11 de dez de 2010

"Prezado editor"

Muitos me confundem no perfil da editora e me chamam de moço, senhor, prezado editor, amigo e alguns "fofos" por assim dizer, já me chamaram de querido editor e tio. Nunca achei nada demais e sempre corrigi até porque se existe a projeção que o escritor é glamouroso em sua cabana com lareira ( pois o inverno é "lugar" onde escritor mora, nada comparado ao calor do cão do Brasil) com sua taça de vinho, escrevendo freneticamente e acabando livros em vinte quatro horas, imagina a projeção do editor? Ele é mal humorado, barbudo, em torno de 50 anos, vive no chiquérrimo escritório onde lê livros de 400 páginas em dois dias, afinal de contas ele é uma pessoa ocupadíssima que não pode perder tempo nem se alimentando.
Mas estamos falando de projeções... Que não passa nem perto da realidade. Pois uma moça perguntou se poderia enviar os originais para analise e com quem falava.  Respondi que para 2011 nossos contratos já estavam fechados e só aceitaríamos originais novamente em Abril, assinei meu nome e mandei abraços ( sou educada).  A moça falou que não gostaria de falar com secretárias, era para passar logo para "quem mandava" pois o livro dela era ótimo, falava sobre o "poder da mulher no mundo atual." Quando eu disse que poderia falar comigo ela pediu desculpas pois acreditava que quem mandava era um homem e não respondeu mais nada. 
Realmente esse livro, não vamos publicar, mas eu fiquei com uma curiosidade imensa de saber a que conclusão ela chegou sobre o "poder" da mulher. Por que eu, Letícia, não posso ser editora e devo ser secretária? Isso é problema cultural! Quando essa cidadã publicar o livro, ficarei atenta para comprar e ver a conclusão que o trabalho dela chegou. 
Eu não me chateio por muito, acredito que dentro do limite, a gente vai levando e se qualquer cidadão colocar no papel tudo que acontece de bizarro durante o trabalho, surgiriam inúmeros livros da "vida como ela é".  Mas "é só um engano, moça!" De engano por engano a gente não muda a cabeça tacanha e nem as opiniões "muradas" que habitam as mentes.
E cada um tem sua história, não é mesmo? Preconceito existe quando a gente é muito novo, muito velho, se a gente é mulher, se é homem, se usa o cabelo verde com roxo, se está com o sapato furado ou uma calça justa. Preconceito, esse sim não distingue mais sexo, cor ou idade. 

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