26 de mar de 2010

Falta cinza em nossa vida

João Paulo II era o papa pop, será ainda santificado pela Igreja Católica. Bento XVI é o nazista, retratado nas piadas como o lado negro da força, o vilão Darth Vader.

Bush era o burro. Obama a salvação. Isso há coisa de apenas 1 ano. Hoje Obama já é racista, muçulmano e anti-americano.

A Ditadura Militar era uma máquina monstruosa. A Democracia é boa, saudável e completamente livre de opressões, prisões e afins.

Ou você é Dilma ou Serra.

Notem, nos pequenos exemplos acima, que nos dias atuais existem apenas dois lados da moeda em uma vida que na realidade é um grande jogo de dados, com uma enorme quantidade de lados e combinações possíveis. Ou você é preto ou branco, sem as sempre necessárias nuances e tons de cinza, formando o que poderíamos talvez chamar de convivência social.

Mesmo dentro de um relacionamento, onde marido e mulher passam do amor ao ódio e retornam à mais terna paixão existem concessões, negociações, bolinações e outros incontáveis tipos de "ões". Qualquer um que já passou por isso sabe que sem extrema paciência e força de vontade é impossível conviver. Em nosso dia a dia então, as coisas tendem a ser uma verdadeira Babel de opiniões e situações (mais "ões"), onde tentamos de toda maneira possível manter a cabeça fria, para acabar não socando o nariz daquele chato que sempre senta no banco dos velhinhos, por exemplo.

Existe um algo no ar, que sinceramente não tenho como explicar. As posições preto & branco estão nos levando a um extremo de insanidade coletiva jamais alcançado antes. Não sei se será uma Nova Onda ou uma Nova Ordem Mundial, se seremos invadidos por alienígenas (seria legal, hein?), ou se aparecerá um alguém ainda fora do cenário que, capaz de cooptar apoio de setores poderosos, acabará por nos fornecer uma ditadura global. Uma ditadura poderia, ao menos temporariamente, consertar várias coisas, como a negociata de capitais inexistentes em bolsas de valores ao redor do mundo. Quem sabe um déspota esclarecido não conseguisse ensinar contabilidade pública aos agregados dos governos, explicando que uma empresa pública que obtém lucro está lesando ao povo que pagou para construí-la? Ou ainda mostrar algo óbvio: quem governa, hoje, é incapaz de pensar em algo além do ouro e do poder.

Nunca chegamos ao limiar social tão baixo, onde o politicamente correto - facista em si e por si - comanda e propala mentiras floridas, deixando de lado as verdades doloridas. Hoje é impossível se declarar em uma conversa como uma pessoa que não acredita que sejamos todos iguais Somos partidários dos pretos ou dos brancos. Somos obrigados a financiar a escória social, para sermos vistos como pessoas de bem.

Não somos iguais em absolutamente nada. Da mesma forma que existem aqueles que são perfeitos para comandar, outros que são ótimos para o trabalho braçal. Há sim os inteligentes e os quase animais, por conta de sua quase completa irracionalidade. Há de tudo um pouco. Como diz aquele ditado se não me engano siciliano: "Se você tem que bater, seja o martelo. Agora se tiver que apanhar, comporte-se como a bigorna".

Perdemos a capacidade de ver a escala de cinza, caros coleguinhas. Não há e nunca haverá mundo perfeito, utópico. O que pode acontecer é sermos dizimados por nossos atos grotescos de agressão à natureza, para gerar uma quantidade imensa de capital que, garanto, você nunca viu -  nem nunca verá - empilhado nota sobre nota na mesa à  sua frente.



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2 comentários:

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