5 de jul de 2009

Um devaneio e uma poesia = Aqui jaz uma pessoa querida


Eu nesses meus pensamentos de questionar o que somos na verdade no mundo, e filosofando sobre a questão existencial... De que uma porta passa a ser porta pq quem enxerga ela, diz ser uma porta, porém ninguém pergunta para a coitadinha o que de fato ela é. O que somos no mundo é o que nós sabemos que somos, isso é intimo... Cada um conta uma historinha diferente sobre o que você é, mas a bem da verdade é que só você sabe o que é por mais cruel e deprimido que você possa ser.
Cascas... Temos cascas, várias e nem comparo com aquela questão da Cecília Meireles das fases da lua e blá, blá, blá, certo é que cada um é muitos... Basta sabermos qual o nosso "eu" que queremos mostrar para o mundo. A história particular de cada um é contada por terceiros, então somos factóides ambulantes pq desde que o mundo é mundo tudo é aumentado ou diminuido... Somos o resultado de nossas ações? Nem... Somos o que somos e o que sabemos ser e ninguém tem nada a ver com isso.
Ninguém é público, o que é público é o que deixamos aparecer... É o que escapa do controle é o que chama atenção dos outros. Tudo é como poesia? Pode ser... Pq quem escreve poesia na verdade sabe o que significa para quem significa de onde tirou, quem faz a leitura entende de outra maneira... Ela passa a não ser sua... Será que é como a vida?
Para fechar esse devaneio, pensamento (entendam como quiser) revisitei uma poesia que está na primeira coletânea impressa que participei. Já o devaneio é resultado de um dos atos do meu próximo livro.

Aqui Jaz uma pessoa querida

Precisei me enterrar, afundar...
Tornar - me vencida e
Fechada...
Para enfim ter domínio
E reaparecer, renascida
Para a vida.
Embebi profundamente em
Minhas entranhas...
Travei uma batalha com
Meu medos
Enfrentei minha realidade
Insana...
Cravei a estaca em meu
Próprio peito...
Tapei as fendas antes do
Sepulcro.
Bolcei o sangue pútrido
Que me molesta...
Decorei o túmulo...
Orquídeas e violetas para
A cena...
Ressuscitei da morte que me impus
Olhei meus olhos sem vida...
E resolvi...
Não viver dos sonhos...
E sim, da realidade que
Existe aqui.

Versos que tu querias escrever antes de morrer
I
A realidade...
Esse monstro que se disfarça
de verdade...
Inunda - me de medo...
Pois, na realidade existe o
Erro...
E o erro me reporta aos
momentos...
Em que tive que fazer
Escolhas...
Triste ironia
Sempre agi como tolo
Inclusive nos pensamentos.
Meu amadurecimento...
Passa pelas decisões...
Mas nelas existe sempre o
Medo do erro...
Que atrapalha meu caminho
Até a perfeição.

II
A perfeição...
Essa insana vontade que
Não existe...
Mas insiste...
Esse é o momento de louvar
Os doentes...
Os aflitos e os
Hipocondríacos...
Que existem para dizer aos
Megalomaníacos...
Que o perfeito é ilusório...
É do momento...
Pois, todos erramos
Faz parte do lado humano.

III
O lado humano...
Que me reporta à triste
Realidade...
Do medo do erro
E da busca pelo insano.
Faço - me animal...
Para não assumir
Responsabilidades...
Mordo, cuspo, cheiro...
Abuso meus sentidos...
Observo, escuto mas não falo...
Somente,
Agarro, trituro, uivo
E quando dou por mim...
Deparo - me
Com um alguém que precisa
Ser enterrado...
Para renascer
Com vontade de viver...
Sem os medos
Sem querer somente os
Acertos...
E sim aceitar as falhas
Recomeçar...
Para enfim construir
Um lado humano...
Mesmo sendo insano.

IV
O insano...
Quando me faço humano
Sou infeliz em todos os
Momentos...
Então rezo pela morte
E esta não me acode...
Resolvi acabar com tudo
Comprei meu túmulo
E acabei com ela
A vida...
De corpo e alma
Agora jaz...
Estou deitado ao lado de
Meu pai...
Encontrei minha paz.

V
A paz que sempre sonhei.
Durante toda a curta vida...
Não sei se vou para o azul
Ou para o fogo...
Mas quero deitar do
Teu lado...
Unir - me ao teu corpo
Meu pai...
Meu porto...
Fiz minha morte
Livrei - me dessa vida doída!
Minha mãe me deu uma
última sorte...
Em minha lápide escritos
Em letras fortes:
Aqui jaz uma pessoa querida.


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