: antigos armazens hoje fechados, porque o comércio desertou também. Em certa praça vazia, vestígios vagos de “monumento” de vulto: o antigo teatro – um teatro onde já ressoou a voz da Rosina Stolze, da Candiani..." (CONTINUA)



Euclides da Cunha:

"Os Sertões

Capítulo I

Preliminares. A entrada do sertão. Terra ignota. Em caminho para Monte Santo. Primeiras impressões. Um sonho de geólogo.

O Planalto Central do Brasil desce, nos litorais do Sul, em escarpas inteiriças, altas e abruptas. Assoberba os mares; e desata-se em chapadões nivelados pelos visos das cordilheiras marítimas, distendidas do Rio Grande a Minas. Mas ao derivar para as terras setentrionais diminui gradualmente de altitude, ao mesmo tempo que descamba para a costa oriental em andares, ou repetidos socalcos, que o despem da primitiva grandeza afastando-o consideravelmente para o interior.

De sorte que quem o contorna, seguindo para o norte, observa notáveis mudanças de relevos: a principio o traço contínuo e dominante das montanhas, precintando-o, com destaque saliente, sobre a linha projetante das praias; depois, no segmento de orla marítima entre o Rio de Janeiro e o Espírito Santo, um aparelho litoral revolto, feito da envergadura desarticulada das serras, riçado de cumeadas e corroído de angras, e escancelando-se em baias, repartindo-se em ilhas, e desagregando-se em recifes desnudos, à maneira de escombros do conflito secular que ali se trava entre os mares e a terra; em seguida, transposto o 15° paralelo, a atenuação de todos os acidentes -- serranias que se arredondam e suavizam as linhas dos taludes, fracionadas em morros de encostas indistintas no horizonte que se amplia; até que em plena faixa costeira da Bahia, o olhar, livre dos anteparos de serras que até lá o repulsam e abreviam, se dilata em cheio para o ocidente, mergulhando no âmago da terra amplíssima lentamente emergindo num ondear longínquo de chapadas...

Este facies geográfico resume a morfogenia do grande maciço continental.

Demonstra-o análise mais íntima feita por um corte meridiano qualquer, acompanhando à bacia do S. Francisco.

Vê-se, do fato, que três formações geognósticas díspares, de idades mal determinadas, aí se substituem, ou se entrelaçam, em estratificações discordantes, formando o predomínio exclusivo de umas, ou a combinação de todas, os traços variáveis da fisionomia da terra. Surgem primeiro as possantes massas gnaissegraníticas, que a partir do extremo sul se encurvam em desmedido anfiteatro, alteando as paisagens admiráveis que tanto encantam e iludem as vistas inexpertas dos forasteiros. A princípio abeiradas do mar progridem em sucessivas cadeias, sem rebentos laterais, até as raias do litoral paulista, feito dilatado muro de arrimo sustentando as formações sedimentárias do interior. A terra sobranceia o oceano, dominante, do fastígio das escarpas; e quem a alcança como quem vinga a rampa de um majestoso palco, justifica todos os exageros descritivos -- do gongorismo de Rocha Pita às extravagâncias geniais de Buckle -- que fazem deste país região privilegiada, onde a natureza armou a sua mais portentosa oficina." (CONTINUA)



Augusto dos Anjos:

"Psicologia de um vencido

Eu, filho do carbono e do amoníaco,

Monstro de escuridão e rutilância,

Sofro, desde a epigênese da infância,

A influência má dos signos do zodíaco.

Produndissimamente hipocondríaco,

Este ambiente me causa repugnância...

Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia

Que se escapa da boca de um cardíaco.

Já o verme -- este operário das ruínas --

Que o sangue podre das carnificinas

Come, e à vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,

E há de deixar-me apenas os cabelos,

Na frialdade inorgânica da terra! "


Lima Barreto:

"Triste fim de Policarpo Quaresma

A Lição de Violão

Como de hábito, Policarpo Quaresma, mais conhecido por Major Quaresma, bateu em casa às quatro e quinze da tarde. Havia mais de vinte anos que isso acontecia. Saindo do Arsenal de Guerra, onde era subsecretário, bongava pelas confeitarias algumas frutas, comprava um queijo, às vezes, e sempre o pão da padaria francesa.

Não gastava nesses passos nem mesmo uma hora, de forma que, às três e quarenta, por aí assim, tomava o bonde, sem erro de um minuto, ia pisar a soleira da porta de sua casa, numa rua afastada de São Januário, bem exatamente às quatro e quinze, como se fosse a aparição de um astro, um eclipse, enfim um fenômeno matematicamente determinado, previsto e predito.

A vizinhança já lhe conhecia os hábitos e tanto que, na casa do Capitão Cláudio, onde era costume jantar-se aí pelas quatro e meia, logo que o viam passar, a dona gritava à criada: "Alice, olha que são horas; o Major Quaresma já passou."

E era assim todos os dias, há quase trinta anos. Vivendo em casa própria e tendo outros rendimentos além do seu ordenado, o Major Quaresma podia levar um trem de vida superior aos seus recursos burocráticos, gozando, por parte da vizinhança, da consideração e respeito de homem abastado.

Não recebia ninguém, vivia num isolamento monacal, embora fosse cortês com os vizinhos que o julgavam esquisito e misantropo. Se não tinha amigos na redondeza, não tinha inimigos, e a única desafeição que merecera fora a do Doutor Segadas, um clínico afamado no lugar, que não podia admitir que Quaresma tivesse livros: "Se não era formado, para quê? Pedantismo!"

O subsecretário não mostrava os livros a ninguém, mas acontecia que, quando se abriam as janelas da sala de sua livraria, da rua poder-se-iam ver as estantes pejadas de cima a baixo.

Eram esses os seus hábitos; ultimamente, porém, mudara um pouco; e isso provocava comentários no bairro. Além do compadre e da filha, as únicas pessoas que o visitavam até então, nos últimos dias, era visto entrar em sua casa, três vezes por semana e em dias certos, um senhor baixo, magro, pálido, com um violão agasalhado numa bolsa de camurça. Logo pela primeira vez o caso intrigou a vizinhança. Um violão em casa tão respeitável! Que seria?

E, na mesma tarde, uma das mais lindas vizinhas do major convidou uma amiga, e ambas levaram um tempo perdido, de cá pra lá, a palmilhar o passeio, esticando a cabeça, quando passavam diante da janela aberta do esquisito subsecretário.

Não foi inútil a espionagem. Sentado no sofá, tendo ao lado o tal sujeito, empunhando o "pinho" na posição de tocar, o major, atentamente, ouvia: "Olhe, major, assim." E as cordas vibravam vagarosamente a nota ferida; em seguida, o mestre aduzia: "É ‘ré’, aprendeu?"

Mais não foi preciso pôr na carta; a vizinhança concluiu logo que o major aprendia a tocar violão. Mas que cousa? Um homem tão sério metido nessas malandragens!"


Outros escritores que se destacaram foram: Graça Aranha, Raul de Leoni, Simões Lopes Neto... Entre outros.

1 de nov. de 2008

Simbolismo

Os poetas simbolistas usavam uma linguagem abstrata e sugestiva. Faziam uso de letras maiúsculas para valorizar alguns termos. Falavam sobre morte, transcedência espiritual, o sagrado, o mistério, escravidão, sublimação sexual.

Alguns escritos simbolistas:

Pedro Kilkerry:

"Amor volat

Não, não é comigo que ele nasceu... A sua asa

Só a um tempo ruflou desse modo, tamanho!

Bateu-me o coração... E outro não sei que, estranho,

Rudamente o rasgou como o seu bico em brasa...



Entrou-mo todo, enfim, como quem entra em casa

E em meu sangue, a cantar, fez de um boêmio no banho!

Oh! Que pássaro mau! E eu nunca mais o apanho!

Vês: estou velho já. Treme-me o passo, e atrasa...



Olha-me bem, no peito, o rubro ninho aberto!

Hoje fúnebre, a piar, uma estrige ao telhado

E o meu seio vazio! e o meu leito deserto!



E vivo só por ver, como curvo aqui fico,

Esse pássaro voar largamente, um bocado

De músculos pingando a levar - ne o bico."

Cruz e Sousa:


"ENCARNAÇÃO

Carnais, sejam carnais tantos desejos,
carnais, sejam carnais tantos anseios,
palpitações e frêmitos e enleios,
das harpas da emoção tantos arpejos...
Sonhos, que vão, por trêmulos adejos,
à noite, ao luar, intumescer os seios
láteos, de finos e azulados veios
de virgindade, de pudor, de pejos...

Sejam carnais todos os sonhos brumos
de estranhos, vagos, estrelados rumos
onde as Visões do amor dormem geladas...

Sonhos, palpitações, desejos e ânsias
formem, com claridades e fragrâncias,
a encarnação das lívidas Amadas!"


Alphonsus Guimarães:


"Cisnes Brancos



Ó cisnes brancos, cisnes brancos,

Porque viestes, se era tão tarde?

O sol não beija mais os flancos

Da Montanha onde mora a tarde.



Ó cisnes brancos, dolorida

Minh’alma sente dores novas.

Cheguei à terra prometida:

É um deserto cheio de covas.



Voai para outras risonhas plagas,

Cisnes brancos! Sede felizes...

Deixai-me só com as minhas chagas,

E só com as minhas cicatrizes.



Venham as aves agoireiras,

De risada que esfria os ossos...

Minh’alma, cheia de caveiras,

Está branca de padre-nossos.



Queimando a carne como brasas,

Venham as tentações daninhas,

Que eu lhes porei, bem sob asas,

A alma cheia de ladainhas.



Ó cisnes brancos, cisnes brancos,

Doce afago da alva plumagem!

Minh’alma morre aos solavancos

Nesta medonha carruagem...



Quando chegaste, os violoncelos

Que andam no ar cantaram no hinos.

Estrelaram-se todos os castelos,

E até nas nuvens repicaram sinos.



Foram-se as brancas horas sem rumo,

Tanto sonhadas! Ainda, ainda

Hoje os meus pobres versos perfumo

Com os beijos santos da tua vinda.



Quando te foste, estalaram cordas

Nos violoncelos e nas harpas...

E anjos disseram: — Não mais acordas,

Lírio nascido nas escarpas!



Sinos dobraram no céu e escuto

Dobres eternos na minha ermida.

E os pobres versos ainda hoje enluto

Com os beijos santos da despedida"