27 de set de 2010

amor?

 Minha ferramenta de convívio social via internet é o twitter e ali acredito uma vitrine interessante para poder-se verificar as dúvidas e preconceitos de cada um. Claro, não sou filósofo, psicólogo nem faço parte de qualquer ramo das Humanas, mas como escritor é sempre bom ter-se à mão uma janela para se espiar, voyeuristicamente, o cotidiano das pessoas.

Hoje, domingão sem sol e sem nada a fazer comecei assim ali, no site do passarinho:

"A confusão sentimental primordial: amor / paixão / tesão / posse"

Alguém duvida que relacionamentos sempre envolvem ao menos três dos quatro sentimentos que foram ali citados? Percebem como se mesclam uns aos outros para criar a estabilidade ou a ruína de um relacionamento qualquer? 


A frase ali acima destacada rendeu comentários interessantes, por isso continuei na mesma balada:

"Amor: Comodismo. É estar com quem se quer, sem o compromisso de olhar p/ os lados. É falho, posto que morno."
"Paixão: O grau elevado do amor, entremeado pelo tesão, controlada a posse. Paixão é sorver, degustar, querer. "
"Tesão: a animalidade do relacionamento. A burrice do desejo sem comprometimento afetivo. tempera, mas não é prato principal. "
"Posse: Não ama, tem. Não se apaixona, consome. Não acarinha, fode. A posse é o vício, o passional sem peito ou cabeça. Burrice pura."

Tirando a limitação de caracteres comum à ferramenta, acredito que é bem claro o que penso sobre o tão manjado "amar", banalizado. Anos atrás escrevi um poema sobre:

Paixão

O amor? Sentimento falso e mesquinho
Mescla de falsidade e comodismo!
Sou muito mais é pela paixão;
me perder em delírios puros,
sentir-me em sua presença a cada instante
mas ao mesmo tempo sentir ainda a alma pesada de saudade
Amor é algo comercial:
Bodas disso, bodas daquilo, presentes.
Um lixo!
Mas é a pobre da paixão, menosprezada,
catalogada como sentimento juvenil, passageiro,
que me arrebata, me tira os pés do chão,
me sacode, me leva por ventos que,
mesmo sendo tão conhecidos de paixões outras,
tem sempre o doce e o amargo de novas descobertas.
Bah! para você amor, seu caduco com sua indecente,
chata e incoerente frase-chavão: "Eu te amo..."
Mentiras. Não ama, suporta. Aprendeu a convivência.
Mas e a pobre paixão?
Essa que te ergue ao topo, te faz fiel porque,
Quando apaixonado está, nada mais agrada
Que aquele olhar tão quente...aquele pequeno instante...
Um toque!
Aí está a comprovação!
Um toque de seu ou sua apaixonante meta lhe traz fogo às entranhas
Ferve, quase evapora todo o sangue de seu corpo.
Olha no espelho e vê se não fica roxo!
Teu amor? Pode te esmurrar, violar, invadir...pois..simplesmente,
está ali.
Que se danem enamorados e que salvem-se, espelhem-se,
sintam-se, APAIXONADOS.
Sintam-se vivos como se o mundo acabasse naquele instante e você,
pelo canto dos olhos, desejasse que tudo fosse para o inferno,
pois ali, em seus braços, está a paixão momentânea de uma vida toda.

Continuo fiel ao acima escrito.

Amor, como se tem usado, é uma infâmia. Um ataque contra a(o) parceira(o). O cidadão Fulano de Tal sai de casa, trabalha, passa no bar, enche a cara, come a secretária. Chegando em casa, estapeia a mulher que o questiona, chuta o cachorro, assusta as crianças. Mas está ali, para felicidade de todos, pois são uma "família que se ama". Esse é o exemplo mais claro de amor: o comodismo forçado, o sexo em meses alternados, o prato de comida fria servido sem os arranjos combinando a salada com a carne. Não há alegria e sim a tensão do porvir, que todos sabem jamais virá. Em nome do amor e do cabresto.

Paixão é minha conduta, pois engloba todos os sentimentos possíveis. Paixão é furiosa e não aceita distâncias nem proximidades. Paixão é o amor, mas com a cara pintada para a guerra contra a indiferença, o enfado e o cotidiano enfadonho que todos casais sabem ser de uma chatisse imensa. Paixão é amor com tesão, amor com sofrer de saudade, amor com vontade não de ter, mas sim de ser enquanto é -- ou seja, ter a posse mas não ser dono. matematicamente a paixão é um erro: 1 + 1 = 1. Não dois, mas exatamente um. Paixão é o encontro perfeito de duas metades que o destino fez por bem deixar que se encontrassem.

Tesão você pode ter pela página central da Playboy. Pela vizinha. Pela vida solitária. Tesão é o "ficar" que banalizou o beijo e credencia todos a serem de todos sem pertencerem a ninguém. A clássica confusão entre liberdade e libertinagem. Sexo ao sexo, animal, grosseiro, sem o olhar apaixonado que liga no dia seguinte, deixa um bilhete desejando bom dia ou, mais simples ainda: sem sentimento.

Posse é o ciúme desmensurado, geralmente partindo daqueles que tem culpa no cartório. O Fulano de Tal trai e tem medo de ser traído, assim tranca com as correntes de sua própria insegurança a parceira que, até prove o contrário, está com ele por querer e não por ter dívida qualquer que a faça refém. Posse é o inferno da dúvida e o veneno da hipocrisia.

"O relacionamento perfeito é o equilíbrio. Amar a companhia, apaixonar todo dia. O tesão sem posse, pois a outra parte te deseja."
"Equilíbrio é, nada mais nada menos, que deixar a matemática da igualdade sem lado, contanto com as disparidades para criar a surpresa do novo."

O equilíbrio só é alcançado quando as duas partes não se interessam em vencer e sim em formar algo novo. A matemática que não bate.

Sou contra o amor. Luto pela paixão que me acompanha há -- no momento em escrevo estas palavras -- dois anos, seis meses e catorze dias. Paixão é amor sim, mas com tesão, sem posse. E essa posse da qual me abstenho calca-se na certeza de que minha amada sente por mim exatamente o que sinto por ela. Logo, para que querer ser dono do que me oferece de maneira gratuita?

Prefiro me apaixonar todo dia. E amanhã também.

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