24/01/2011

Cia-Calma Beth! Ministrando Efeito Placebo no Ego Alheio - Texto de Letícia Coelho e David Nóbrega

19/01/2011

"No meio do caminho tinha uma pedra..."

                As altas horas das silenciosas noites veracruzenses, quando pode-se facilmente sair de casa sem medo de assaltos por simplesmente não existir nenhum humano vagando pelas ruas, é o momento propício para que minha esposa e eu discutamos os acontecimentos do dia que se passou, assim como o planejamento para a próxima batalha, geralmente regados a um bom chileno, que ninguém é de ferro. Dizem que viver é matar um leão ao dia e eu discordo: São legião.

                A noite de ontem não foi diferente. Após um ótimo filme chinês sobre Confúcio, continuamos sentados debatendo sobre o tudo do nada, o vazio de cada meio copo e etcéteras. Nenhum assunto é desimportante quando a parte contrária do debate é o que realmente interessa; assuntos são de menos, desde que estejamos juntos. Papo vai, papo vem, e acabamos falando sobre nossa horta. Ao ali me dedicar, transpiro os excessos e o stress do dia. Juro que se acreditasse em divindades, optaria por uma visão junguiana com sua Mãe Terra, Gaia. O verde das terras é bom, o marrom da  terra é ótimo e o vapor que se forma sobre a pele leva consigo o mal e o veneno das energias negativas, colhidas ao longo da vida.

                Pois estava ali, refazendo meus canteiros. O pepino e o tomate deram o que tinham a oferecer, hora de arrancar os pés ressequidos e sem frutos e reavivar a terra. Primeiro lance do enxadão deu de topo em uma imensa pedra que eu havia me esquecido da existência. Logo quando cheguei aqui e comecei nossa plantaçãozinha, já havia me encontrado com ela. Decidi que era hora de dar um basta nesses encontros e, contornando-a, achei espaço suficiente para enfiar uma alavanca. Fiz com que aflorasse, com seus 50cm de lado, 20 de altura e um peso que acredito bata os 120 quilos. Granito puro. Chamei dona Letícia para ver o feito e quem sabe receber beijinhos de parabéns, mas apesar do lindo sorriso de covinhas, percebi que algo não estava lá muito bem. Tendo que terminar o que estava fazendo, esqueci do assunto, até nosso bate-papo da noite.

                "Fiquei decepcionada com a pedra"— disse a mais amada das mulheres. "Por quê?", quis saber eu. "Ahhh, sei lá... Achei que quando tu levantasses a pedra haveria algo embaixo. Tipo algo antigo, como ferramentas ou uma caneca de barro...". Respondi que não havia nada, a não ser outra imensa pedra, tão grande quanto a primeira. Mas essa conversa aparentemente fútil me deu algo a pensar...

                Nossa vida é assim, não é? Remover pedras. Carregá-las para onde não estorvem ou, como no meu caso, usá-la como apoio de um vaso, que é o que pretendo fazer. E sempre haverá outra pedra a ser removida, com maior ou menor movimento de terra e consequente trabalho.  As costas podem ficar doloridas, uma distensão chata no ombro, mas se navegar é preciso, imaginem tirar pedras do caminho!

                Houve um tempo em que eu me preocupava muito mais em dar voltas às pedras que me apareceram pelo caminho, contornando dificuldades ou acreditando assim agir. Hoje prefiro encarar . Existe um momento em nossa vida que precisamos nos conscientizar de que somos exemplos para nossos filhos, somos guardiães de quem amamos. E pelo Leonardo, Guilherme, Lucas e Letícia, desencravo uma montanha com meu enxadão e a carrego nas costas.

(* para quem não sabe, embora ache meio impossível, o título é de lavra do bom velhinho Carlos Drummond de Andrade) 
               

13/01/2011

Geração B


                Quando a internet ainda era conhecida com BBS e você tinha que pagar os tufos pelo acesso, quem navegava o fazia por dois motivos: aprendizado e troca de ideias. Funcionava como o twitter hoje, pois você tinha um custo/minuto de uso imenso, então não havia como escrever textos grandes como este que tens agora sob os olhos.
                O advento da internet e sua popularização fez germinar  a livre e rápida informação, nem sempre verídica. Uma revolução que atingiu seu ápice quando os blogs entraram na moda. Poder comentar os textos alheios e ao mesmo tempo receber opiniões sobre suas ideias, expressar seu sentimento sobre algo, alguém. Testar literatura de lavra própria. Os blogs incrementaram a interação até então circunscrita aos chats e fórums.
                No bojo desse contexto blogueiro, pariu-se uma espécie de gente imprestável: o babaca que sabe escrever, mesmo que porcamente. Antes, administradores de blogs e coordenadores de bate-papo tinham o poder de excluir do convívio dos usuários essa pessoa chata, sempre com uma opinião errada e completamente off-topic, como costuma escrever. Eram banidos, os babacas. Nos blogs, se o seu sistema de comentários não está devidamente configurado, o babaca escreverá sobre seu (dele) ódio racial, sua homofobia, sobre política partidária.... Mesmo sendo seu texto uma receita de bolo, que obviamente ele não leu. O babaca não é criterioso: insinua-se em qualquer fresta, como barata cascuda.
                Essa tendência em ser babaca tem ganho forma de revolução, principalmente em redes sociais. Orkut, com suas medonhas 'comunidades', facebook, twitter... Qualquer ajuntamento de internautas é um prato cheio ao babaca. Além da longevidade, babacas procriam como ratos, ninhadas a cada novo mês.
                Depois do preâmbulo, o fato:
                Estávamos, minha esposa e eu, navegando pelo Facebook ontem, quando uma montagem fotográfica que deprecia a pessoa Marcela Temer (sem títulos, já que qualquer um é merecedor de respeito, independente de cargos que ocupe). Adivinhem quem vem para comentar? O babaca. Vários deles, incluindo o autor, fã de trocadilhos irritantes. Uma verdadeira vara de desocupados, todos com fotografias aparentando acima de 40 anos. O que antes era inerente à adolescência, babaca hormonal, exaltado e restrito em sua maioria ao Orkut, virou febre de senhoras e senhores, esses sim babacas compulsivos, doentes. O mais estranho é que a verborragia do babaca possui simancol tardio, já que após alguma confusão com não-babacas (uma minoria mentalmente sadia), correm lá os 'comentaristas' a apagar suas ideias tortas e ridículas. Sim, não sou babaca e sou previdente, assim salvei os comentários antes da 'revisão' promovida tardiamente. Na próxima, pensar antes de escrever é uma boa sugestão, já que os denunciei ao Safernet.
                Outro caso parecido ocorreu no jornal-mentira "O Sensacionalista". Um site extremamente divertido. Inteligente. Fala-se em uma matéria sobre pedalinhos nas enchentes de São Paulo. O babaca feliz aparece, destilando o ódio racista contra nordestinos.
                Eu lhes pergunto, babacas, não-babacas e simpatizantes alheios a meus rótulos: quando essa ignorância acobertada pelo anonimato da internet terá fim? Sim, sou contra a censura prévia de conteúdo ou acesso a qualquer material que seja, mas por que a tal privacidade, que protege o pedófilo, o golpista e todo quanto é tipo de babaca -- na maioria das vezes um criminoso gestacional?
                Anonimato não quer dizer privacidade. Privacidade não que dizer liberdade. Liberdade não quer dizer libertinagem.
                Os não-babacas logo serão procurados a peso de ouro, por sua raridade. E espero que sejam esses os sobreviventes no futuro.
               

09/01/2011

Um recado para a sanidade



Porque os loucos  fazem castelos de cartas que em um piscar de olhos se transformam em poderosos tijolos que não caem com um chute. E quem é louco de chutar tijolos? Pois te digo que além de chutar, consigo moer com o poder do pensamento e é mais fácil que ganhar um jogo de truco do gaudério da fronteira, mais fácil que enfrentar areia nos olhos em dia de tempestade, porque parece que a gente tem imã para atrair toda a areia para os olhos e não enxergar... Nada além da malandragem da duna.

Porque diziam que ele era louco por dizer sim, e a gente diz sim para tudo quando quer. Arrisca, petisca, dança e tomba tipo pássaro morto por raio no chão... Mas diz sim. Vive mais que a própria linha da vida aguenta e desgasta a maldita cartomante que disse: "não vai dar certo!" A gente rivaliza com o tempo, e destruiu a distância, sim... A gente descobriu que toda manhã é tempo de dizer que ama e ama mais que a boca aguenta e o dia permite. A gente ama.

E a gente escutou muito que estávamos loucos, porque viver dentro do conforto do que acha que construiu é lindo, começar de novo, os mesmos erros? As pessoas que se tornam todas insuportáveis com a convivência? Tudo de novo? Pois, diariamente a gente provou que a teoria é diferente da prática! E se dane manual de instruções para a vida, para os relacionamentos... Danem-se todos os fodidos que garganteiam saber como funciona o amor e os relacionamentos. Danem-se os prejudicados pelo convívio, pela falta de compatibilidade e os que odeiam a rotina. Façam terapia!

E se ser louco é amar e construir castelos improváveis de cartas que se transformam em tijolos, sou louca... E sou louca de pedra, varrida, doida completa... Tão maluca e assumida que fico feliz em ter encontrado alguém mais maluco que eu: tu meu, David. Te amo e arrisco, furando todos os ditados que dizem: "nunca diga..." Pois eu digo: Me apaixonei por ti, para sempre.

( Comemoração adiantada de aniversário de escovas de dentes juntadas. Quem conta? )

07/01/2011

Eu x Moda

Tenho dificuldades absurdas em entender de moda. A moda realmente não atende minha necessidade, uniformiza e ainda deixa o povo estranho na rua. Tenho absoluta certeza que essa aversão nasceu quando eu tinha dez anos de idade, e a moda era cortar o cabelo em estilo "V" parecido com o da Luciana Vendramini. Pois... Eu que tinha o cabelo liso e escorrido, resolvi fazer o corte, consegui deixá-lo revoltado, não ondulado -- virou algo que não me pertencia e nem de longe lembrava o cabelo da Luciana. Depois desse corte, meu cabelo cresceu estranho e continua assim até hoje. A partir dessa época percebi como era impossível ficar parecida com os outros, logo aceitei: essa sou eu e esse é meu cabelo destruído.
                Não sou o tipo de pessoa que tem prazer em fazer compras, muito pelo contrário: eu detesto, não sinto alegria e é irritante. Se preciso fazer compras, vou com objetivo e não para olhar vitrine. No Natal, tive que sair para comprar um sapato bonito para combinar com o vestido lindo que ganhei do maridão. Era simples o vestido, estampado em azul e branco, eu só precisava de um sapato branco ou azul. Não encontrei nada básico, só coisas medonhas, com plataformas ridículas e cores misturadas. Na dúvida, comprei um chinelo havaianas branco ( porque é chinelo, não é sandália), já que desisti de procurar pelo tal sapato quando meus olhos se chocaram com um estampado, azul bebê, com tiras cor de rosa e plataforma cheia de flores. Fiquei perguntando mentalmente "Quem usa isso"? Reparando no pé do povo, a única que estava fora da "moda" dentro da loja era eu.
                Cada um usa o que quer e eu concordo muito. Mas onde estão as bolsas simplérrimas sem tiras, algemas, correntes e demais penduricalhos? Cadê os sapatos que não estão usando fantasias? O que são aquelas calças que parecem mijões de criança e aqueles vestidos curtos que parece que perderam um pedaço?
                Pois... E a moda agora é usar esmalte colorido...Pessoas, sou da época que a gente usava esmalte branco misturado com tinta de caneta colorida para ter todas as cores. Lógico que o esmalte colorido é bacana, eu sempre gostei, mas nunca pensei que viraria algo digno da moda.
                Sabem a moda bizarra de passarela? Parece que invadiu as ruas, e eu estou rezando para ninguém acoplar urubu no penteado, porque daí realmente será algo de tirar fotografia e deixar guardado para em um momento de tristeza, olhar a imagem e gargalhar durante uma semana.

03/01/2011

"Uma linda mulher", versão (babaca) nacional

 Foi só a mulher de Temer, Marcela, aparecer na televisão para começarem a desqualificar a moça. Não entendo se é inveja dele ou dela, mas é algo chato de se ler. Daí eu pergunto o que as pessoas tem com a vida deles? Automaticamente, Marcela Temer foi classificada como aproveitadora (para não usar as palavras com que muitos "entendidos" a tem qualificado)  por causa da diferença de idade entre eles e/ou o bolso dele – como se todos os que comentam sobre sua beleza e o provável uso dela soubessem de sua história bancária antes do casamento. Novamente, o que alguém tem com isso? Sendo ela mais nova significa "com certeza absoluta" que ela só se interesse pelo dinheiro do marido? O mundo pode evoluir mas as pessoas não, e o que vemos é um bando de cabecinhas sem qualquer noção ou bom-senso proferindo estereótipos gastos, vistos principalmente nas novelas, aquelas que "ninguém assiste". Se você é partidário dessa opinião, uma dica: Pare de assistir novela. Essa praga está invadindo sua mente. Nem toda moça mais nova se apaixona pelo "velho" por causa de dinheiro; a vida real meus amigos, é bem diferente.
                A gente precisa entender que nem todos pensam da mesma maneira. Se você se casaria com alguém por grana, não significa que todas as pessoas do mundo tenham coragem – ou cara de pau -- de fazer o mesmo. A vida é muito fácil quando limitamos a nossa visão torta e podre... Nem todos são iguais.
                O que mais me chateou foram as mulheres... Óh, as mulheres tão comprometidas com sua causa (oi?), questionando a integridade de uma mulher que nem conhecem. Outras foram além e catalogaram a feiúra... Comparando primeiras damas de Estados com a beleza de Marcela. E quando digo que mulher bonita carrega o estereótipo de burra, pistoleira e prostituta muitos dizem que é uma inverdade, mas daí basta surgir a oportunidade para o pensamento encruado dos folhetins aparecer.
                Dome seus preconceitos, tire a viseira e imagine se fosse com você. Quando é com a gente o preconceito, a coisa é diferente... O mundo precisa mudar, o pensamento dos outros é absurdo e o planeta está beirando a loucura geral.
                Preconceito é uma merda e quem cataloga os outros é porque tem dificuldade absurda de alcançar o espelho. Não se reprima, suba em um banquinho e se olhe, cure seus preconceitos, coloque saia curta e seja tratada como um pedaço de bife, use tatuagem e seja tratado como bandido, maquie-se negro e veja os outros atravessando a rua, ande de cadeira de rodas e veja as pessoas olhando torto porque você está atrapalhando o caminho, ou se case com alguém mais velho e com dinheiro... Você será tratada como aproveitadora. E não é isso que acontece? Não... Imagina, já evoluímos isso tudo é ironia. ( Aham, sei...)
                Já desconfio que para mudar o pensamento tacanho, deveria ser necessário pedir aos escritores de folhetim que mudassem as tramas das novelas. Mesmo porque "ninguém assiste", não é verdade? Mas o problema não são só as novelas, o problema é de educação, coisa cultural no País do carnaval. Logo lemos textos sobre a "cama e o poder" nos grandes veículos de comunicação, provavelmente farão pesquisas importantíssimas para levantar quantas pessoas se casam com parceiros mais velhos, daqui a pouco vão entrevistar o cabelereiro de Marcela Temer ou ainda achar alguém para fazer uma grande revelação bombástica, que não vai mudar a economia do Brasil, sobre o passado da moça. 
             Triste, né? Pois, imagine se fosse com você!