19 de mai de 2009

O que é Cultura afinal?


Antigamente (beeeem antigamente), quando eu era criancinha pequena, cultura era aquilo que ou saía da vitrola ou da televisão (preto e branco, com um "filme azul" sobre a tela para que parecesse colorida....). 

Por ser sobrinho do seu Clóvis,  rei de muitas gandaias, fui iniciado nos tais Beatles e Rolling Stones bem cedo, além de samba de primeira - o dito cujo, já falecido há muito, tocava pandeiro nas noites da paulicéia desvairada -, Suzy4 (louca e rouca) e outros muitos mais. Tem o lado podre, claro, que é o Roberto Carlos de minha mãe, mas também tem o Elvis do meu pai. Enfim, fui criado ao som de tudo que havia a disposição à época.

Pela TV - lembro quando chegou a primeira em casa - existia a Vila Césamo e a TV Globinho, apresentado pela ex- lindíssima e atual gordíssima Paula Saldanha. Seriados do Columbo e Família McMillan, "Farveste" na Record, como dizia meu avô...Nós e o Fantasma na TV Cultura!

Depois a gente crescemos, manja? E ficamos cada dia mais influenciado pelo meio. Virei comunista aos 12 e comprava escondido livros da Clarice Lispector na Estação da Luz, única banca que eu conhecia que vendia livros censurados. Não, eu nunca li Clarice Lispector...O barato era infrigir a Lei dos Militares...Os mesmo que hoje acho que deveriam dar um golpe e tentar de novo. Mas nas idas e vindas, absorvi cultura: li alguma coisa do Marx e Engels, assumi que adorava Agatha Christ, Júlio Verne, Conan Doyle, etcéteras mil. Virei leitor compulsivo, mesmo não lendo Clarice Lispector. Na escola ainda se ensinava Moral e Civismo, o que quer dizer que o nacional era melhor; tome leitura machadianas e afins, além das coletâneas "Para Gostar de Ler", onde se via Rubem Braga, Fernando Sabino... Isso tudo para a prova " E quero saber exatamente que fim levou Visconde de Taunay!" dizia a professora que ainda não era "tia" de nenhum aluno. E dá-lhe folclore nacional com seus personagens deficientes físicos.

Cresce-se e aprende-se...Ou não! Peguei um caminho estranho que me levou a estudar a reliagião e a religiosidade do povo. Bíblia, diziam, era um livro para se ler em pequenas doses. Dizia-se também que quem lia a Bíblia inteira em uma sentada só, ficava louco. Sou prova de que isso pode tanto ser verdade ou mentira, dependendo de sua opinião a meu respeito. Lia ao menos 5 vezes, para não entender o que havia de tão bom ali. Um livro histórico sim, cheio de erros históricos e claramente manipulado. O Livro do Mórmon? Li. A Senda Octupla? Li. Alcorão, Evangelho em diversas traduções,  Gilgamensh, devorei tudo. Paralelamente lia os Apócrifos, esotéricos, lamaistas, etc. Desisti de tudo e fui tomar um Jack Daniels sem gelo, não sem antes perceber que o que vale é o que você é, não a religião que você pratica. Eu não pratico nenhuma e estou ótimo assim.

Só adulto percebi que o que se aprende e se carrega mesmo é a exposição involuntária ao meio. É a convivência com opiniões de muitos que dá o caldo multi-facetado de tantos sabores da cultura. Um repentista do Nordeste tem para mim tanto valor quanto Chopin. Um cordelista, com seus infindáveis quartetos, pode muito bem se passar por Camões, se aprender a rebuscar o texto - e deixá-lo chato, diga-se de passagem.

Esse texto longo e também chato é para expressar minha opinião sincera sobre o que é cultura: é a troca de tradições. A vivência e a doação de um saber regional, que pode ser desde uma apresentação de coco no NE até a gauchada batendo as botinhas em um CTG nos Estados Unidos.

Cultura não pode ser somente aquela que fica atrás de grades em galerias. Temos que aprender a vivenciar a cultura que habita e transita nos corpos passantes. Cultura nada mais é que o conhecimento de algo que se ensine ou se mostre, levando em troca risos, aplausos...Ou uma moedinha no chapéu.

Fui.


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