12 de abr de 2011

Zapeando a memória


Depois da cachorra Laika morrer cozida em 1957, tornando-se o primeiro ser vivo a orbitar nosso planeta, o passeio de Yuri Gagarin, em 12 de abril de 1961  --  E que nos deus nossas cores: "A Terra é azul!" – completa hoje 50 anos. Ou seja, fazem 50 anos que tentamos abandonar a nave-mãe, sem conseguir.

Em 1961 Chico Anysio comandava o Chico Anysio Show na extinta TV Rio e dava os passos iniciais do que seria o Chico City, na Globo. Chico, hoje completando 80 anos, tinha 30 quando Gagarin subiu aos céus.

Gagarin morreu sob circunstâncias misteriosas em 1968, em um acidente de avião ainda inexplicado (teoria da conspiração ou não, eis a questão), enquanto Chico tem provado uma morte lenta, causado pelo ostracismo televisivo. Desde pequeno, sintonizar a TV é encontrar o Chico. Hoje não há mais Chico que, além de adoentado, fazem questão de que seja esquecido.

Quantos ícones de cultura popular já não amargaram essa situação? De repente, anunciantes misteriosamente (a redundância no uso da palavra tem sentido: teorias da conspiração e filmes B adoram algo que aconteça "misteriosamente". Aqui não há mistério, mas um texto filme B em preto e branco. Coisa de zelite) esvaziam os cofres e o programa, peça, filme ou livro, que torna-se indesejável comercialmente.

Gagarin foi aos céus antes de morrer. Chico viajou ao Inferno em vida, sem ter Eurídice para resgatar, como aconteceu com Wilson Simonal, a quem Chico defendeu com unhas e dentes, quando condenado por uma parcela podre da classe artística.

Mesmo não sendo um fã de cultura pop (detesto breguices, novelas e outros chororôs), o respeito pelos veteranos que produziram qualidade deveria ser mantido, a ferro e malho. Hoje ninguém mais comenta Grande Otelo, nosso Macuinaíma em película. Zezé Macedo, a quem Otelo chamava de Carlitos de saias, que além da primeira-dama da época das chanchadas, era escritora. Francisco Milani, que emprestava a voz a inúmeros gringos nas telas, atuou e dirigiu até o Jô Soares. Rogério Cardoso, impagável comediante, lembrado somente pelo péssimo remake de "A Grande Família". Walter D´Avilla, alguém lembra dele? Em comum, todos eles passaram pela "Escolinha do Professor Raimundo", porto final de tantos outros. Obra do Chico, que os resgatou do mesmo mal do qual agora padece: a provação da ausência.

Que o brasileiro não tem memória, há um Congresso amplo de exemplos para se abraçar. E olha que lá, são os causos que não deveriam ser esquecidos são de chorar. Mas esquecer daqueles que nos provocaram o riso, é do forévis, como diria Mussum...

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