30 de mai. de 2010
A capacidade de reinventar
Tenho a razão do pessimista em minhas análises, geralmente guardadas para mim até que seja perguntado sobre o que penso sobre algo ou alguém. Geralmente erro, mas digamos que estou sempre me preparando para o pior. E o pior é sempre o porvir.
Vejam nossa política: os extremos de um lado e de outro crescem mais que grama depois de chuva de verão. Dessa grama brotam grilos militantes, irritantes em seu coro desfinado, cada um querendo falar mais alto não sobre as qualidades de seu preferido, mas sim das burrices do oponente. Um 'toma lá / dá cá / te devolvo depois' insuportável. A Política hoje é somente partidária, ou seja, da pior espécie. E os grilos continuam sua chata e monótona competição.
Culturalmente nossa decadência é ainda mais óbvia. Ouçam às rádios e me digam se é possível ficar sintonizado em alguma delas que seja comercial e não ficar bestificado com a baixa qualidade musical. Vão dar uma espiada nas obras de arte feitas de sucata e lixo. Leiam as poesias que nada mais são que acessos intelectualóides de ex-amadas(os) amarguradas(os) sofrendo a dor do corno, que Lupicínio, este sim, sabia cantar e poetar de dar dó em quem o ouvia ou lia.
Estamos sofrendo da falta de capacidade de reinventar e reciclar valores antigos, historicamente provados como bons. Ao invés do rapazinho estudar nossa MPB e seus ícones, copiam o jeito meloso e baixo nível de grupelhos sem qualquer noção do que seja arranjo, melodia e canção. Leem as orelhas de um livro e tornam-se doutos dos saberes ali contidos, entre capa e contracapa. Acham maravilhoso Godard, mas o que esperam ansiosamente é a Guccy de quatro desamadas, chatas.
Temos que educar. Insistir que nossos filhos leiam e invés de deixá-los assistir Pokemón, por que não um dos clássicos da Disney, que depois podem ser lidos de outras maneiras em livros mil? Escutar Calypso, meu filho, te deixa insano/idiotizado, assim como funk te mostra a pobreza musical em seu extremo. Vá ouvir Maria Rita, por exemplo, uma das poucas representantes da nova MPB que conseguem destaque.
Não é necessário ser patriota nem nacionalista para separar o joio do trigo da boa cultura nacional. Inclusive é completamente démodé taxar pessoas disto ou daquilo, pois a tal liberdade de expressão (sarcasticamente hoje um eufemismo de libertinagem de pensamentos) lhe permite assumir que tudo seja normal.
Se é assim - podemos acreditar que andar de pés para o alto é normal -, por que então insistem no feio, no pobre, no ridículo? Vamos assumir que podemos ser normais mesmo sendo nostálgicos, saudosistas ou mesmo um desavisado que goste de coisas boas e ensinar aos mais novos que existe sim luz no fim do túnel, que inevitavelmente passa pelo bom-gosto, pelo bom-senso e pela educação.
Eu não acho possível recolocar o Brasil nos trilhos da real brasilidade, onde o samba de roda convivia pacificamente com a música popular e com o bom rock em nossas rádios. Também penso que só aparecerão grandes escritores hoje em dia se ensinarmos secundaristas a ler novos autores. Isso sem falar de pintores que façam poesia em tintas...
Como disse antes, me preparo para o pior. Mas bem lá no fundo, quem sabe, haja esperanças querendo aflorar, mesmo que estejam tão enterradas que não veem a luz do sol há muito, muito tempo.
6 de set. de 2009
Os falsos ídolos

Aqui em casa as coisas geralmente são discutidas de forma apaixonada. A Letícia tem uma maneira mais "nova" de ver as coisas, enquanto eu, já passadas mais de 40 primaveras, lembro ainda dos livros de Moral e Civismo dos tempos da Ditadura.
Protesto MST faz ato em defesa de Rainha, que está foragidoPublicado em 12.11.2006, às 20h30Cerca de 300 integrantes do Movimento dos Sem-Terra (MST) realizaram nesse sábado à noite, em Teodoro Sampaio, no Pontal do Paranapanema, uma manifestação contra a ordem de prisão do líder José Rainha Júnior. O ato teve a participação de políticos ligados ao PT e sindicalistas da Central Única dos Trabalhadores (CUT).(publicado no JC de 2006/11/12 - página hoje fora do ar)Esta é mais uma prova da realidade dos valores morais nestepaiz. José Rainha é um bandoleiro e merece sim estar na cadeia. Mas o PT, a Pastoral da Terra e sindicatos preferem fazê-lo mártir de uma situação criada para fomentar o ódio do povo (entenda-se aqui povo como qualquer desocupado do campo ou cidade que não tenha escrúpulos para se juntar ao seu bando) contra a burguesia (burguesia aqui representada por donos de terra).É a mesma balela de sempre: queremos terra. Terras improdutivas. Etcéteras mil. Tudo papo-furado.Somente 10% dos assentamentos criados para essa gangue vão para frente, mesmo com os subsídios criados pelos governos anteriores. Esses 10% são chamados pelo MST de "dissidentes", uma vez que querem mesmo um pedaço de chão para criar dos seus e não mais ficar morando em acampamentos, onde são "doutrinados" a ser o bebê que chora, mas não mama, nem quer as tetas gordas providas pelo governo. Tem que aprender a chorar, não mamar.No Brasil temos um grande problema ao lidar com esses pseudo-mártires: Lampião era um bandido, mas até estátua querem dele. Teve o fim que mereceu. Essa história da carochinha de que ele foi um Hobin Wood do sertão não engana a qualquer pessoa com um mínimo de bom-senso. Outra recorrente pe a tal Olga Benário, bolchevique enviada para transformar este país em mais uma republiqueta vermelha, mas que até livros, operetas e artigos mil a chamam de companheira. Ridículo, uma vez que até mesmo seu marido endossou Getúlio Vargas depois dele a ter enviado para a morte em campos de concentração.José Rainha está com um pé-sujo neste rol de personalidades brasileiras. Foi julgado culpado em vários processos, mas continua recebendo apoio e cobertura de ações. Ele é cumpanhêro do prizidente né? Esse, que luta contra o direito de posse de terras herdadas desde gerações, se acha no direito de determinar quem deve ou não ser proprietário.Não sou mesmo contra o MST. Sou somente contra os 90% que nem sabem direito o que fazem ali. Como sempre, vou a favor da minoria, dissidente.
Pelas datas vê-se que nada muda e o mais novo ídolo, agora uma paixão semi-nacional e não mais relegada aos estudantes de esquerda, é Che Guevara. Outro dia a Letícia estava comentando que leu em um dos blogs que Che foi um dos fundadores do PT e fora morto em uma greve dos metalúrgicos.
Me refiero a la noción de que hay hombres "imprescindibles'', en el sentido totalitario y aniquilador, en el sentido supremacista y cercenador de la individualidad, que supo darle ese prodigio de deshonestidad intelectual que fue Bertolt Brecht.Esa idea de que hay salvadores hechos de una estofa moral superior que les otorga poder de vida y muerte sobre los demás, halaga el integrismo enfermizo de todo buen salvaje de izquierda cuando coloca un disco de Silvio Rodríguez y se extasía escuchando que el Che era "un animal de galaxias'', un filántropo guerrero, que comprendió que ``la guerra era la paz del futuro'', y que "iba matando canallas con su cañón de futuro''.
Antes de engrandecer ícones que são infelizmente populares, estude História. Os lampiões, ches, olgas e mesmo os bandidos da Luz Vermelha que mereceram filme (assim como Tenório Cavalcante), devem não ser esquecidos, mas colocados em seu real lugar, que é porão do mau exemplo dado. Foram, são e sempre serão bandidos. E, até onde chega meu entendimento das coisas, assassino só serve de exemplo para aqueles que pensam em trilhar seu mesmo caminho ignóbil.
19 de mai. de 2009
O que é Cultura afinal?

31 de out. de 2008
Dia de quê mesmo?

WikipediaInicialmente retratado como um endiabrado, é uma criança indígena, com uma perna e de cor morena, com a diferença de possuir um rabo.
Na Região Norte do Brasil, a mitologia africana o transformou em um negrinho que perdeu uma perna lutando capoeira, imagem que prevalece nos dias de hoje. Herdou também a cultura africana do pito, uma espécie de cachimbo, e da mitologia européia, herdou o píleo, um gorrinho vermelho.
Considerado uma figura brincalhona, que se diverte com os animais e pessoas, fazendo pequenas travessuras que criam dificuldades domésticas, ou assustando viajantes noturnos com seus assobios. O mito existe pelo menos desde o fim do século XVIII. O saci não tem amigos, vivendo solitário nas matas. Também conhecido como menino de uma só perna.
Hoje, pelo calendário de datas comemorativas brasileiro, seria comemorado o Dia do Saci.
Apesar disso, como nós brasileiros somos um povo sem cultura, comemoramos o tal halloween.
Seja para parecermos um pouco cultos, seja para fazer de conta que falamos inglês ou mesmo porque sejamos um bando de desmoriados quando o assunto é cultura nacional, vamos atrás de travessuras ou doçuras.
Eu, que adoro o folclore nacional e seus membros desmembrados portadores de deficiências físicas (o saci e a falta de uma perna, o curupira com seus pés ao contrário, a mula que não tem cabeça), me irrito com essa investida da (pouca) cultura americana em nossas paragens.
Como escreveu a Lunna em seu blog:
Aqui em São Paulo há uma combinação de elementos vários: italianos, alemães, japoneses, judeus, chineses e muitos outros povos, cada qual com a sua cultura. Por assim dizer há espaço para tudo.
Óbvio que é assim e sempre será. Em qualquer local onde se instale um costume diferente, este torna-se interessante. Se for divertido, religioso ou simplesmente "legalzinho", os locais acabam por se envolver no assunto, assimilando, modificando e recriando sobre esse costume.
Porém, se pode notar que os povos citados pela Lunna instalaram-se aqui, fazendo parte da grande e miscigenada Nação brasileira. Tornaram-se parte de nosso contexto de nacionalidade, de nossa genética, que é o de ser afável e chegado em uma festa.
Quanto ao halloween, lá nos Estados Unidos uma festa comercial (leia aqui. Minha irmã mora lá, logo sabe do que fala), aqui está sendo transformado em uma importação de cultura.
Posso lhes afirmar que de cultura não há nada em comemorar seres do além. É uma má interpretação de um tema mais antigo com fundamentos outros que nada tem a ver com o que se faz hoje em dia (a explicação disso está naquele primeiro link, no topo do texto, e no blog de minha irmã).
Existem ótimas culturas espalhadas pelo mundo e foram, utilizando-se talvez o conceito histórico que prega que o conquistado aprende e se utiliza dos costumes do conquistador, justamente escolher a pior delas. Que tal instituir então o dia do selkie (Os Selkies são duendes marinhos encontrados em torno das ilhas Órcades (Orkney), Feroé e Shetland. Selkie significa "seal" (foca) e é comum ver as tais criaturas nessas paragens; o nome Órcades procede do escandinavo antigo "Orkneyjar", que significa "Ilha das focas"-fonte).
A título de informação: o dia do Folclore é comemorado a 22 de agosto. Por conta da tal blogagem coletiva ( óh céus, ainda fazem isso!), tem gente misturando a proposta de quem montou a tal blogagem (assimilação de culturas), com a assimilação de folclore, coisas completamente diferentes.
Quebrem a vassoura das bruxas, crianças. E vão fazer um carinho no saci que ele merece. E não esqueçam de ser politicamente incorretos e levar o fumo para seu cachimbo.
