4 de ago de 2009

Senado Federal: egos x política

Para quem teve paciência de assistir à sessão de ontem no Senado Federal, meus parabéns. Eu mesmo me parabenizo em não ter perdido essa antológica mostra do que é hoje a política no Brasil.

Como foi noticiado em quase todos os meios de comunicação, a batalha foi feia: Pedro Simon x Fernando Collor X Renan Calheiros x Cristovam Buarque x Mão Santa (rindo muito de tudo) x Wellington Salgado.

Para quem não acompanhou a tragicomédia, tudo começou com o Senador do PMDB gaúcho, Pedro Simon, subindo à tribuna para discursar e pedir o afastamento do presidente do Senado, nosso "el bigodon" ex-presidente José Sarney. Não esqueçamos que são do mesmo partido e que durante o mandato do senhor José Sarney, herdado de Tancredo, Simon foi um dos homens fortes.

Pois bem; o Senador Pedro Simon é visto aqui no Rio Grande do Sul - ao menos por uma grande parte da massa - como um político murista. Nunca toma uma posição e é rei em emitir opiniões que nunca conflitam com uns e outros, salvaguardando assim a tal propalada imagem de "paladino da ética" que tanto o faz feliz.

Ontem o Senador Simon resolveu descer do muro. Não por vontade própria; provavelmente alguém o incitou a isso - de dentro de seu partido -, colocado-o numa situação inédita: a transparência de suas palavras vazias ficou clara e óbvia e pelo que se pode entender, entre queimar o Senador José Sarney ou descartar um Simon, decidiu-se pela última.

Simon apanhou de todos, menos de Cristovam Buarque, por quem até pouco tempo atrás tinha eu algum respeito. Desde ontem, nota-se que é somente mais um mergulhado na lama, já que se preocupa mais com palavras que com atitudes.

Simon, ao fazer o discurso bonito de sempre, cheio de figuras de retórica e de personagens do passado, citou Collor (artigo 14: direito de resposta) e daí para frente a coisa ficou realmente feia. No vídeo abaixo (sim, roubado da Globo - desculpa dona Globo, mas não achei no YouTube), a briga entre Collor, Simon e Renan.

Algo que quase passou despercebido pela mídia foi o aparte do Senador Wellington Salgado, do PMDB de MG. Começaram com afagos e carinhos, mas depois o que houve foi uma das confrontações mais bonitas que já vi. Nas palavras do Senador mineiro "O senhor gosta é de bastidores. Fala algo nos bastidores e depois em público muda o discurso. Posicione-se". Lindo!

Fico bobo ao ver manchetes de jornais, dizendo que foi um absurdo. Só foi um absurdo para aqueles que devem algo a esses senhores envolvidos. A nós, povo, esse debate real e sem carinhos é totalmente sadio! Quero mais é ver sangue nos olhos dos senhores Senadores, defendendo seus pontos de vista como fé e peito aberto. Sem ficar em cima do muro, senhor Simon.

Lendo hoje o Zero Hora, vejo a colunista Rosane de Oliveira com a indignação desmedida que lhe é peculiar, escrever:

Com os olhos esbugalhados e o dedo em riste, o senador Fernando Collor (PTB-AL) incorporou o espírito dos tempos de presidente da República no bate-boca com o senador Pedro Simon, ontem. Parecia fora de si.

E

Cobrado pelo senador gaúcho a revelar o que tinha contra ele, Collor fugiu da raia. Disse que o fará “quando achar oportuno”.

Não foi o que aconteceu. Todos ali tem um rabo a ser puxado. Por quê então o Senador Simon se absteve de responder a Renan Calheiros, quando inquirido sobre seus atos enquanto Ministro?

Muita calma gente. Esse sai não sai do Sarney ainda vai dar o que falar. E eu quero é mais!

Ao Senador Pedro Simon, resta somente o "Eu fui", enquanto deveria mudar seu discurso vago e sem sal para "Eu sou!". E pare de mentir Senador. Vai me dizer que não tem mesmo casa própria, como afirmou?!

Para encerrar:

FICA SARNEY!

Assim, ficaremos a cada dia descobrindo algo de podre no Reino de Bananarama.

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