22 de mar de 2011

É muita "sabedoria"!

Meu pai sempre me fala que sou inteligente. Levando em consideração o quanto preciso estudar um assunto para entender, posso dizer que sou esforçada. Inteligente, no meu conceito, sempre foi aquela criatura que não precisava prestar muita atenção no assunto, mas quando é cobrada, faz somente uma leitura básica e a informação parece que "cola" rápido no cérebro. Depois na faculdade, estudei as várias "inteligências" que existem e descobri que ignorância é opcional, porque é muito mais fácil ser inteligente do que ser ignorante.
Depois de ler Morin, juro que consegui entender o lance da cabeça bem feita e isso faz um tempo...  No livro ele cita Montaigne ("mais vale uma cabeça bem feita do que uma bem cheia") e de uma certa maneira -- pode ser efeito placebo  -- consegui organizar melhor meus conhecimentos,  e isso foi aprendizado para a vida. Aprendi que mais vale eu saber um ou dois assuntos bem e de maneira clara, do que entender ou achar que entendo de 20 assuntos de forma rasa. E todo o assunto que sei, tento saber cada vez mais e estudo muito até dizer que sei. (redundante, eu sei)
Hoje alguns se denominam "doutores de assuntos gerais" o que prefiro "doutores de porra nenhuma", uma vez que o conhecimento sobre tantos assuntos é tão raso quanto  rio em época de seca ou sanga misturada no barro. A Wikipédia "revolucionou" o conhecimento na internet; basta ler que já se sabe tudo e o que se cria é uma multidão de entendedores de política internacional e nacional, direito ou todos os níveis da educação, saúde, segurança pública, clima, ciência, teologia, jornalista, literatura, etc. ... Uma gama de pessoas entendidas que conseguem me fazer muda-surda,  com tamanho conhecimento e frases de efeito para cada ocasião. Agora tente discutir com um "entendido em assuntos gerais"? É tarefa árdua de cantil na mão e muita paciência. Você sempre perde uma discussão porque eles são demais e sabem tanto, apesar do raso conhecimento. Chegam algumas vezes a dizer que você precisa estudar mais antes de tentar debater com eles. É o mesmo que conversar com um banquinho com a diferença que você não espera que o banquinho responda algo coerente, correto?
São "mentes privilegiadas", e juro que quando encontro um entendido de assuntos gerais, uso a ignorância opcional, porque em algumas horas é impossível engolir tanta iluminação em formas de pérolas de sabedoria.
Aproveitou-se  o minimalismo tão alardeado nos últimos tempos,  tudo deve ser "clean" e "com pouca informação" o conhecimento pegou o gancho. O pouco sempre vai ser pouco e uma sala vazia sempre será uma sala vazia, assim como uma pessoa que passeia por todos os assuntos, sempre será um sabe nada de quase tudo.

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