22 de mar de 2010

Esta é a última vez

Durante anos, desde que escrevo em blogs, tenho batido em um problema que é mais meu do que daqueles que porventura tenham me lido, caídos desavisados aqui ou no antigo "Aqui não, Genésio!". É um tema que gosto, pois não consigo entender alguém que simplesmente acredita em algo que supostamente exista.


Hoje vivo rodeado de pessoas que de uma maneira ou outra demonstram fé ou praticam religião. Muitas vezes meu sentimento de incredulidade pode ter magoado a alguém. Pode ser que em minhas investidas, eu tenha de alguma maneira plantado dúvida na fé de um crente. Ou, muito pior, feito com que essa pessoa acabasse por me achar "artigo desvalorizado" ou um aleijado moral por não crer em um deus benevolente/vingativo/caridoso/todo ouvidos.


Chegar à idade da razão e entender que as dúvidas que desde muito cedo me incomodavam eram maiores que minha capacidade em crer em algo divino ou mágico foi doloroso. Busquei auxílio em várias religiões organizadas, do catolicismo ao budismo, da umbanda ao paulo coelho.


Contrariamente às minhas expectativas, quanto mais eu me aprofundava em estudar as religiões mais e mais eu me apercebia de quão "humanas" elas são.  Quanto mais se aprende, mais se nota a mão do homem por trás de grandes escritos supostamente inspirados por um deus que você deve acreditar, por ser o moralmente aceito ou socialmente correto.


Posso lhes garantir uma coisa: é muito mais doloroso não acreditar em deus. Seria ótimo se eu pudesse acreditar que, quando morrer, encontrarei em algum lugar meus avós, tios e quem mais eu tiver perdido durante minha vida insignificante. Seria ótimo rezar e poder receber conforto, tendo a certeza de que estou sendo ouvido e que, de algum lugar descrito em algum livro, um ente meu ou um ser celestial olha por mim. Seria simplesmente maravilhoso poder provar da fé que muitos daqueles que conheço seguem de maneira inquestionável. Mas infelizmente para mim, não tenho esse pedaço imaginativo em minha mente.


Claro que tenho a esperança de que quando eu morrer a vida continue, embora eu tenha a certeza de que tudo se acaba com a última expiração. Gostaria de acreditar nisso, mas esse sentimento é - eu tenho consciência disso - o mesmo que esperar ganhar na MegaSena: jogo porque espero ganhar, embora saiba que não ganharei.


Esta é a última vez que escrevo sobre religião, ao menos aqui. Quero ainda escrever, mas será  de foro íntimo, pois assim minhas dúvidas e questionamentos serão somente meus, sem tentar de maneira alguma colocar em risco amizades e afinidades.






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