30/12/2010

Intolerância na rede - devemos denunciar

Assistimos esses dias aqui em casa novamente o filme "A Lista de Schindler". Penso que esse filme deveria estar no currículo de vida de todos, levando em consideração o tanto de gente que fala besteira por aí. Por sinal, existem ótimos filmes que tratam sobre racismo, homofobia, violência contra a mulher e demais assuntos que nunca (pois é, eu falei nunca), deixam a pauta. Acredito na arte como entretenimento, mas se podemos educar e entreter ao mesmo tempo, por que não fazê-lo?

Amanhã será o último dia do ano de 2010, entraremos o ano de 2011 com um histórico triste de intolerância na rede. Pessoas que aparecem difundindo o ódio e usando de forma errônea a liberdade de expressão. Pregam o ódio contra judeus, negros, mulheres brasileiras, deficientes físicos, homossexuais e inclusive agora temos gente defendendo a legalização do estupro. E quando nos deparamos com viventes desse naipe nós, que padecemos de esperança em um novo tempo que começa, ficamos descrentes da evolução humana.

Ainda faço parte do grupo de pessoas que não perderam a capacidade de se indignar quando se depara com algum absurdo na rede. O mundo é um lugar bacana, mas alguns insistem em transformar em um show de horror. Um oceano separa o ódio da liberdade de expressão e devemos estar atentos para denunciar quem pratica qualquer ato contra um povo, um segmento, enfim, contra qualquer pessoa.

Igualdade é questão de respeito às diferenças. Não somos todos iguais em todos os momentos, não somos produtos fabricados em série, mas temos o dever de respeitar a diferença do outro. E como é bom atestar que não somos iguais aos intolerantes que difundem o sexismo, racismo e o indefensável. Aceitar o outro da maneira que ele é, não é algo discutível, ninguém tem nada com isso. Ninguém pode julgar a cor da pele, classe social, origens ou a sexualidade de uma pessoa... Simplesmente porque cada um é um.

Quando você ler um absurdo na internet, denuncie aqui http://denuncia.pf.gov.br/ Não trate com indiferença esse tipo de crime. Para os amigos que passarem por aqui, desejo um ótimo ano novo e que 2011 seja bom para todos.

22/12/2010

Vazou?

Ideologia:

1 Ciência da formação das ideias e de um sistema de ideias.
2 Fil. Pol. Rel. Soc. Sistema articulado de ideias, valores, opiniões, crenças etc., organizado como corrente de pensamento, como instrumento de luta política, como expressão das relações entre classes sociais, como fundamento de seita religiosa etc.
3 Fil. No marxismo, o conjunto das formas de consciência social que tem por finalidade legitimar a classe dominante ou, no lado oposto, os interesses revolucionários da classe proletária.
4 Hist. Conjunto das ideias e convicções próprias de uma época, uma sociedade, uma classe etc., e que caracterizam uma situação histórica.


Ponto.

Simplificando, ideologia nada mais é que um conceito que une determinado tipo de pessoas com ideias e interesses comuns.

Toda vez que escuto alguém referindo-se a este ou aquele político e sua ideologia partidária, sinto cãimbras cerebrais. Em nossa história recente nada foi menos valorizado, tanto que em qualquer blog -- por pior que seja -- ou jornal -- por menos tendencioso que seja --, encontram-se descritos fatos e ações que comprovam que a ideologia por si só, inexiste. Pode-se sim encontrar a ideologia de mercado, a ideologia de conchavo, a ideologia de interesses. Mas aquela purinha como cachaça de engenho velho, descrita no topo deste texto, desapareceu.

Claro que entre a militância de um partido político existem sim os ideologistas, daqueles que trabalham de sol a sol pelo seu candidato, sem ter por norte um CC e sim por acreditar. Esse pobres coitados creem que a honestidade e a pureza de seu ídolo político são inquestionáveis. Choram e vibram por ele, cegamente. E cegamente deixam os bastidores de lado pois, creio eu, tenham medo do desapontamento.

O vazamento de informações pelo WikiLeaks, encabeçado pelo tal Julian Assange, é nada mais, nada menos que uma constatação de que existe vida atrás do biombo. Ninguém sabia de nada do que esse site tem mostrado? Claro que inúmeras pessoas sabiam, mas se a imprensa divulga, principalmente aqui no Brasil, levanta-se a militância e brada "Oportunistas! Oligarcas! Golpistas!". Por quê? Porque a militância não pensa por si. Militância pensa com a cabeça da ideologia que ela crê e que o cacique de seu partido manipula a seu bel prazer. Então os Assange da vida são necessários, nãoa diantando em nada gritar a favor ou contra. O WikiLeaks expõe de forma prática o que se sabia em teoria.

O atual governo é diretamente ligado à Ditadura Militar brasileira. O Sr. Luiz Inácio recebe aposentadoria por isso, não é? Então por que não liberam todos os arquivos de uma vez só, para que historiadores possam montar o quebra-cabeças real do que aconteceu naquela época, independente a quem as histórias confrontem no futuro? Afinal, podem fazer suas apostas: os tiros não acertarão somente militares. Após os oito anos trabalhistas no poder, questiona-se mas não se resolve...

Mas mais interessante não seria então deixar de lado esse período, interessante tão somente aos historiadores e focarmos na época atual? Digamos de Collor para diante? Que se divulguem as agendas, os dossiês, os recadinhos em guardanapo, os olhares excusos... Isso sim teria efeito imediato, podendo ser útil em duas situações diversas: a quebra da maldita ideologia que sustenta a massa de manobra partidária e o retorno do respeito que a classe política se acha no direito de cobrar para si.

Política já foi tida como arte. Hoje é a reunião dos arteiros. Basta ver os aumentos auto-concedidos a título de presentes de Natal.

Com a liberação dos dados através do WikiLeaks o problema maior que os políticos americanos enfretarão não será a mancha sobre seu corpo diplomático e sim a re-conquista de massa de manobra. Quem sabe muitos cidadãos sintam-se usados -- como realmente o são -- e tornem-se mais seletivos na paixão pela ideologia gritada aos quatro ventos pelos enganosos senhores de paletó e gravata.

19/12/2010

Me dão licença?

Há algum tempo atrás eu escrevi um texto aqui dizendo que não me meteria mais pela senda religiosa. É constrangedor você se declarar como um descrente em fenômenos mágicos, como para mim é o caso da religião, do conceito do divino e de tantas luzes espirituais.

Sou agnóstico, o que quer dizer que não renego a existência de um algo mais ainda desconhecido, mas desacredito dessa possibilidade. Provas, é somente o que peço.

Porém a caravana passa, muitos cães ladram e dia desses no twitter vejo hashtags promovendo esta ou aquela religião, tentando esclarecer o porque ela é a única e verdadeira. Senti a compulsão de responder aos argumentos -- infantis para mim -- mas me contive, pois claro que seria mal interpretado.

Vamos colocar as coisas em pratos limpos, certo? Não escolho minhas amizades por cor de pele, preferência sexual ou religiosidade. Não enquandro as pessoas como morais ou amorais pela fé que professem. E, basicamente, não me interesso pela dita fé. Sou prático e reto: não há deus algum que faça algo por você, se você mesmo não fizer as coisas acontecerem.

Naquele texto anterior a que me referi acima, disse que de uma certa maneira me sentia um aleijado moral. Essa é a real sensação que pessoas cheias de boas intenções tentam passar sobre mim. Agora, alguma vez que alguém me procurou, seja no mundo real ou no virtual, recebeu uma negativa a algum auxílio solicitado? Nunca, não é?

Existem assassinos de todos os credos, raças, cores, assim como existem ateus e agnósticos que levam uma vida mais pura e piedosa que muito beato tido como exemplo social. Como existem idiotas de todos os tipos, como o tal apresentador Datena, da Rede Bandeirantes:

"Olha, três bandidos invadem um sítio, roubam tudo que encontram, e antes de irem embora, estupram a mulher do caseiro. Com um detalhe: a moça tava grávida de três meses. Ela foi violentada na frente da filha de quatro anos. Quer dizer... que pena merece um sujeito que faz uma coisa dessas? Violentar uma mulher grávida, a mãe na frente da filhinha de quatro anos. Que pena merece? Ahn? Que pena o senhor acha que merece isso?E diz que violentaram várias vezes, não foi umavez só, não. Que pena merece um sueito desse aí? Falta de deus no coração. Fabíola Figueiredo, na tela.[...]" |Na íntegra|

Quem disse a ele que os criminosos eram ateus ou agnósticos? Como chegou o apresentador a formular essa concepção de que somente quem "não tem deus no coração" é capaz de fazer algo assim? Eu me considero totalmente incapaz de cometer um crime banal, por exemplo corromper um guarda de trânsito, logo jamais chegaria ao roubo e ao estupro.

Há também a manchete da semana. O Governador Cabral, do Rio de Janeiro, pergunta à assistência "Quem não teve namoradinha que já fez aborto?". Pelo que sei, o aborto é contrário às leis da religião que ele diz professar...

Eu poderia me valer de outros tantos fatos históricos que comprovam que essa crença em um (ou vários) deus(es) é a raiz de muita maldade hoje em dia. Poderia citar padres católicos pedófilos, muçulmanos explosivos, judeus franco-atiradores, lapidação, empalamento, circuncisão feminina, barbárie em nome de algum deus. Embora nada disso seja falácia, não é  esta minha intenção. Adquirir respeito espezinhando a crença alheia e seus defeitos é outro sintoma próprio da religião. Ou da política, esta também tomada por alguns como uma graça divina.

Outro motivo para este texto é a censura à propaganda no ônibus, coordenada pela ATEA (Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos). Por que sou obrigado a ler manifestações voluntárias do deus de cada um e não posso propagandear minha vida sem mistérios, racional e aberta?

Chegaram a ver tais propagandas? Segue abaixo:



A melhor das quatro imagens é a que diz "TODO MUNDO É ATEU COM OS DEUSES DOS OUTROS". Ou o amigo judeu concorda com a divindade de Jesus? Ou Alá reserva sete virgens para cada homem nascido em nosso mundinho, independente da religião? Ou então Yemanjá pacificou os mares para a chegada dos Pilgrims ao continente americano?

Sim, é um desabafo mas não vou, como fiz anteriormente, me desculpar pelo texto longo.

Apenas, antes de fazerem comentários jocosos ou cheios de indignação pela minha óbvia ausência de fé, como já aconteceu antes, pensem que minha moral, meu caráter e minha integridade são maiores que a de muitos que vocês possam conhecer, inclusive naqueles que se ajoelham a seu lado, pedindo perdão por toda desgraça que tenha provocado em sua vida.

Pensem comigo: todos tem a liberdade de escolha quanto ao rumo que pretendendam dar a sua vida, menos no quesito religião, geralmente imposto pela família. Mesmo assim, há vários casos em que, na maioridade, crentes desta ou daquela religião tornam-se membros de outras seitas, por estarem desconfortáveis com acontecimentos ou preceitos de sua "fé de berço". Esse foi meu caso e após frequentar outras religiões, decidi não ter nenhuma. Foi e é minha decisão, não sujeita a avaliações de outros que não eu mesmo.

Quem lê meus livros pode conferir ali que tenho um conhecimento real sobre religiões, pois mais de uma vez me utilizei delas como bom mote para um conto. E para mim, a fé é nada mais que isso: um bom argumento para poder contextualizar a graça (ou falta dela) do ser humano comum.

Uma boa notícia! ( Post Copiado do blog Flavia, vivendo em coma)

* Clique na imagem para ampliar e ler o cabeçalho do blog de Flávia


UMA BOA NOTÍCIA!

TAMPA FSB desenvolvida pela Sodramar

Esta tampa  é compatível com  qualquer dreno de fundo existente no mercado..

Esta informação que agora divulgo, deve ser de interesse público, principalmente de condomínios, clubes, hotéis, motéis, parques aquáticos e todo e qualquer lugar onde houver instalada uma piscina.

A nota abaixo está sendo publicada na Revista da ANAPP. - Associação Nacional dos Fabricantes e Construtores de Piscinas e Produtos Afins.

"A Sodramar é uma empresa que sempre se preocupou em inovar, tanto na área tecnológica quanto na qualidade de seus produtos, sem esquecer jamais da Segurança dos seus clientes.

Pensando nisso criou a Tampa FSB 30m³, baseada em normas de segurança internacionais que tornam a piscina mais segura, aumentando a vazão do dreno para 30m³, com isso impedindo a sucção dos banhistas e até mesmo que ocorra o aprisionamento dos cabelos, eliminando o risco de acidentes envolvendo o dreno de fundo.

A tampa, fabricada e patenteada pela Sodramar e já disponível para pronta entrega, adapta-se facilmente a qualquer dreno de fundo existente no mercado, sem a necessidade de danificar a estrutura já existente na piscina. 

O nome FSB vem das iniciais da menina Flavia Souza Belo que vive em coma há mais de 12 anos, depois de ter ficado presa pelos cabelos, em um dreno de fundo mal dimensionado. Este nome é uma homenagem da Sodramar à Odele Souza, mãe de Flavia. Odele luta há vários anos pela criação de normas e regras para segurança nas piscinas e pela conscientização das empresas do setor. A história de Flavia pode ser conhecida no blog Flavia, vivendo em coma. http://www.flaviavivendoemcoma.blogspot.com, criado por sua mãe."

Conforme me explicou Vladimir Moutinho, técnico da Sodramar, “Esta grade possui um exclusivo sistema de duplo escoamento, atuando como anti-turbilhão e grade convencional, proporcionando um limite de vazão até 200% maior que as grades tradicionais, sem permitir total obstrução da área de sucção”.

No lojista, a tampa FSB custa hoje, R$ 39,00. (trinta e nove reais). Para maiores informações acesse o site da Sodramar.

AVISO IMPORTANTE: (copiado do manual de instalação da tampa FSB)

A substituição da tampa convencional em piscinas já construídas e cheias d água deve ser feita com sistema hidráulico desligado e por um profissional qualificado, experiente e que saiba nadar, uma vez que este procedimento só poderá ser realizado através de mergulho de profundidade.

Quero agradecer ao Sr.Augusto Cesar de Araujo, Diretor da Sodramar por esta bonita homenagem, colocando as iniciais do nome de Flavia neste importante produto de sua empresa. Certamente a tampa FSB vai salvar muitas vidas. Assim é que eu entendo que deve ser uma empresa digna de nosso respeito: Que “não esqueça jamais da SEGURANÇA de seus clientes”.

Esta notícia que agora publico, eu considero um presente para mim e Flavia que fazemos aniversário hoje.
* Esse post foi copiado do blog de Flavia, para ler a postagem original clique AQUI

16/12/2010

Bá! ( Mais um texto medíocre)

Quando li a Metamorfose de Kafka a primeira vez, realmente achei um dos contos mais lindos que existe no mundo. Me encantou a ideia dele ter escrito  em um curto espaço de tempo, pois, além de genial o conto te prende do início ao fim. Devorei a metamorfose em uma noite e depois li mais umas quinze vezes e sempre volto ao conto... É daqueles autores que a gente guarda na prateleira do "lado esquerdo do peito", como se tivesse intimidade, como se fosse colega de colégio ou ainda amigo de chimarrão.
A ideia de escrever algo genial em um curto espaço de tempo sempre me deixou fascinada, justamente porque demoro mais que a cabeça aguenta para juntar palavras e escrever algo que não lembra o  fantástico, dramático ou genial. Aproveitando o curto espaço de tempo, que grandes autores escrevem... Não é que essa semana o Brasil ficou sabendo que Vera Fischer escreveu dez livros em um ano? Se você acha que leu errado eu repito: Vera Fischer anunciou sua estreia literária dizendo que escreveu em um ano dez livros, assim... Um atrás do outro.  Já mereceu entrevista na folha para contar "como os escritores são". Diz Vera Fischer que não escreve para pobre, o universo dos ricos é mais interessante. Obviamente que a notícia me deixou espantada, causou um impacto profundo na minha cuca que andava calma desde que Geise lançou sua "obra". Fui atrás para saber a editora, quem sabe ler algo mais sobre o livro? Eu não sou de julgar o autor sem ao menos ler antes, é injusto fazer algo assim e quem sou eu para "criticar" livro?  Uma coisa é a obra literária, outra é o autor em si e não é de minha "configuração" tecer comentários sobre a vida de artistas... Nem televisão eu assisto. Eu não ia cair na asneira de apedrejar sem antes ler. Pois li, e o único comentário que me surgiu na cabeça foi um sonoro: Bá!
Me dou ao luxo de fazer um parênteses para contextualizar o meu "bá". Alguns escrevem bah, outros bá. O meu é com acento mesmo, porque é o meu Bá. Pode significar surpresa, cara de queixo caído, espanto, o mesmo que "poxa vida".-- Fecho parênteses.
Com o bá martelando em minha cabeça, encerrei o expediente, revi alguns pontos do meu trabalho e tive o desprazer de não conseguir me concentrar para fazer mais nada. Depois que li o trecho do livro, lembrei de Kafka. Meus olhos alcançaram o pequeno livro de bolso, fui até a estante e agarrei o exemplar. Virei as páginas de forma rápida e cheguei nas destacadas pela caneta colorida. Fui além, li os destaques que fiz no "veredicto".  Kafka foi um gênio que morreu sem saber que seria um dos nomes mais importantes da literatura, não pela sua rapidez mas pelo seu conteúdo. Heinz Politzer escreveu: " Depois da metamorfose de Gregor Samsa, o mundo onde nos movimentamos tornou-se outro." E eu fiquei com aquela sensação de "inseto" de ser estranha "no mundo humano."
( Fiz uma pausa enorme no pensamento, agora nesse momento escrevendo o texto, penso que dá para sentir a aflição. ) Eu li o trecho do livro de Vera disponibilizado pela editora, não é meu tipo de leitura, particularmente não me chamou a atenção. Devo ser pobre, vai ver esse tipo de literatura não foi escrito para eu ler. Ou quem sabe, não acho interessante o mundo dos ricos... A vida deve ser para lá de chata sem ter uma correria para pagar uma conta.
Quando o Bá invade minha cabeça, leio Kafka que é para não esquecer dos gênios. Leio Kafka para ter aquela sensação de ser inseto e lembrar de não ser. Leio principalmente para refletir, porque posso fazer piada sobre os livros que ganham destaques nos jornais... Mas lá no fundo fico com aquela sensação de ser medíocre pelo que escrevo e o que penso em escrever. Deve ser tensão por não conseguir escrever contos, narrativas ou romances, alguns dirão que é inveja da rapidez de Vera e eu só digo que é "bá".

12/12/2010

me perdi, acho...


Vivemos nós todos uma das mais difíceis épocas da humanidade. Não existem mais segredos, não existem mais distâncias intransponíveis (a não ser, claro, que seu destino seja Marte), não existem meias-palavras e nem mesmo meia-sola (impressionante que os mais novos não entendam gírias como meia-sola, com seu pequeno conhecimento meia-boca).

Todo e qualquer comentário transforma-se, necessariamente, em boato. A internet veio para ficar e alterar padrões insuspeitos de antigamente, porém criou novos vícios e malcriações.  Fast-food, fast-livro, fast-entendimento, fast-pouca-vontade, fast-compreensão, fast-tesão...

Não, não é saudosismo. É descrédito, acho eu. Apreensão, talvez. Não há mais como se fiar a uma conversa, pois não existe o registro na internet e depois, se você quiser conferir se teu interlocutor disse a verdade, não há como buscar no Google. Viraremos emoticons? Os maus serão vírus, os bons anti-spyware, o governo um enorme HD, a escola um 486 com impressora Amélia, a família uma comunidade do Orkut?

O valor dado aos relacionamentos virtuais é desproporcional ao bate-papo de mesa de bar. "Oi tuitosfera, estou no bar tal com vários arrobas interessantes". Prefiro desligar o computador e tomar meu uísque, comer amendoim salgado (sem casca), escutar um músico cover ruim, ter que chamar um táxi, tomar a última no posto de gasolina, pagar uma para o taxista que acaba virando o amigo que deixa o celular ligado nas horas que você precisa. Por falar nisso, o garçom (ou garçonete) amigo também é o que há. Não chora nas doses: debulha-se em lágrimas de puro malte. O dono do bar não liga porque sabe que sempre existe o retorno e, quando se nota, senta na tua mesa para reclamar da vida que ele não está tocando, porque toca o bar, porque tem que ficar atento, porque o garçom se debulha em lágrimas salgadas pelo aumento que ele não pode pagar.

E, por mais estranho que pareça, há o amor virtual. Avatares photoshopados que mostram, sei lá, 1/16 do corpo do(a) pretendente dá margem aos sonhos que antes o terno e a gravata ou o vestido bem cortado permitia. "O que há por baixo de tanto pano?", pensava-se. Mas isso é de outros tempos, do tempo em que a Playboy exibia uma tarja preta sobre as genitálias desnudas (em tempo, desnuda por assim dizer. Moitas de grossos cabelos cobriam qualquer traço, posto que depiladas não eram moda). Hoje mostra-se de tudo e a todos na vida real, protege-se no virtual. Uma inversão desproposital. Pelados nos avatares já, bom mote de campanha. Mas cubram-se na vida real para deixar o sonho do primeiro beijo com gosto de "Consegui!" e quero mais daqui a pouco, já.

Contra a internet não. Contra as alterações profundas que anda causando na sociedade. Não tem aproximado povos mas sim distanciando vizinhos, que só se conhecem se por acaso ( bem por acaso)frequentarem o mesmo grupo do facebook.

 Bom-senso? Não. Viver em colméia ou alcatéia, dependendo do sua tendência, mas vivendo junto de quem caminha sobre os próprios pés.

11/12/2010

"Prezado editor"

Muitos me confundem no perfil da editora e me chamam de moço, senhor, prezado editor, amigo e alguns "fofos" por assim dizer, já me chamaram de querido editor e tio. Nunca achei nada demais e sempre corrigi até porque se existe a projeção que o escritor é glamouroso em sua cabana com lareira ( pois o inverno é "lugar" onde escritor mora, nada comparado ao calor do cão do Brasil) com sua taça de vinho, escrevendo freneticamente e acabando livros em vinte quatro horas, imagina a projeção do editor? Ele é mal humorado, barbudo, em torno de 50 anos, vive no chiquérrimo escritório onde lê livros de 400 páginas em dois dias, afinal de contas ele é uma pessoa ocupadíssima que não pode perder tempo nem se alimentando.
Mas estamos falando de projeções... Que não passa nem perto da realidade. Pois uma moça perguntou se poderia enviar os originais para analise e com quem falava.  Respondi que para 2011 nossos contratos já estavam fechados e só aceitaríamos originais novamente em Abril, assinei meu nome e mandei abraços ( sou educada).  A moça falou que não gostaria de falar com secretárias, era para passar logo para "quem mandava" pois o livro dela era ótimo, falava sobre o "poder da mulher no mundo atual." Quando eu disse que poderia falar comigo ela pediu desculpas pois acreditava que quem mandava era um homem e não respondeu mais nada. 
Realmente esse livro, não vamos publicar, mas eu fiquei com uma curiosidade imensa de saber a que conclusão ela chegou sobre o "poder" da mulher. Por que eu, Letícia, não posso ser editora e devo ser secretária? Isso é problema cultural! Quando essa cidadã publicar o livro, ficarei atenta para comprar e ver a conclusão que o trabalho dela chegou. 
Eu não me chateio por muito, acredito que dentro do limite, a gente vai levando e se qualquer cidadão colocar no papel tudo que acontece de bizarro durante o trabalho, surgiriam inúmeros livros da "vida como ela é".  Mas "é só um engano, moça!" De engano por engano a gente não muda a cabeça tacanha e nem as opiniões "muradas" que habitam as mentes.
E cada um tem sua história, não é mesmo? Preconceito existe quando a gente é muito novo, muito velho, se a gente é mulher, se é homem, se usa o cabelo verde com roxo, se está com o sapato furado ou uma calça justa. Preconceito, esse sim não distingue mais sexo, cor ou idade. 

06/12/2010

Agatha Christie puxou meu pé.

Eu estou lendo um livro da Agatha Christie, muito bom por sinal. Tão bom que essa noite invadiu meus sonhos e se fez presente a ponto de eu sonhar com o que li, como se fizesse parte do livro.
***
 - 6:00 horas Lucas veio me chamar e eu respondi para ele que a revista cultural-9 estava quase pronta. Ele ficou sem entender.  Gesticulando repeti que a Revista Cultural-9 estava quase pronta.

- Enfim, acordei dizendo para David que o assassino do livro de Agatha não era o assassino e que eu sabia quem era o verdadeiro assassino.
Sonhei com o crime. Bem na hora que eu me servia de coquetel de frutas, vi o crime e pensei: " Quem se matou, Beto? " "Quem se matou Beto", é um livro que a Tati Cavalcanti está escrevendo e eu estou lendo em partes e dando meus pitacos.

 - Quando dei meu depoimento para o detetive sobre o crime, eu me vi sentada vestida de branco, como se eu fosse a "Louca", personagem do livro do David. E eu era loira, com o cabelo todo picotado parecido com aquele cabelo horrível da Angelina Jolie no filme "Garota Interrompida".

 - Depois de acabar o depoimento para o detetive, pensei em entrevistar Agatha para a Revista Cultural-9, afinal de contas ela e Kafka fazem com que eu leia até as 3:00 da manhã e permaneça no livro.

***
É... E esse ano que não acaba, pessoas? Não sei de vocês, mas eu estou precisando de um descanso para a cabeça.  Tico, Teco, Huguinho, Luizinho e Zezinho estão se debatendo no quintal do cérebro.

02/12/2010

Revista Cultural-8

Pessoas, a Revista Cultural-8 está disponível online e a novidade é que essa é a primeira edição que será impressa! Então, se quiser solicitar essa edição gratuita, envia e-mail para contato@editoranovitas.com.br


Participantes dessa edição:

Editorial: David Nobrega

Entrevistas: Escritora Letícia Wierzchowski e o cantor Simbas (ex- Casa das Máquinas)

O livro interpelante:  Álisson da Hora

 A arte como revelação do mundo e da Liberdade: Eduardo C. Braga

Poesias: Talita Prates, Carol Freitas, Lúcia Helena O. Cavichioli, Glória Diógenes, Cristiano Melo, Flávia Braun, Simone Mascarenhas, Madalena Barranco, Giselle Zamboni, Simone Brichta e M.M. Soriano.

Leia no Banheiro: Letícia Losekann Coelho

Fotografia: O poder do B - Julian Marques

Contos: Monica Saraiva, Letícia Palmeira, Hugo Crema, Tati Cavalcanti, Denison Mendes e Dan Porto