30 de out. de 2010

Monteiro Lobato, racista?



O que lembro de minha infância como leitora? Da coleção de capa dura verde água, dos livros de Monteiro Lobato. Os livros com bastante texto e poucas ilustrações. Assistia Sítio do Pica-Pau Amarelo... Queria ser Narizinho, ter uma boneca como Emília, conhecer os melhores quitutes do mundo que eram feitos por Tia Nastácia, enfim... Eu queria  passar um tempo naquele mundo!

Me formei em pedagogia e aprendi na faculdade que Monteiro Lobato, além de visionário foi o maior escritor infantil -- e assim  foi até ontem. Algum educador não conhece Monteiro Lobato?

Meu filho, no início deste ano, precisava levar para o colégio um livro para  leitura. Escolheu levar um livro de Lobato e a professora ficou muito feliz! A felicidade foi tanta que no final do ano, a turma vai fazer apresentação sobre as histórias do livro.

Lucas me disse ontem: "Monteiro Lobato é o melhor escritor do mundo! " Pois, agora a obra de Lobato é considerada racista, veja Aqui

Mas vejam só, o CNE terá trabalho em analisar as obras de diversos autores para as crianças entenderem o que é certo e errado. Quem disse que o CNE está correto? Cresci lendo Lobato e não sou racista! Meu marido leu a infância inteira e também não é racista! Meu filho lê Lobato e não tem um pingo de racismo!

Como mãe, educadora e escritora, nunca pensei que isso poderia acontecer no Brasil... Esse retrocesso. É um enorme retrocesso classificar a obra de Lobato como racista em um País como o Brasil, que é carente de boa leitura para nossas crianças. O retrocesso é gigantesco pelo fato de Lobato ser o responsável direto por boa parte das crianças leitoras desse País e por consequência, por adultos leitores. Bato na tecla do retrocesso, pois com esse parecer o CNE fere a inteligência dos educadores e das crianças das escolas públicas, uma vez que o Governo nos mostra índices fantásticos de como a escola pública melhorou no Brasil. O educador agora precisa ser capaz de lidar com os estereótipos raciais.Vejam, educadores que fazem faculdade aprendem a lidar com todo o tipo de diferença e estereótipo que possa acontecer em sala de aula, e se não aprende é melhor fechar as faculdades de educação que existem no Brasil. Daí o problema não é do autor mas das faculdades que formam profissionais ruins!

É indignante vivenciar esse absurdo e encontrar pessoas letradas tentando defender uma coisa dessas. Se é para distribuir literatura de qualidade para as escolas públicas que se distribua a qualidade. Classificar a obra de um autor importantíssimo para a literatura Brasileira como racista é desqualificar a literatura Nacional. No dia 18 de Abril é dia do Livro Infantil em homenagem ao mestre Monteiro Lobato; o que vão fazer com a data? Vão incluir nota de rodapé explicativa dizendo que Lobato escreveu livros racistas?

Podemos aumentar o debate, falando sobre os contos de fadas... Atualmente crucificados por alguns. Daí pergunto: O que devemos dar para nossas crianças lerem? O livro Dodó de Ziraldo que trata exclusivamente sobre a história de uma bunda? Devemos dar somente literatura estrangeira, como Harry Potter e os famosos vampirinhos? Pelo estilo de livro que Lucas pega na biblioteca do colégio... Não sei o que indicar para leitura!

Como eu, inúmeras pessoas foram influênciadas pela leitura dos livros de Lobato, essa história não faz parte só da minha vida, mas faz parte da vida de diversas pessoas. É impossível calar diante de tamanho disparate! O CNE deveria estar preocupado em formar leitores no Brasil e não censurar autores que contribuiram e contribuem ainda para a literatura nacional. Agora é esperar para ver se o MEC vai assinar esse parecer.

Quintana tem uma frase que diz: "
Quando alguém pergunta a um autor o que este quis dizer, é porque um dos dois é burro."

Se a tendência for essa, logo teremos que explicar nossos livros!

UPDATE: Repassaram pelo twitter o abaixo assinado em defesa de Lobato. Leia e assine AQUI 


*Imagem retirada do Google. 


20 de out. de 2010

Dia do poeta

PEQUENO ESCLARECIMENTO
Os poetas não são azuis nem nada, como pensam alguns supersticiosos, nem sujeitos a ataques súbitos de levitação. O de que eles mais gostam é estar em silêncio - um silêncio que subjaz a quaisquer escapes motorísticos e declamatórios. Um silêncio... Este impoluível silêncio em que escrevo e em que tu me lês.
Mario Quintana - A vaca e o hipogrifo
*Imagem retirada do google. 

19 de out. de 2010

A minha cara de babaca!

Eu tenho cara de babaca, pois ainda acredito nas pessoas. Me conte sua injustiça... Vou lá e defendo, usando meu nariz de palhaço que deve cair bem. Também sou boazinha: minta, invente história, pois eu acredito, afinal de contas defendo o indefensável, vejo o invisível. Sinto alguma coisa? Imagina, sou da caixa... Boneca que não é Barbie e vai ser vendida nas prateleiras de Plutão (Já escrevi isso). Tenho um talento imenso para atrair quem não vale a pena e quem vai me chamar de otária. Já é difícil acreditar nos olhos e eu acredito na caneta, no papel, no que se escreve e não no que se diz. 

Me auto determino burra! Minta na minha cara, enfeite uma história... Não precisa contar a verdade, pois eu descubro! Eis um valor escondido, pois se tem algo no mundo que detesto é injustiça e apedrejamento sem causa justa! Vou atrás até porque informação é algo que se busca ou não se busca. Burrice é opcional e atualmente, ando me sentindo burra, pois alguns me tratam como tal, além de babaca, ingênua e facilmente "enrolável". Eu dou uma chance quando descubro alguma mentira e creiam, uma chance é muito para uma mentira. 

Quem nunca mentiu? Todos mentem mas existem os que assumem e tem um pingo de vergonha na cara para dizer: eu errei! Outros, tentam enrolar com novas mentiras, maiores, cada vez mais fantásticas... 


(Como disse, é porque tenho cara de otária e devo ter um eterno nariz de palhaço no meio da cara.)


Eu não perdi a capacidade de me indignar com as injustiças que cometo quando estou sem a informação correta. Não perco a capacidade de me corrigir e de pedir desculpas... Minha burrice não é tão extravagante a ponto de me cegar. Sou burra aos pedaços, pois ainda acredito nas pessoas. Sou acessível, ainda vejo bondade onde não existe. Uma mentira só é imperdoável quando é pintada de verdade e fantasia. 


Vou me apresentar diferente para deixar claro que de burra, só é aparência: Não sou burra, muito menos otária. Usava nariz de palhaço no colégio, quando o professor virava para escrever no quadro-negro, fazendo colegas caírem na gargalhada. Alguns podem me enrolar por muito tempo, eu me finjo de enrolada ! Detesto mentira que é descoberta e está na cara mas a pessoa diz que não é. Não sou boneca, não uso cor de rosa e não sou mulherzinha. Tenho maturidade... Algumas vezes mais que criaturas de cinquenta anos!  Não sou mega inteligente, sou esforçada... Como disse a burrice é opcional e sou uma criatura que se mantém informada. Fico brava quando me tratam como panaca, mas é coisa de momento até porque sou craque em nunca mais conversar com quem mostra que não me conhece.


Pedi uma prova de algo que estava rolando por aí, recebi, conferi... A mentira é uma merda e plágio é roubo. Escrevi diversas vezes sobre o assunto, incluindo o meu artigo na Revista Cultural nro. 7. 

Você que faz plágio, fique sabendo que arte não se colhe por aí... Arte é algo que alguém pensou! Dizem que tempo é dinheiro, mas digo que dinheiro é o intelecto, a poesia, a literatura, a cultura enfim.Tudo aquilo saído do esforço de alguém em criar.Valorizo a arte alheia tanto quanto o trabalho de um médico! Me indigna saber que duvidei de um plágio óbvio, pois amigos, é fácil comprovar. Delete da internet... Não some, pois está ali, em cache! Corram plagiadores para processar o Google, ele que faz questão de nos lembrar do que já escrevemos.


Plágio e mentira andam juntos... Sempre desconfie das fantasias e do "demais". Somos todos seres humanos com defeitos e qualidades, temos capacidade de errar e acertar... Ninguém é perfeito! A mesma capacidade de falar mentira e de falar a verdade... O que difere os indivíduos é o momento que verbalizamos o que queremos. O que você tem a ver com isso tudo? Tudo! Todos nós temos a ver com isso, afinal de contas a internet não é terra de ninguém como alguns pensam. Isso que escrevi hoje, já foi escrito muitas vezes de outras maneiras por diversas pessoas... Nunca é demais lembrar! 


Vou deixar uma poesia que escrevi faz tempo e cabe aqui, nesse momento: 

A Ponta da Verdade



A saliva se faz pó
Na boca ungida da santidade
Que com piedade
Liberta a raiva de quem ministra a extrema unção
Da unha e carne...
Mas não liberta a própria vaidade.


O céu e o inferno
Andam juntos de mãos dadas
E não precisa haver tapas na cara
Para se perceber a aberração nos corpos
A perversão dos sentimentos
A deturpação nos olhos de quem prega a moral
... Velhos constrangimentos.


O verdadeiro malfeitor
É quem omite os próprios erros
Coloca toalhas encharcadas sob o meio termo
Esconde sua cara amassada
Para não “ferir” segundos e terceiros.


E na bondade dos incrédulos beatos
O mundo se faz a girar
Na ponta da mentira existe a caridade
De quem decide qual verdade vai te contar.

13 de out. de 2010

um dia exemplar

 Ontem, terça-feira fantasiada de domingo, fui ao supermercado para cumprir a função diária abastecer ao lar e matar as lombrigas da fome. Coisa básica, do dia-a-dia. Sendo cliente costumeiro, acaba-se por fazer um certo tipo de amizade com outros clientes, assíduos como eu. São "amizades de fila": a senhora que compra 6 fatias de queijo e 8 de presunto, na fila dos frios. No açougue, um magrelo que sempre pede frango em opções diferentes, dependendo da inclinação do dia. E na padaria, um certo senhor que como todos os outros não tenho a mínima ideia do nome. Negro, baixo, careca, lá pelos seus 65 anos, um netinho sentado dentro do carrinho -- esse sei o nome, Leonardo, como meu filho mais velho -- e um vozeirão que se escuta a cada canto do supermercado. Esse meu amigo de fila é a cara do boa-praça. Sempre cheio de gentilezas e de perguntas que vão do trivial "tudo bem?" até outras mais complicadas em serem respondidas, como "será que essa chuva não vai parar não?". Se tu tens pressa pode passar que aposentado não tem hora, catchup no cachorro quente é mais importante para a criançada que a salsicha, etc. Sacaram?

 

Ontem nos encontramos, como sempre na fila do pão, meia dúzia de palavras triviais, cada um para seu lado. Na fila do caixa -- péssimo lugar para fazer amigos. Não recomendo -- meu colega do pão, sempre falando alto e brincando, no caixa ao lado. À minha frente um jovem casal acompanhados pela sogra de um deles, cochichavam piadas fantásticas, sendo a mais legal algo como "Esse negro palhaço não cala a boca?". Meu primeiro impulso foi decorar a boca do rapaz com minha mão em punho. Depois resolvi encarar, esperando que se dessem conta. O rapaz percebeu e passou a agir como "doutor no caixa", a pior espécie, assinando o cartão de crédito, pegando telefone do mercado para eventualidades, etc. Dois minutos depois foram embora, as pessoas do bem à minha frente e meu colega da fila, com seu netinho em uma mão -- "Será que pagou o guri a prestação?" -- e a sacola de compras na outra.

 

Eu, idiota, covarde, me sinto envergonhado de não ter agido de outra forma. Não sou do tipo que vê o mundo passando, pegando carona eventualmente, mas neste caso acabei agindo da pior maneira que existe: sem atitude alguma.

 

***

 

À noite, começam a brotar mineiros do solo do Atacama. Sessenta e nove dias isolados e o que vejo saindo daquele buraco que invade as intimidades da Terra são homens fortes, valorosos, que conseguiram manter o equilíbrio mental. Florencio Avalos é o primeiro de muitos e saem de pé, pois imagino que jamais um deles queira se deitar frente a uma dificuldade. Muitos já falam dos louros políticos que o Presidente chileno Sebastián Piñera possa colher. Um presidente que assumiu no início do ano, já tendo que encontrar meios de reconstruir um país devastado pelo terremoto de janeiro, merece louros. Independente do que pensem os oportunistas e desafetos, ele está ali, no meio do nada, representando o desejo de uma Nação em ter de volta pais, filhos, irmãos. E dá-lhe "Chi-chi-chi Le-le-le Chile!" Um patriotismo que não se restringe à Copa do Mundo nem ao Carnaval nu.

 

Tenha por base nossos desastres naturais recentes, como inundações, deslizamentos de encosta e outras barbaridades e note que o seu presidente, no máximo, sobrevoou a desgraça para ele alheia. Nosso povo é tão "regional" e bairrista que o desamparo de meus conterrâneos paulistas vira chacota ou disputa política em outros Estados. E em Angra ainda há desabrigados...

 

***

 

Em um momento, vergonha. Noutro, orgulho. Ser bicho humano é viver na contradição.

 

***

 

Essa misantropia que tem aumentado em mim é carregada de motivos, mas existem momentos únicos, como esses mineiros do Chile, que a dominam e me impedem de procurar uma mina funda para que possa me enterrar e esquecer que faço parte da maravilhosa raça humana e suas perversidades, encontradas até em fila de supermercado.

 

12 de out. de 2010

Um dia chego lá...

"Ser imbecil é mais fácil" - Stanislaw Ponte Preta 


É mais fácil ser burro e ter orgulho de ser imbecil... É bem mais fácil! É rápido, indolor e sem nenhuma complicação ser uma toupeira ( eu disse:  toupeira!) é bem mais simples. Vale mais a pena ser burro por opção do que procurar algum tipo de informação... Afinal de contas, hoje, burrice é algo opcional: ou se aceita, ou não se aceita. 
A preguiça mental é coisa de egocêntrico que vive de momento ralo de felicidade, rivaliza com a grama, aceita qualquer coisa e pensa em nada. 
O que me angustia é ver burrice intelectualizada, todos sabem tudo do nada... A informação inútil é bem mais importante que o importante, o que soma não acrescenta mais, e o menos virou tudo. Estamos entulhados de entulhos, pedregulhos e pedaços de ingenuidade. E quem disse que a ingenuidade é boa? A ingenuidade virou algo agregado à burrice, esperteza e imbecilidade! 
É mais simples ser esperto, antecipar mentira para preparar para uma nova e grande mentira. Tem quem aceita... Tem quem adora falar: " deixa disso".
Espatifam em nossa cara a estupidez e baixamos a cabeça: pecamos pela falta de palavras e comentários... Pecamos pela falta de letras. Engolimos os desaforos, amargamos as leis pessoais, digerimos a falta de sensibilidade. Não se recebe nada em troca! O escambo emocional se perdeu... Eu posso doar alegria que recebo a indiferença, tu podes doar o zelo que não recebes nem muito obrigado. 
A gente segue a míngua da língua... De quem grita muito e nada diz. De quem fala um tanto e não diz nada. 
Me esforço para ser ignorante, mas atualmente, vejo que ser imbecil é mais fácil... O autêntico é quem esconde as orelhas grandes, eu estou me esforçando, um dia chego lá. 






8 de out. de 2010

"tus-eus"



Eu quero o tudo que tenho direito, não quero pouco. Não quero pouco, porque ninguém no mundo tem direito ao pouco... Ao médio. Não me contento com meias palavras, meio beijo, meio abraço, meio qualquer coisa. Gosto do inteiro. As partes nem sempre formam o todo... O todo é tudo... É tudo ou nada!
E se me convidam para briga ando sempre disposta, armo os dentes faço esgrima com o lápis. Não canso, não danço no meio fio, não marco bobeira nem finjo que sou idiota. 
Faço rebelião quando me vejo enquadrada, sem saída... Porque não fico chorando no canto esperando salvação. Armo barraco mental quando entendo tão pouco das desculpas esfarrapas e dos sorrisos amarelos dizendo um não. 

*****

Eu leio de tudo, leio o mundo. Meu livro de cabeceira não é a Bíblia porque tenho uma pilha: de histórias contadas, criadas, inventadas que os loucos escreveram. Porque todo escritor é louco, maluco de jogar pedra nos pés e acertar no coração. Todo poeta é viajante... Do dia dos outros, da pintura que usa para  falar a verdade e dispor de tão pouco do seu eu, para falar que é seu. 

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E a  gente quer o mundo porque pensa que ele é grande! A gente quer o mundo porque ainda não leu do Universo! Queremos o tudo que temos, somos o mundo. Estamos no aquário, emparedados pela visão.

7 de out. de 2010

E quando...

                                                              *imagem retirada do google


E quando a gente diz em quem não vai votar e as pessoas resolvem não mais conversar?
E quando a gente diz em quem vai votar e recebe na cara uma qualificação e nos enquadram nas generalizações?
E quando a gente expõe o ponto de vista e dizem que estamos discriminando?
E quando resolvemos dizer o motivo de não votar em determinado candidato e nos chamam de babaca, burro, marginal, elitista e idiota?

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Agindo sem educação, escrevo:
Babaca é você que está só defendo seu emprego ou quer arrumar um! Burro é você que não tem o direito de discordar de seu partido e precisa abonar políticos corruptos! Marginal é você que xinga quem discorda de seu discurso que não diz nada! Elitista é você que passa o dia inteiro fazendo campanha e não precisa trabalhar! Idiota é você que está metendo a mão no fogo, sendo que os candidatos lavam as mãos.

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Aos partidários psicóticos-neuróticos-irritantes ===> Um dia vocês sentirão vergonha de rotular as pessoas. Não vai demorar muito para vocês entenderem que no máximo vocês são chatos, apedrejando a opinião dos outros, pois vocês tiram opinião do bolso! Vocês não conquistam a simpatia de ninguém e nem modificam o voto agindo de maneira estúpida, o máximo que vocês conseguem é uma gargalhada interna do papelão protagonizado. É a política estudantil de quem já saiu do colégio e da Universidade! Vocês são os culpados  por boa parte do povo detestar política e jogar o voto no lixo!
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A eleição desse ano nos roubou a educação. 

2 de out. de 2010

"Fiu, fiu" - O mito

    Dia desses fui levar meu filho no colégio, pois ele teve que ir ao médico e estava atrasado. Os alunos estavam no recreio, passava das 9:30 da manhã. Para minha surpresa escutei um assobio, aquele tipo de assobio de quem está te cantando. Olhei para o lado, confesso curiosa pois afinal de contas eu estava em um colégio, e vi um amontoado de pré-adolescentes rindo. Pensei comigo mesma que a mania de assobiar faz parte do DNA de alguns.  Continuei caminhando e escutei outro assobio ( do mesmo grupo de pré-adolescentes) e um deles falou: " Minha mãe, não era linda assim." Eu fiz uma cara de assustada olhando para eles! - Tenho diversas caras, uma para cada ocasião, e naquele momento eu devo ter inaugurado a cara de assustada master. -
    Não sei de vocês, mas eu acho muito ridículo esse tipo de assobio. Esse assobio é aquele que parece um cutucão no braço, e coisa que eu acho terrível é gente que tem necessidade de encostar em você quando conversa.  Por sinal, tenho comigo que quem gosta de escutar assobio na rua, não tem quem elogie em casa.      Reza a lenda, que se a mulher passar em uma obra e não escutar assobios é porque a aparência está terrível, eu já aconselho passar em uma obra quando se está com vontade de xingar alguém... Porque eu aproveito para destilar toda o peso do dia, xingando a mãe e as futuras gerações. Passar em uma obra é um exercício terapêutico para extravasar e testar todos os palavrões novos no mercado.
    Eu sigo a máxima que nunca vi mulher acenar ou agradecer um "elogio" na rua. O que vejo é ou a mulher ficar envergonhada, ou se sentir vulgar ou ainda xingar muito... Deixando toda a elegância descer ladeira abaixo. Nunca soube de alguma mulher que correu para entregar o telefone ou atirou beijo com a mão quando recebeu um assobio ou uma "buzinada". Por sinal se alguma criatura conseguiu êxito sendo chulo, comunique pois terei o maior prazer em reproduzir sua história de sucesso no blog.  
    O mundo está moderno demais para o meu gosto. O conceito de que é muito legal ser cantada na rua e que isso levanta a auto estima é errado. Ainda não vi mulheres emocionadas pois receberam cantadas na rua, normalmente a gente gosta de receber cantada de quem a gente gosta, namora ou casa.  Creiam, as pessoas interessantes não estão na rua  assobiando ou buzinando.  As pessoas interessantes estão ocupadas, casadas ou sem desespero de se atirar para qualquer um que passa na rua.