30/03/2010

Pequenez

Antes de escrever algumas ideias, vamos a alguns fatos:

1) Sou branco;
2) Sou heterossexual;
3) Tenho amigos coloridos e de todas as cores;
4) Não participo, perticipei ou virei a participar de um reallity show, nem sigo o Boninho no twitter.

Afora os fatos acima expostos, há mais um de extrema importância: não sou cego.

Continuando sobre a tendência sem tons de cinza do post anterior,  noto uma grande confusão de valores de alguns setores, de vez em quando chamado minorias. Mas não são "as minorias" e sim um grupo que de certa forma responde apartado de seu meio, fazendo-se ouvir por meio de dedos em riste e gritos escandalosos. Esse, contrariamente à minoria-padrão, são aqueles que são mais conhecido por sua pequenez.

As minorias ( sejam elas de cunho religioso, raça, orientação sexual ou mesmo econômica) tem porta-vozes definidos, que pautam suas afirmações com bom-senso e só reagem mais grosseiramente quando atacados de maneira indevida. Aqueles que seguram a bandeira da pequenez não conseguem atingir ao nirvana intelectual ou moral, assim permeia suas afirmações, sempre categóricas, com citações às leis criadas ou por criar e com palavras de ordem a cada dia de mais mal gosto.

Ontem, Ricky Martin assumiu sua homossexualidade. Para nós, heterossexuais e para os amigos homossexuais com quem tenho mais afinidade, isso era fato há anos. Pode ser que você pense que isso é machismo, mas se um homem gay me diz que ele (Ricky Martin) é gay, eu acredito.  Aí eu lhes pergunto: Isso lhe interessa? Altera sua vida saber a preferência sexual de alguém? Para quem é fã do cantor pela "qualidade" de suas canções, vai deixar de comprar ou baixar de forma pirata seus cd´s? Não não é mesmo? Ou vai passar atestado de ignorância, dizendo que só gostava dele porque era lindo, enquanto heterossexual?

Homossexualismo é uma opção não necessariamente do ocupante do corpo mas sim do próprio corpo, por isso nada mais óbvio que tratá-los como se fossem de outra orientação qualquer. O que se deve evitar é a pequenez em se dizer que aqueles que são heterossexuais sejam, claro como a água, contrários ao estilo gay de viver.

As preferências de cada um compõe sua individualidade. Escalas de cinza, que em determinados podem ser multicoloridas, mas compete somente ao indivíduo.

Aí, seguindo a timeline deste blog no twitter, vejo referências ao tal Dourado. Homofobia e outras tantas coisas, que me obrigam a querer saber quem é o fulano.  O cidadão disse que a AIDS é consequência de atos gays. Disse também que tem orgulho de ser heterossexual. Ah sim, ele tem uma suástica tatuada.

Entra em campo a PPPC: Patrulha da Pequenez Politicamente Correta. O cara, o tal Dourado, é um lutador literal. E ignorante. (Diferença primordial que sempre digo: burro não quer aprender, ignorante não sabe, mas pode aprender) ao ponto de não saber como a AIDS é transmitida, não sabe o que significa para a contemporaniedade humana uma suástica e nem se manca do absurdo de se declarar macho.

Como Dourado, sou branco e heterossexual. E também como ele, sou ignorante em vários assuntos, devendo compreender de forma correta menos de 1/1.000.000 das coisas como elas realmente devam ser.

Por isso, patrulheiros da pequenez humana, já lhes confiei quem sou e como sou. E também disse que não sou cego, nem físico, nem moral.

No dia em que esses bichinhos antipáticos chamados seres humanos começarem a prestar mais atenção à pessoas como um todo, ao contrário de buscar uma fonte de ódio ou falsa compaixão  a vida será mais calma e sossegada, sem a necessidade de um auto-policiamento por medo das investidas do PPPC.

Que cada um tome conta de seu nariz e que, se existem faltas a serem sanadas, que sejam apontadas respeitando a natureza de cada um, sem dedos que acusam com nenhuma sensatez e sem gritos pelos megafones, fazendo de vítima de uma sociedade que ultimamente precisa mais se preocupar em evitar o erro do que tentar o acerto.

Viver a vida é basicamente confrontar opiniões, crenças e diferenças outras quaisquer que sejam. Respeitar o diferente é reseitar a moral... A sua moral.




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26/03/2010

Falta cinza em nossa vida

João Paulo II era o papa pop, será ainda santificado pela Igreja Católica. Bento XVI é o nazista, retratado nas piadas como o lado negro da força, o vilão Darth Vader.

Bush era o burro. Obama a salvação. Isso há coisa de apenas 1 ano. Hoje Obama já é racista, muçulmano e anti-americano.

A Ditadura Militar era uma máquina monstruosa. A Democracia é boa, saudável e completamente livre de opressões, prisões e afins.

Ou você é Dilma ou Serra.

Notem, nos pequenos exemplos acima, que nos dias atuais existem apenas dois lados da moeda em uma vida que na realidade é um grande jogo de dados, com uma enorme quantidade de lados e combinações possíveis. Ou você é preto ou branco, sem as sempre necessárias nuances e tons de cinza, formando o que poderíamos talvez chamar de convivência social.

Mesmo dentro de um relacionamento, onde marido e mulher passam do amor ao ódio e retornam à mais terna paixão existem concessões, negociações, bolinações e outros incontáveis tipos de "ões". Qualquer um que já passou por isso sabe que sem extrema paciência e força de vontade é impossível conviver. Em nosso dia a dia então, as coisas tendem a ser uma verdadeira Babel de opiniões e situações (mais "ões"), onde tentamos de toda maneira possível manter a cabeça fria, para acabar não socando o nariz daquele chato que sempre senta no banco dos velhinhos, por exemplo.

Existe um algo no ar, que sinceramente não tenho como explicar. As posições preto & branco estão nos levando a um extremo de insanidade coletiva jamais alcançado antes. Não sei se será uma Nova Onda ou uma Nova Ordem Mundial, se seremos invadidos por alienígenas (seria legal, hein?), ou se aparecerá um alguém ainda fora do cenário que, capaz de cooptar apoio de setores poderosos, acabará por nos fornecer uma ditadura global. Uma ditadura poderia, ao menos temporariamente, consertar várias coisas, como a negociata de capitais inexistentes em bolsas de valores ao redor do mundo. Quem sabe um déspota esclarecido não conseguisse ensinar contabilidade pública aos agregados dos governos, explicando que uma empresa pública que obtém lucro está lesando ao povo que pagou para construí-la? Ou ainda mostrar algo óbvio: quem governa, hoje, é incapaz de pensar em algo além do ouro e do poder.

Nunca chegamos ao limiar social tão baixo, onde o politicamente correto - facista em si e por si - comanda e propala mentiras floridas, deixando de lado as verdades doloridas. Hoje é impossível se declarar em uma conversa como uma pessoa que não acredita que sejamos todos iguais Somos partidários dos pretos ou dos brancos. Somos obrigados a financiar a escória social, para sermos vistos como pessoas de bem.

Não somos iguais em absolutamente nada. Da mesma forma que existem aqueles que são perfeitos para comandar, outros que são ótimos para o trabalho braçal. Há sim os inteligentes e os quase animais, por conta de sua quase completa irracionalidade. Há de tudo um pouco. Como diz aquele ditado se não me engano siciliano: "Se você tem que bater, seja o martelo. Agora se tiver que apanhar, comporte-se como a bigorna".

Perdemos a capacidade de ver a escala de cinza, caros coleguinhas. Não há e nunca haverá mundo perfeito, utópico. O que pode acontecer é sermos dizimados por nossos atos grotescos de agressão à natureza, para gerar uma quantidade imensa de capital que, garanto, você nunca viu -  nem nunca verá - empilhado nota sobre nota na mesa à  sua frente.



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25/03/2010

Acabou o benefício da dúvida

Eu ando muda, o quanto posso em se tratando do Governo ou mesmo de política, porém em algumas situações, o "estar" muda torna-se inviável!


É engraçado quando passo a compreender que eu e meus amigos não tenhamos mais o benefício da dúvida, o direito de questionar e discordar... Não, nós não temos! No Brasil, não existe mais oposição, sendo que o que existe realmente é uma minoria que luta para ao menos ser ouvida. Quando somos ouvidos, acontece que somos desacreditados e vemos nossa inteligência ser nivelada a de quem não é cidadão e sim torcedor do Brasil.

O Governo que tanto "gosta de dialogar com o povo" , abriu um blog que não permite comentários. De forma estranha não quer saber a opinião de quem lê, mas isso não é novidade para ninguém. Assim que o blog foi criado, muitas pessoas criticaram a postura de não existir um espaço para que nós humildes e desimportantes eleitores, escrevêssemos o que achássemos por bem escrever do que lemos.

Mas uma luz se abriu no fim do túnel: do alto de toda sua "mudez" o blog do Planalto resolveu abrir um twitter e percebi que estavam dialogando com as pessoas. Li que Maristela Bairros, jornalista com extenso currículo, estava questionando de onde surgem as pessoas que fazem as perguntas ao Presidente, já que a única coisa que existe é o nome, idade e a cidade. O twitter do blog do Planalto por sua vez, incapaz de responder uma pergunta simples, começou a dizer que Maristela estava mentindo quando fez uma constatação óbvia, pela falta de informação dos requerentes e deixou uma dúvida no ar: essas pessoas existem de verdade?

No meu entendimento de cidadã, quando pergunto algo simples quero uma resposta objetiva e imediata, e quando vejo ou leio alguém perguntar algo, fico atenta à resposta! Pois, não foi bem assim... Não é assim!

A resposta é um vácuo!

Hoje, depois de ler o que a pessoa que escreve no blog do Planalto escreveu para Maristela pelo twitter, somado ao que responderam para mim, fica a constatação que :

As pessoas que escrevem para o Sr. Lula responder, na verdade são leitores de jornais cadastrados e vejam que existem pelo menos uns 130 jornais nessas condições! A Secretaria de Comunicação recebe as perguntas e o presidente responde... Mas fica a pergunta: Quem são as reais pessoas que fazem esses questionamentos?

O blog do Planalto pediu para que eu pesquisasse. Mas pesquisar onde, já que desmereceram a pesquisa que Maristela fez no Google e na verdade o sujeito blogueiro Planalto nem sabe realmente quem são essas pessoas?

Pode ser mero detalhe, mas por causa de uma anotação em agenda, Lina Vieira foi chamada de mentirosa pelo Governo, que disse que ela nunca havia falado com Dona Dilma. Detalhes gente, são sempre importantes e o Governo sabe bem como usar os detalhes preciosos em informações que lhe sejam necessárias.

O Sr. Lula pode falar em alto e bom tom que os jornalistas e a imprensa mentem! O Sr. Lula não precisa provar nada, pois o Governo não precisa explicar nada! Tudo é culpa dos outros: do FHC, da minoria (oposição), dos jornalistas, dos "tablóides".

O governo Lula, não nos concede o benefício da dúvida. E isso pode em um País que lutou tanto para ser democrático?

Pode, pode sim!




22/03/2010

Esta é a última vez

Durante anos, desde que escrevo em blogs, tenho batido em um problema que é mais meu do que daqueles que porventura tenham me lido, caídos desavisados aqui ou no antigo "Aqui não, Genésio!". É um tema que gosto, pois não consigo entender alguém que simplesmente acredita em algo que supostamente exista.


Hoje vivo rodeado de pessoas que de uma maneira ou outra demonstram fé ou praticam religião. Muitas vezes meu sentimento de incredulidade pode ter magoado a alguém. Pode ser que em minhas investidas, eu tenha de alguma maneira plantado dúvida na fé de um crente. Ou, muito pior, feito com que essa pessoa acabasse por me achar "artigo desvalorizado" ou um aleijado moral por não crer em um deus benevolente/vingativo/caridoso/todo ouvidos.


Chegar à idade da razão e entender que as dúvidas que desde muito cedo me incomodavam eram maiores que minha capacidade em crer em algo divino ou mágico foi doloroso. Busquei auxílio em várias religiões organizadas, do catolicismo ao budismo, da umbanda ao paulo coelho.


Contrariamente às minhas expectativas, quanto mais eu me aprofundava em estudar as religiões mais e mais eu me apercebia de quão "humanas" elas são.  Quanto mais se aprende, mais se nota a mão do homem por trás de grandes escritos supostamente inspirados por um deus que você deve acreditar, por ser o moralmente aceito ou socialmente correto.


Posso lhes garantir uma coisa: é muito mais doloroso não acreditar em deus. Seria ótimo se eu pudesse acreditar que, quando morrer, encontrarei em algum lugar meus avós, tios e quem mais eu tiver perdido durante minha vida insignificante. Seria ótimo rezar e poder receber conforto, tendo a certeza de que estou sendo ouvido e que, de algum lugar descrito em algum livro, um ente meu ou um ser celestial olha por mim. Seria simplesmente maravilhoso poder provar da fé que muitos daqueles que conheço seguem de maneira inquestionável. Mas infelizmente para mim, não tenho esse pedaço imaginativo em minha mente.


Claro que tenho a esperança de que quando eu morrer a vida continue, embora eu tenha a certeza de que tudo se acaba com a última expiração. Gostaria de acreditar nisso, mas esse sentimento é - eu tenho consciência disso - o mesmo que esperar ganhar na MegaSena: jogo porque espero ganhar, embora saiba que não ganharei.


Esta é a última vez que escrevo sobre religião, ao menos aqui. Quero ainda escrever, mas será  de foro íntimo, pois assim minhas dúvidas e questionamentos serão somente meus, sem tentar de maneira alguma colocar em risco amizades e afinidades.






20/03/2010

Revista Cultural Novitas Nº4

Participantes dessa edição:

Editorial: David Nobrega

Microcontos: Denison Mendes

Entrevista 1- Carpinejar

No twitter da editora: @FariasRafa @Tummus @RiPoeta @caiocito @biancabriones @tatircavalcanti @PaulaCabrinini @scriptusest

Entrevista 2 - Banda Pública

Contos: David Nobrega, Madalena Barranco, Juliana Paez e Angel Cabeza

Poesias: Nydia Bonetti, Lucia Helena Dias, Rita Schultz, Letícia Losekann Coelho, Kiara Guedes, Leonardo Schabbach, Bianca Briones, Gabriel Vivian, Andrea Albuquerque ,Camila Passatuto e Alex Sens

Televisão: Matheus Costa

Blá, blá, blá: Daniela Blanco e Letícia Losekann Coelho

Ser ilustrador: Danilo Marques

O Caio F que eu conheci: Marsitela Bairro

Os Mullets: Doug Mullet

créditos - olhares da capa na última página para: Ana Rita Fernandes, Gui Andrade, Sandra Melo, Alzira, Paula dos Santos, Cristina Andrade, Ciça Donner, Dan Pastre, Ana Cristina, Tomás Miranda, Carolina da Silva Andrade, Angelo Rocha, Maristela Bairros, Leandro Andrade, @denisgv , Tina, Guilherme Gonçalves Nobrega, Leonardo Gonçalvez Nobrega, Juarez Coelho Nobrega e Letícia Losekann Coelho
revista cultural novitas nº4