13 de jan de 2011

Geração B


                Quando a internet ainda era conhecida com BBS e você tinha que pagar os tufos pelo acesso, quem navegava o fazia por dois motivos: aprendizado e troca de ideias. Funcionava como o twitter hoje, pois você tinha um custo/minuto de uso imenso, então não havia como escrever textos grandes como este que tens agora sob os olhos.
                O advento da internet e sua popularização fez germinar  a livre e rápida informação, nem sempre verídica. Uma revolução que atingiu seu ápice quando os blogs entraram na moda. Poder comentar os textos alheios e ao mesmo tempo receber opiniões sobre suas ideias, expressar seu sentimento sobre algo, alguém. Testar literatura de lavra própria. Os blogs incrementaram a interação até então circunscrita aos chats e fórums.
                No bojo desse contexto blogueiro, pariu-se uma espécie de gente imprestável: o babaca que sabe escrever, mesmo que porcamente. Antes, administradores de blogs e coordenadores de bate-papo tinham o poder de excluir do convívio dos usuários essa pessoa chata, sempre com uma opinião errada e completamente off-topic, como costuma escrever. Eram banidos, os babacas. Nos blogs, se o seu sistema de comentários não está devidamente configurado, o babaca escreverá sobre seu (dele) ódio racial, sua homofobia, sobre política partidária.... Mesmo sendo seu texto uma receita de bolo, que obviamente ele não leu. O babaca não é criterioso: insinua-se em qualquer fresta, como barata cascuda.
                Essa tendência em ser babaca tem ganho forma de revolução, principalmente em redes sociais. Orkut, com suas medonhas 'comunidades', facebook, twitter... Qualquer ajuntamento de internautas é um prato cheio ao babaca. Além da longevidade, babacas procriam como ratos, ninhadas a cada novo mês.
                Depois do preâmbulo, o fato:
                Estávamos, minha esposa e eu, navegando pelo Facebook ontem, quando uma montagem fotográfica que deprecia a pessoa Marcela Temer (sem títulos, já que qualquer um é merecedor de respeito, independente de cargos que ocupe). Adivinhem quem vem para comentar? O babaca. Vários deles, incluindo o autor, fã de trocadilhos irritantes. Uma verdadeira vara de desocupados, todos com fotografias aparentando acima de 40 anos. O que antes era inerente à adolescência, babaca hormonal, exaltado e restrito em sua maioria ao Orkut, virou febre de senhoras e senhores, esses sim babacas compulsivos, doentes. O mais estranho é que a verborragia do babaca possui simancol tardio, já que após alguma confusão com não-babacas (uma minoria mentalmente sadia), correm lá os 'comentaristas' a apagar suas ideias tortas e ridículas. Sim, não sou babaca e sou previdente, assim salvei os comentários antes da 'revisão' promovida tardiamente. Na próxima, pensar antes de escrever é uma boa sugestão, já que os denunciei ao Safernet.
                Outro caso parecido ocorreu no jornal-mentira "O Sensacionalista". Um site extremamente divertido. Inteligente. Fala-se em uma matéria sobre pedalinhos nas enchentes de São Paulo. O babaca feliz aparece, destilando o ódio racista contra nordestinos.
                Eu lhes pergunto, babacas, não-babacas e simpatizantes alheios a meus rótulos: quando essa ignorância acobertada pelo anonimato da internet terá fim? Sim, sou contra a censura prévia de conteúdo ou acesso a qualquer material que seja, mas por que a tal privacidade, que protege o pedófilo, o golpista e todo quanto é tipo de babaca -- na maioria das vezes um criminoso gestacional?
                Anonimato não quer dizer privacidade. Privacidade não que dizer liberdade. Liberdade não quer dizer libertinagem.
                Os não-babacas logo serão procurados a peso de ouro, por sua raridade. E espero que sejam esses os sobreviventes no futuro.
               

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