12 de fev de 2011

Velhice?


                Sabem quando é que eu me sinto velho? Quando leio as conversas "amorosas" de gente que sigo pelas redes sociais. "Fiquei com fulano ontem". "Ah, sicrana estava gata, mas acabei ficando com a beltrana". Um misto de pena, resignação e raiva, pois esses que hoje vagam pelas noites não tem o prazer da conquista e isso me dá pena. Aceito que os tempos mudem, "evoluem" de uma certa maneira, assim fico observando, sem comentar. E finalmente me dá um ódio danado de lembrar que em meus tempos de adolescente para ganhar um beijo de alguma desejada eram gastos dias, semanas de flerte, sucos de laranja pagos com dinheiro inexistente e paciência, muita paciência.

                Banalizaram o beijo, primeiro contato íntimo e sexual. Banalizaram, por consequência, o relacionamento e a magia da conquista.

                Mas pelo que leio por aí ou escuto por aqui, as coisas não estão sendo fáceis para os envolvidos. É um chororô de decepções expostas ao grande público em forma de frases mal formuladas de um português inexistente, quando não burro.

                Minha teoria beira à conspiração, quando acredito e tenho a cara lavada de lhes dizer que a partir do momento em que esses relacionamentos  amorosos são pilares quebrados de um pier (chique escrever pier, quando poderia escrever trapiche ou cais, outras palavras legais, não é?) que dá embarque às naus furadas da vida de cada um.

                Veja bem se não estou certo:

                Determinada pessoa sente-se solitária e abandonada, depois de frustrações notívagas e etéreas, que não sobrevivem ao SMS do dia seguinte. Tal pessoa, depois de tantos doídos pesadelos emocionais, acaba por se recolher em casa, por puro medo de novos machucados. Na internet  transforma-se naquele grudento ser que acaba por se tornar um "amigo" presente em seu blog, twitter ou qualquer outro lugar que você costuma aparecer, expansivamente. Um chato qualificado, já comentado em outro texto (em vídeo, por Camila Salvatti). Na vida real, uma concha. Na virtual, uma ponte para satisfazer o ego de qualquer um, centrado e abnegado.

                Querem acertar as contas com esse destino injusto? Tornem-se difíceis. Sejam aquelas pessoas inatingíveis que tem em torno de si uma aura de mistérios e de impossibilidades. Deuses em olimpianos pilares, deixando para que a ralé que sente prazer em relacionamentos fúteis, se contente "cada um em seu quadrado."

                Na realidade não me sinto velho não. Não é a velhice que me incomoda. O que deixa passado é que minhas experiências acumulados me transformam em ranzinza. Chato de um outro tipo, mas feliz com conseguir ainda ficar afastado da turbulência de uma vidinha sem graça e vazia, e que me dá ainda o prazer da conquista diária por ti, Letícia.
               

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