18 de set de 2009

Um parabéns egoísta


Lembra como começou? De sopetão, com fofocas e um beijo roubado? Eu lembro. E ao mesmo tempo que sei racionalmente que tudo aconteceu em menos de dois anos, emocionalmente me parecem séculos. É natural, simples e exato: tinha que ser assim.

O choque inicial me assustou... "Como pode existir e não estar comigo?". Te escrevi:

impublicável

Amei-te aos pedaços esta noite.
A cada pequeno instante de sono forçado
Um bocado de teu corpo me surgia.
Grandes porções de pele amorenada,
De olhos desejosos
De boca proibitivamente querida.

Me fizeste um insone sabias?
És culpada, sendo eu júri e juiz,
De me trazer o desconforto de não ter teu corpo.
És culpada de me fazer usar o "amei-te" que disse a pouco,
Não em sua forma pura de sentimento
Mas na vontade carnal, quase animal.

Não te disse que o controle é fato?
Não te avisei que sou cheio de regras,
racional e desimportante?
Fazes algo de mim algo que não gosto,
Emocional e pesaroso.

Quem pensas que és
Me atirando olhares adolescentes
Atiçando algo antes contido e escondido
Fogo interno sob cinzas de ilusão?

Preferi dar-te um tempo.
E agora arrependo-me.
Oportunidades virão.
E sei que serão.
(mesmo assim...em infantis rimas em "ão")



Depois dessa noite marcada pela primeira saudade, vieram outras tantas. Tornou-se minha Musa. Deu-me sentido na escrita e um motivo na vida. Claro, os filhos existem e também os amo, a todos. Grandes amores diferentes, mas equivalentes.

Durante meses ficamos entre idas e vindas. Aeroportos lacrimosos. Ausências corpóreas, enquanto espiritualmente (se eu acreditasse em espíritos diria isso. Me dê a licença meio poética, meio "falta de palavras") estávamos e ficamos cada dia mais...um(?).

encontro

Quando antes pensávamos possuir o muito
O quase nada em tua ausência havia
Precisei te encontrar em ruas escuras
Sujas
e Veladas
De minha alma infeliz e apagada.
Na plenitude de uma paixão insana
Um amor louco pouco planejado
Um eterno seguiremos juntos
Um conjunto de ações ilimitadas.
Somos um agora?
Minha dúvida não é a negativa
Mas o tempo verbal necessário
(e aqui é critério de livre-pensar)
É mais amplo, melhor atemporal,
Pois creio esta minha vida
(antes tão alucinada)
É um grande jogo de cartas marcadas.
Vim com o destino rabiscado
Em forma de poesia por ti concebida.
Sinais eriçados por meu corpo todo,
Gritam em coro de vozes:
Teu nome em mim.
E meu coração rebate em eco
Sou aquele que quer
E que finda
Minha busca em ti.


Aí estávamos nós na expectativa das idas e vindas. Se pararmos para pensar, entre ver, tocar e finalmente estar foram ...o quê? ...Seis meses? Seis meses arrastados, onde se não havia teu rosto, teu sorriso, teu "te amo" - não esqueça que combinamos que decidimos pela paixão - me sentia simplesmente amputado de uma parte de mim.

paixão

O amor? Sentimento falso e mesquinho
Mescla de falsidade e comodismo!
Sou muito mais é pela paixão;
me perder em delírios puros,
sentir-me em sua presença a cada instante
mas ao mesmo tempo sentir ainda a alma pesada de saudade
Amor é algo comercial:
Bodas disso, bodas daquilo, presentes.
Um lixo!
Mas é a pobre da paixão, menosprezada,
catalogada como sentimento juvenil, passageiro,
que me arrebata, me tira os pés do chão,
me sacode, me leva por ventos que,
mesmo sendo tão conhecidos de paixões outras,
tem sempre o doce e o amargo de novas descobertas.
Bah para você amor, seu caduco com sua indecente,
chata e incoerente frase-chavão: "Eu te amo..."
Mentiras. Não ama, suporta. Aprendeu a convivência.
Mas e a pobre paixão?
Essa que te ergue ao topo, te faz fiel porque,
Quando apaixonado está, nada mais agrada
Que aquele olhar tão quente...aquele pequeno instante...
Um toque!
Aí está a comprovação!
Um toque de seu ou sua apaixonante meta lhe traz fogo às entranhas
Ferve, quase evapora todo o sangue de seu corpo.
Olha no espelho e vê se não fica roxo!
Teu amor? Pode te esmurrar, violar, invadir...pois..simplesmente,
está ali.
Que se danem enamorados e que salvem-se, espelhem-se,
sintam-se, APAIXONADOS.
Sintam-se vivos como se o mundo acabasse naquele instante e você,
pelo canto dos olhos, desejasse que tudo fosse para o inferno,
pois ali, em seus braços, está a paixão momentânea de uma vida toda.

E nos encontramos finalmente, andando por aí...

janelas

Janelas tidas como sujas
Cinzas e opacas
Filtram a luz vinda do Guaíba
Iluminam minha alma
Iluminam minha vida
Iluminam o sorriso
Dessa menina
Que comigo caminha

Um passeio pelas marges tortuosas
Um olhar ao por-do-sol
E essa menina tão linda
Que comigo caminha pelo Guaíba
É uma janela na minha alma
Por onde se filtram
Luzes cálidas
Multifacetadas
Coloridas

A que distância estão
As janelas
Os olhos
Que por elas me espreitam
Por decisão as localizo
Perto de meu coração
Dentro de meu peito
Que comigo caminha
Me dando a mão.



Hoje, em teu segundo aniversário comigo, comemoro da maneira mais egoísta possível. Eu sou aquele que espera pelos "parabéns", pelos "muita saúde", pelos "eita lêlê hein? 28 anos são quase trinta!". O aniversário é teu, mas o presente quem ganhou fui eu. Quase dois anos já? Uma eternidade de histórias.

tempo

Nas teias que a aranha do tempo tece
Presos estão os rostos,
As dores e os amores.
Inconstâncias de uma vida curta
Ali pregadas em seda pura
Esperando aflitas e solitárias
A morte de seus autores.
Somos tela branca, menina
Criados para criar e sentir
Esperançosos de novos pintores
Que apaguem antigos rancores.
Em mim está agora tatuado
(não mais pintado)
A paixão do eterno apaixonado
O sentimento que nos prende
No querer desavisado
Esse sentimento que me dá sentido
Bússola de meu até então obscuro
Aborrecido e negro caminho.
O que era, se foi.
Você quando chegou, é.
E eternamente será
Paixão e mulher.
Agora vem e deita
No meu peito te aconchega.
Depois te acordo com um sorriso,
Um beijo, um carinho,
Meu Paraíso...



PS1: lembra de "mesmo assim...em infantis rimas em 'ão' "? Desnecessário.
PS2: Feliz aniversário, minha menina.


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