8 de fev de 2011

Evolução?!


                Durante os anos 60, loucos anos de liberação comportamental, a negação do estabelecido foi praxe. A tal contracultura. Leis antigas tinham o gosto amargo da mesmice, sutiãs apertavam mais do que nunca e a droga rolava ao som do rock´n roll. Descrição mais clichê, impossível.  Ah!  Os hippies! E a bossa nova.
                Os anos 70 apareceram como uma continuidade lógica da década passada. Sutiãs não haviam mais para serem queimados, pois agora é natural que sejam usados por vontade, não por imposição social. O rock deu cria, nasceu o punk de poucos (ou quase nenhum) acorde, as drogas eram consumidas a rodo e a molecada careta dos anos 60 eram já adultos caretas dos anos 70. E os hippies continuavam, bom... Sei lá... Estavam ali e pá... Mas pode ser que também não estivessem... Não, sei lá...  Entende?
                Coloridos anos 80. Contrários ao preto punk, o rock progressivo estava na onda, da mesma maneira que várias bandas com músicas fantásticas como "Ursinho Bláu-bláu" e "Amante profissional", fazendo o contraponto ao Legião, Ira!, Paralamas, Engenheiros e muito etcéteras. Nossas roupas coloridas chocavam quem não estivesse usando óculos escuros espelhados, pois podem dizer o que quiserem, mas verde limão com cor de laranja não combina em lugar nenhum do mundo, em qualquer época. E os cabelos? Ainda bem que naquela época as câmeras digitais e o Orkut não existiam...
                Depois os 90 yuppies chatos e seus ternos com ombreiras, os 2000 que não acabaram o mundo, sobrando a chance para que em 2012 os Maias acertem a parada, já que Nostradamus errou feio e na virada do milênio não aconteceu catástrofe maior que o bug dos computadores que não atualizavam mais o reloginho. E sim, para mim o milênio virou em 200, não em 2001, como querem os doutos no assunto. 
                Obviamente os parágrafos acima são um resumo de um minuto.
                A cada década – e podem contar que a variação é sempre na base do decênio – o homem dá um jeito de inventar uma novidade de folhinha de quitanda.  Contestação, irritação, esquecimento, enriquecimento/empobrecimento. Alterações nada lineares mas sazonais no comportamento.
                Estamos nos dando bem em nossas investidas através de novos terrenos? A criminalidade explode, a educação vai ao rodapé, o caráter desapareceu e conceitos como moral, ética e bom-senso tornam-se raridades absolutas.
                Pois então aparece um escritor declaradamente agnóstico dizendo a quem interessar possa que as aulas de religião acabam fazendo falta! Surtei? Não e explico:
                A noção básica de certo e errado é-nos transmitida pela religião, herdada de nossos pais. Claro que no âmbito familiar se educa, mas o conceito temerário ao erro  vem dos bancos dos templos. Tomar uns tapas na bunda não é tão perigoso quanto arder no fogo do inferno.
                Ao se declarar como uma década de contracultura, os anos 60 deram os primeiros passos para o gráfico social negativo. Tudo era errado, se fosse imposto. Tudo era permitido, desde que não houvesse compromisso. Deus passou de único a um caleidoscópio conceitual, dependendo se a mola mestra era LSD ou haxixe. Quando esses contestadores passaram a procriar, criaram seus filhos nos mesmos moldes que 'desenvolveram', logo derrubados por outras noções de presença/ausência divina. A partir dos anos 80 passou a ser cool proclamar-se ateu, a educação religiosa nas escolas acabou e a maldade acabou nos trazendo aos dias atuais, onde ainda se dorme embaixo das pontes, agora tocados no crack e sabe-se lá mais o que de refugos dopantes.
                Não é contrasenso algum para alguém como eu, descrente, perceber que a religiosidade é uma muleta eficaz no controle social. E não me refiro aqui a homens-bomba ou cruzados e sim do homem comum. Em cidades pequenas e mais afastadas de grandes centros, onde o padre/pastor/rabino/xeique seja presente, a criminalidade proporcional é extremamente menor.
                Hoje o castigo é pernicioso e não corretivo. Deixamos nossos filhos abobados com uma ilusória liberdade, pensando que fazemos o bem. Em realidade lhes garanto que essa libertinagem medíocre onde adolescentes acreditam saber o suficiente para foder aos 13 anos, perpetuando a raça das nulidades em filhos vindos de um meio já corrompido pela burrice endêmica que grassa nossa juventude,  é culpa nossa, pais abobados que creem ainda que é necessário "não perturbar" para que a evolução da espécie  aconteça. Pelos menos na doidera dos anos 60 a pílula era aliada, enquanto hoje a camisinha serve de enfeite na carteira.
                Como disse no editorial da Revista Cultural Novitas deste bimestre, acredito em mudar de opinião. Não em tudo, claro, senão seria eu também mais um abobado que acredita em cada fofoca do twitter. Antes acreditava que religião era uma praga a ser abolida. Hoje convivo pacificamente com ela, embora continue não acreditando em magias e seres invisíveis. Hoje seria ótimo se aparecesse um Padre Cícero, porreta, que desse ao menos um sentido moral às atitudes de nossos jovens, coisa que nós, pais bundões, estamos nos tornando incapazes de fazer, ao som de "Fugidinha"...

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