31 de dez. de 2008

Ano Novo

RECEITA DE ANO NOVO



Para você ganhar belíssimo Ano Novo cor do arco-íris, ou da cor da sua paz, Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido (mal vivido talvez ou sem sentido) para você ganhar um ano não apenas pintado de novo, remendado às carreiras, mas novo nas sementinhas do vir-a-ser; novo até no coração das coisas menos percebidas (a começar pelo seu interior) novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota, mas com ele se come, se passeia, se ama, se compreende, se trabalha, você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita, não precisa expedir nem receber mensagens (planta recebe mensagens? passa telegramas?)



Não precisa fazer lista de boas intenções para arquivá-las na gaveta. Não precisa chorar arrependido pelas besteiras consumidas nem parvamente acreditar que por decreto de esperança a partir de janeiro as coisas mudem e seja tudo claridade, recompensa, justiça entre os homens e as nações, liberdade com cheiro e gosto de pão matinal, direitos respeitados, começando pelo direito augusto de viver.



Para ganhar um Ano Novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente. É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre.
( Carlos Drummond de Andrade)


O blog não vai ser atualizado com frequencia, pois estamos curtindo férias com os filhos! Feliz Ano Novo para todos, muita saúde, paz, amor e dinheiro no bolso!

Abraços.

25 de dez. de 2008

Feliz Natal

E se você, meu amigo, minha amiga, escreveu ao Papai Noel e não teve sua cartinha atendida, segue um vídeo explicativo.
Assim, quem sabe no próximo ano, você que pensa que Natal é comércio, deixe de lado os presentes e faça um Natal diferente.

19 de dez. de 2008

Já é Natal

- Mãe, tu e o David estão bem?
- Sim, filho!
- Então... Quero pedir para o papai noel um Playstation 3, ok?
- Aham, vou conversar com o papai noel e te aviso, mas acho que não vai rolar.
( Esse diálogo aconteceu com o Lucas, meu filho de 7 anos que ainda acredita em Papai Noel)

Eu não entendo pq na época do Natal, as crianças costumam pedir presentes caros, normalmente os que estão nas propagandas da televisão, se o vídeo game WII estivesse nos comerciais provavelmente o Lucas pediria para o Papai Noel. Fato é que vivemos em uma sociedade consumista, e quando somos crianças consumimos muito, mas não notamos... Enfim o brilho do Natal, existe por causa das crianças, e não me venham com a balela de época de Natal é época de paz, amor, união e fraternidade que não cola. Eu acho engraçado que tem gente que na época do Natal vira "bonzinho"... Mas chega no dia 27 já está o mesmo monstrinho de sempre. Por sinal uma coisa que noto muito, são aquelas criaturas que vira e mexe invocam a paz celestial ou amam aquela frase: " Deus está vendo tudo..." , mas infelizmente não se tocam que elas não são anjos de Deus, e vivem aqui na terra mesmo, e são na grande maioria 30 vezes pior que o dito cujo que recebeu a "praga celestial". O pior do Natal, tirando a parte do consumismo desesperado, é a outra bela frase : "Natal é época de perdoar" Isso me nego a comentar, acho de última... Quer dizer que a criatura apronta o ano inteiro e na época do Natal, recebe perdão? Imagina se vira lei um negócio desses, acabaremos com o problema do sistema carcerário no Brasil... Tá todo mundo "perdoado"!
Natal é reunir a família, e jantar pelo menos uma noite por ano com talheres de inox , pq durante o ano melhor servir com talheres de plástico para ninguém correr o risco de parar no pronto - socorro... Sim, sim... Depende da família, pq tem aquelas que contratam um enfermeiro para ser o papai noel, caso alguém discuta e infarte durante as comemorações natalinas. Logicamente, nem todas as famílias são iguais... Mas peço que todos sejam "bonzinhos" o ano todo e não só durante um mês no máximo.
Voltando a questão do consumo, a Denise Rangel, me enviou um e-mail interessante que colo aqui no blog para vocês olharem:

"Nós, do blog Faça a sua parte, fizemos um debate sobre como poderíamos pensar em um Natal que nos aproximasse da natureza e, ao mesmo tempo, valorizasse a confraternização, com o resgate de valores talvez sublimados pelo consumo de presentes industrializados:

Hoje vivemos no tempo do consumo, do consumo desenfreado de produtos industrializados, dos produtos importados que trazem em si um enorme prejuízo para a natureza. Onde o ostensivo tem mais valor que o simples, o simples feito com as próprias mãos, com materiais que estão bem ali, na nossa frente.

Por isso, nós, do blog Faça a sua parte, queremos saber que sugestões ecológicas você teria para presentear seus parentes, amigos, colegas, enfim, todas aquelas pessoas que você costuma presentear no Natal.

A campanha do Natal do Faça é bem simples: escreva um post no seu blog com dicas de como presentear de forma ecológica.

Os participantes concorrerão ao sorteio do livro "Seis Graus: o aquecimento global e o que você pode fazer para evitar uma catástrofe", do renomado ambientalista Mark Lynas. (veja aqui detalhes sobre o livro e, inclusive, um trecho).

Vá até o blog Faça a sua parte, e deixe, nos comentários, o link para o seu post e concorra ao sorteio que acontecerá no dia 24 de dezembro. Participe! Faça a sua parte!"

Achei interessante isso e minha dica para presentes de Natal são os livros. Livros são portadores de texto que normalmente as pessoas não descartam. Algumas editoras já trabalham com material reciclável ou plantam árvores por causa da questão do papel. Eles duram muito, e ainda nos deixam mais inteligentes, e só para não perder a propaganda kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Dá uma olhada no post que o David fez.

Abraços

17 de dez. de 2008

Dicas de presente de Natal




Para você meu amigo, você minha amiga e aos cunhados em geral, deixamos aqui humildes dicas de presentes para este final de ano:






Livro: Uns & Outros

Autor(a): David Nóbrega
Editora: VirtualBooks, 2008
ISBN: 978-85-60864-23-2
Categoria: Contos
Nº de páginas: 98
Preço: R$ 16,00 + despesas de envio




O LADO DURO DA VIDA Gerana
Damulakis
*


Conheci a prosa de David nos blogs, acho que no Canto dos contos.
Minha atenção se prendeu no conto “Suicida”, extremamente original, uma idéia de
primeira. Pedi autorização e postei o conto no meu blog. Mostrei para Aramis
Ribeiro Costa, ficcionista experimentado, que também gostou muitíssimo. Daí para
frente, venho seguindo sua produção e posso dizer que já tenho formada minha
impressão — sim, é uma crítica impressionista — a respeito da ficção de David
Nobrega. Seu ritmo é um predicado importante: geralmente veloz, o texto avança
rumo ao resultado sem concessões outras, porque importa mesmo é contar a
história. O que o autor colhe disto é a certeza de que seu leitor não deixará a
narrativa até que ela tenha sido concluída. E se conclui: o conto de David tem
começo, meio e fim, tem compromisso com o enredo e seu desfecho. Outra certeza
seria a satisfação da curiosidade, já que nada fica em suspenso; melhor dizendo,
o nó ficcional é moldado, toma a forma no clímax e se desfaz ainda no texto. O
que o autor conta ao longo das suas vinte e tantas histórias curtas do volume
está de mãos dadas com o lado mais duro da vida. A sensação é a de que nada se
lhe escapa, seja a doença, seja a solidão física e/ou anímica, seja a miséria. O
episódio detonador da narração está em plena concordância com a tragédia, não
começa com tudo perfeito ao redor e, de repente, surge o acaso destruindo a
calmaria. Não. Na contística de David entra-se de chofre na “tragicidade” —
palavra cara a Adonias Filho — com seus personagens e suas situações adversas.
Ao fim e ao cabo, estamos lendo atualmente a própria realidade monstruosa que
nos cerca, que nos atinge, que vivenciamos: violência, falta de relacionamentos
estáveis, solidão, doença. A literatura não está distante da vida mesma, está
reproduzindo-a porque, estupefata, se alinhou completamente com os dissabores,
com o lado duro da inexorável condição humana. Entre estes contos, destaco ainda
“Casual” e “Cruzamento”, Em “Casual”, que plasma justamente a superficialidade
dos relacionamentos, encontro um ponto muito alto da coletânea. Em “Cruzamento”,
confirmo a observação aguçada, na verdade, emblemática do contista. Destaco-os
como contos antológicos, assim como “Suicida”. O que vale dizer que a reunião
dos contos foi muito bem lograda, haja vista a existência de tantos exemplos
antológicos em um volume — em grego, antológico é inesquecível. Em suma, o que
temos são histórias que contam, e contam com estilo firme, com a mão de quem
sabe conduzir sua narrativa do começo ao fim sem tropeços e, ainda, que gera um
envolvimento total durante a leitura: não é pouco, portanto, o que aguarda os
leitores. Salvador, 4 de novembro de 2008



* Crítica Literária - Jornal Tribuna da Bahia



* * *



Livro: Ensaios Amadores…ou não!


Autor(a): Letícia Losekann Coelho
Editora: Scortecci, 2008
ISBN: 978-85-366-1242-3
Categoria: Poesia
Nº de páginas: 101
Preço: R$ 20,00 + despesas de envio

Eu sou suspeito para escrever sobre este livro, uma vez que a autora partilha a
vida comigo. Mas tento:
Ensaios Amadores…ou não! lança questionamentos desde
o título. Um livro de poesias onde a marca maior é a força da palavra. Por mais
simples que seja um simples verso, detém o poder tanto para inaltecer quanto
destruir o assunto a que se refira. Se em Doença temos o embate sentimental a la
Augusto dos Anjos, em Sinestesia… o amor em flor. Contrastes e questionamentos
tantos que podem ser verificados pelo leitor a cada nova e deliciosa página
virada.

Viram? Vocês nos mandam uma mensagem desejando Feliz Natal, nós mandamos a conta para depósito e os livros. Bom para você, bom para nós.
Enquanto isso, nós vai tucando u lujinha....



16 de dez. de 2008

Lobo e Mausoléu

LOBO

Por mais habituados ao escuro que sejam meus olhos, este beco imundo me oprime em sua total ausência de luz.

Estou aqui escondido, aguardando por quem sabe uma vítima ou um inimigo. Mesmo com o fedor nauseante e onipresente em meio ao lixo, qualquer corpo quente e pulsante seria percebido por mim em segundos.

Mesmo tendo sido criado dentro dos padrões normais da fina educação de minha classe social, estes meus sentidos altamente desenvolvidos fazem a diferença de minha personalidade, alterando a todo instante meus rumos pela vida.

Meus pais, ao me expulsarem de sua casa ainda um garoto, imaginaram talvez que eu encontrasse a morte nas ruas, livrando assim a sociedade do empecilho que eles mesmos haviam gerado.

O primeiro corpo que tomei como alimento foi deplorável. Um bêbado imundo, com todos os gostos de todos os vícios humanos me fez sentir uma variação enlouquecida de sabores. Sabores que odiei e que me fizeram pensar que talvez esse não fosse o alimento necessário para minha vida.

Noites após, zonzo de fome e necessidade, uma prostituta jovem e recém-saída de seu apartamento da zona do meretrício, tão criança que me parecia sentir ainda o cheiro do leite de sua mãe, fora a melhor refeição que já houvera conseguido. Tenra, com um sangue doce e suave como se fosse vinho das melhores safras. Servi-me de seu sangue aos goles. Banquete ensandecido de carne crua e quente.

Fiz muitas vítimas desde então. Brancos ou negros, mulheres ou crianças, católicos ou judeus. Experimentei de todos e por cada um deles tenho uma preferência distinta. Como se a cada um comesse por hábito, afetasse o sabor de suas carnes.

Mas hoje não busco ser um gourmet. Quero apenas carne em forma de fast-food. Tenho fome e quando fico neste estado não ouso escolher.

Perdido em meus pensamentos, quase perco a chance de uma vítima. Ela andava apressada, coberta por um sobretudo que lhe escondia totalmente o corpo. A chuva que começara naquele instante cobria meu corpo nu com uma gelada camada de vapores.

Ataquei-a pelas costas, buscando quebrar seu pescoço. Desequilibrada mas ainda consciente, ela gritou, um grito mudo que ficou guardado em sua garganta que eu iria estraçalhar. Em seus lábios vi claramente se formar um nome que não ouvia há muito tempo. O meu nome.

Sim, eu a reconheci e ela me reconheceu. Minha mãe humana estava ali, esperando por mim como um prato de velhas recordações.

Sem esperar mais, mordi e rasguei seu corpo, até o momento em que ouvi a última batida de seu fraco coração. Ela não deveria ter usado meu antigo nome, pois hoje me chamo Lobo e me alimento de pobres humanos desavisados que insistem em passar em meu caminho. Mas posso me chamar Misericórdia, mamãe, e, assim, livro inúteis como a senhora dessa vida inútil.

Comi tudo, mamãe. Não sobrou nada. Só não consegui comer seus olhos, que insistem em me fitar, mudos.

(Autoria de David Nóbrega - Livro Uns e Outros - 2008)

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MAUSOLÉO

Estoura o peito semi - árido,

... Com gotas em falsete de um grito longo e cálido...

Deitada no casco das pedras hoje,

Imaginando colcha de retalhos.


De forma débil,

Anda de quatro riscando o soalho...

Vê na parede mofada os retratos antigos trocados,

... Inflamação cerebral...

Loucura furiosa invadindo almas para viver no passado...

... Vezes brinca de arrastar algemas nos quartos,

Mas por hora prefere olhar crianças pendurada de ponta - cabeça nos galhos.


Misturada ao antigo cimento da matéria,

Provoca explosões nos canos...

Há cinco décadas desabitada,

A casa vive das lembranças da moça pálida.


Fez da sua antiga morada,

Um mausoléu encantado...

"Nana" bonecas nunca menstruadas...

Faz uso de cantigas esquecidas

Arcaizadas,

... Não tem pulsos para cortar...

Carrega na boca o gosto do suco acerejado de décadas atrás.


Preenche a casa,

Alma penada

E fica a janela...

Preservando sua paz...

Espreitando invasores.

... Ali eternamente ela jazz ( e Jaz)

( Autoria de Letícia Coelho - Ensaios Amadores... Ou não! - 2008)

14 de dez. de 2008

Filmes: Piores X Melhores

Gostamos de olhar filmes, como os canais pagos passam os mesmos filmes... Só muda o canal, alugamos por semana em torno de 10 filmes para olhar. O normal é fazer lista de indicação dos melhores filmes, mas resolvemos iniciar com uma lista dos piores filmes.

Piores:
- Reflexos da Inocência: filme com Daniel Craig (sim o 007) , em primeiro lugar o filme não empolga e quando termina, parece que nem começou... Sabem como é? A única coisa boa do filme, é a atuação do Daniel Craig, que mostra que pode fazer qualquer tipo de filme.
- Arquivo X: Eu quero acreditar: Para quem conhece a série, esse filme não fez juz a ela de maneira nenhuma. Aí está mais um filme que não tem ritmo, e parece que não vai para lugar nenhum. O que salva é a atuação do médium... Mas nem foi lá grande coisa.
- XVIII: The Conspiracy: Aí está um filme medonho! É um misto de conspiração Bourne, mais ficção científica de colégio e um pouco de telletubies. O artista principal do filme arrecada para si tanta desgraça, incluindo perda de memória e plástica para ficar parecido com outra pessoa... Que acredito, nem ele sabia qual o personagem estava fazendo. Bem... Esse foi um dos filmes que assistimos mais de uma hora e não conseguimos chegar ao final.
-Onde os fracos não tem vez: As vezes, temos medo de falar sobre nossas opiniões, pq todos falam a mesma coisa: O filme é o máximo e ganhou 4 oscars! Pessoas... Esse filme é um "farta"tudo, por exemplo... Poderia ter uma musiquinha de fundo para não dar sono. Poderia, ter coerência, e por final poderia ser um filme fantástico ( só para justificar os 4 oscars que ganhou), na nossa humilde opinião, esse é disparado um dos piores filmes que assistimos.

- Vozes do passado: Esse é um filme que não é dos piores, mas poderia ser melhor se o filme tivesse um orçamento maior. Para começar no figurino dos personagens... É uma desgraça, e nem somos ligados em roupas. No final do filme se tem a impressão que todos saíram de dentro de uma abóbora... Essa é a cor dominante da última cena. É um suspense legalzinho, mas não alcança... Sabem como é? É tanta descoberta que no final do filme parece que ainda falta mais revelações.

Pitaco (e update) do David:


Hoje é domingão, e para escapar do Faustão, mais um filminho....péssimo:

Revolver: O filme começa embalado, com o Jason Statham cabeludo e tal. Tiros, porradas, dinheiro; bem, o filme promete! Olho para a Letícia, absorta. É um bom indício de que o filme é bom (entre idas e vindas, eu tenho que pausar um filme em média 4 vezes, capicce?). Ah, tem o Ray Liotta no filme...pfff...de cuecas...ecaaa...fazendo cara de mau...hahahahahaha!

Vou contar só o final, já que não há prazer algum para ser estragado: depoimentos de psicólogos e psquiatras. Pegou?


Melhores:

- O orfanato: Esse filme é muito bom! É um suspense super inteligente, com uma mescla de mediunidade... Dá medo! Vale a pena assistir!
- O procurado: O filme é ótimo! É uma viagem... Mas daquelas com coerência. Tem ação, e revelações interessantes no filme... É muito bom!
- Antes que o diabo saiba que você está morto: ótimo! A cronologia do filme é muito legal... Diferente! Vale muito a pena ver.
- Ponte para Terabítia: É um filme infantil super legal! Meu filhote assitiu 2 vezes o filme... Vale a pena mesmo.

Essa é uma pequena listinha, lógico que filme depende do gosto de cada um... Mas essas são nossas opiniões.
Abraços

12 de dez. de 2008

Mais notícias sobre a coletânea

Divulgamos a coletânea ontem, e 10 pessoas já se inscreveram para participar. Queremos fazer a coletânea com no máximo 25 pessoas, para evitar aquela montanha de textos perdidos e inúmeros nomes que na maioria das vezes é o que acontece, quando resolvemos entrar em uma coletânea das grande editoras. As mesmas editoras, que nos exploram, não vendem nossos livros e claro, adoram o dinheiro de quem quer publicar!
Por experiência própria sei como funcionam as coletâneas de editoras que promovem uma por ano ou por semestre... Não vale a pena. Os trabalhos não são selecionados, ou seja, vale qualquer coisa desde que se pague, e pague caro. As editoras cobram de 12,00 a 16,00 reais por livro para o autor ter no máximo 2 páginas. Vale a pena? Creio que vale somente para não participar mais.
Uma coisa bacana que notamos, é que algumas pessoas que se inscreveram ainda não publicaram nada, vai ser a primeira vez delas, e ficamos contentes que seja com a Coletânea Scriptus. E para quem acha que não tem uma biografia ou apresentação, posso dizer que todos possuem uma biografia, e para quem quer mesmo escrever, pelo menos precisa iniciar de alguma maneira, na minha primeira participação em coletânea fiquei pensando no que escrever sobre mim... É complicado mas sempre sai algo.
Nos próximos dias, vamos divulgar para os autores quem vai dividir o livro... Acreditem isso é importante, e como são só 25 autores fica fácil cada um conhecer o trabalho do outro.
Obrigado a Luci pela divulgação que fez no blog dela... Ficou lindo demais! Bem desde que conheci a Luci, só tenho elogios para ela, é uma das blogueiras que conheço que sempre procura divulgar a ajudar as outras pessoas, em épocas como as de hoje... Pessoas como a Luci fazem uma diferença enorme! E a Betty que divulgou também, é legal ver pessoas que as vezes não conhecemos divulgando algo que estamos fazendo e cuidando com o máximo de carinho, como é o caso da Betty.
Quero lembrar aos amigos que a Coletânea não é blogagem coletiva ou algo parecido, mas um meio de divulgar o trabalho de quem tem interesse em escrever... Como sabemos, existem inúmeras pessoas que escrevem muito bem, e só não passam para o papel pq é complicado esperar contrato de editora exclusivo... Nada mais legal que publicar livro, por um preço baixo, com qualidade e assim divulgar o trabalho como deve ser divulgado. Existem os que escrevem bem e só querem ter uma lembrança para a família, isso é legal também... Vai que gosta da coisa e começa a escrever para valer?
Até mais, logo temos mais notícias!

11 de dez. de 2008

Primeira Coletânea Scriptus

(Imagem de divulgação da Coletânea)

É com prazer que convidamos aos interessados em publicar seus textos em livro a participarem de nossa primeira coletânea.
Existem várias possibilidades de publicação, mas acreditamos ter conseguido algo realmente bom, tanto em preço quanto em qualidade.
Nossa proposta é a seguinte:

1) A Coletânea contará com formato 14 x 21 cm, 100 páginas ( preto e branco ), fonte arial rounded, encadernado com hot melt p&b

2) Cada autor contará com 4 páginas, sendo uma de apresentação (currículo) e 3 de texto, que podem ser poesia, conto, crônica; ou seja, qualquer texto que se deseje publicar. Fica a critério do autor a quantidade de textos, desde que se respeite o limite de 3 páginas.

3) Cada autor recebe 10 livros com ISBN e direitos autorais protegidos .

4) Diagramação, divulgação, arte da capa e correção ortográfica não serão cobrados a parte.

5) O principal: Cada livro será confeccionado ao custo de R$ 7,00, mais as despesas de correio. Como a participação em outras Coletâneas está em torno de R$ 12,00, justificamos assim que não haja "orelha" na capa e que o livro seja todo em p&b.

6) Interessados, por favor enviem seus dados e textos para pré-diagramação para o endereço virtualartescs@gmail.com. Não esqueça de colocar nome completo, e-mail de contato e telefone.

7) Importante, enviar os textos até o dia 15 de janeiro de 2009, para os livros chegarem para todos os autores antes do término do mês de janeiro.

10 de dez. de 2008

O pai do romance policial moderno


" (...)
Da linda que eu soube amar;
E assim 'stou deitado toda a noite ao lado
Do meu anjo, meu anjo, meu sonho e meu fado,
No sepulcro ao pé do mar,
Ao pé do murmúrio do mar." (poema inteiro aqui)

- Poema, Annabel Lee, de Edgar Allan Poe - Tradução de Fernando Pessoa -

Edgar Allan Poe, foi sem dúvida o pai do romance policial moderno, se não fosse o conto, Assassinatos na Rua Morgue(1841), não haveria Sherlock Holmes (Conan Doyle, 1887), Hercule Poirot (Agatha Christie,1920) e tantos outros detetives e investigadores, que até hoje são lidos por pessoas de vários lugares do mundo.

(Imagem retirada daqui)

Poe, foi contista, poeta, romancista e crítico literário. Um dos contos mais fantásticos que considero de Poe é O Gato Preto(1843) que pode - se afirmar é um estudo da psicologia da culpa. O termo Gato Preto, evoca várias supertições até hoje, incluindo a de que Gatos Pretos são bruxas disfarçadas.
Vários outros contos de Poe são fantásticos, como
O Demônio da Perversidade e Os Fatos que envolveram o caso de Mr. Valdemar... Entre outros, mas vou postar aqui o que mais gosto , boa leitura!

"O GATO PRETO

Não espero nem peço que se dê crédito à história sumamente extraordinária e, no entanto, bastante doméstica que vou narrar. Louco seria eu se esperasse tal coisa, tratando-se de um caso que os meus próprios sentidos se negam a aceitar. Não obstante, não estou louco e, com toda a certeza, não sonho. Mas amanhã posso morrer e, por isso, gostaria, hoje, de aliviar o meu espírito. Meu propósito imediato é apresentar ao mundo, clara e sucintamente, mas sem comentários, uma série de simples acontecimentos domésticos. Devido a suas conseqüências, tais acontecimentos me aterrorizaram, torturaram e instruíram.
No entanto, não tentarei esclarecê-los. Em mim, quase não produziram outra coisa senão horror _ mas, em muitas pessoas, talvez lhes pareçam menos terríveis que grotesco. Talvez, mais tarde, haja alguma inteligência que reduza o meu fantasma a algo comum _ uma inteligência mais serena, mais lógica e muito menos excitável do que, a minha, que perceba, nas circunstâncias a que me refiro com terror, nada mais do que uma sucessão comum de causas e efeitos muito naturais.
Desde a infância, tomaram-se patentes a docilidade e o sentido humano de meu caráter. A ternura de meu coração era tão evidente, que me tomava alvo dos gracejos de meus companheiros. Gostava, especialmente, de animais, e meus pais me permitiam possuir grande variedade deles. Passava com eles quase todo o meu tempo, e jamais me sentia tão feliz como quando lhes dava de comer ou os acariciava. Com os anos, aumentou esta peculiaridade de meu caráter e, quando me tomei adulto, fiz dela uma das minhas principais fontes de prazer. Aos que já sentiram afeto por um cão fiel e sagaz, não preciso dar-me ao trabalho de explicar a natureza ou a intensidade da satisfação que se pode ter com isso. Há algo, no amor desinteressado, e capaz de sacrifícios, de um animal, que toca diretamente o coração daqueles que tiveram ocasiões freqüentes de comprovar a amizade mesquinha e a frágil fidelidade de um simples homem.
Casei cedo, e tive a sorte de encontrar em minha mulher disposição semelhante à minha. Notando o meu amor pelos animais domésticos, não perdia a oportunidade de arranjar as espécies mais agradáveis de bichos. Tínhamos pássaros, peixes dourados, um cão, coelhos, um macaquinho e um gato.
Este último era um animal extraordinariamente grande e belo, todo negro e de espantosa sagacidade. Ao referir-se à sua inteligência, minha mulher, que, no íntimo de seu coração, era um tanto supersticiosa, fazia freqüentes alusões à antiga crença popular de que todos os gatos pretos são feiticeiras disfarçadas. Não que ela se referisse seriamente a isso: menciono o fato apenas porque aconteceu lembrar-me disso neste momento.
Pluto _ assim se chamava o gato _ era o meu preferido, com o qual eu mais me distraía. Só eu o alimentava, e ele me seguia sempre pela casa. Tinha dificuldade, mesmo, em impedir que me acompanhasse pela rua.
Nossa amizade durou, desse modo, vários anos, durante os quais não só o meu caráter como o meu temperamento _ enrubesço ao confessá-lo _ sofreram, devido ao demônio da intemperança, uma modificação radical para pior. Tomava-me, dia a dia, mais taciturno, mais irritadiço, mais indiferente aos sentimentos dos outros. Sofria ao empregar linguagem desabrida ao dirigir-me à minha mulher. No fim, cheguei mesmo a tratá-la com violência. Meus animais, certamente, sentiam a mudança operada em meu caráter. Não apenas não lhes dava atenção alguma, como, ainda, os maltratava. Quanto a Pluto, porém, ainda despertava em mim consideração suficiente que me impedia de maltratá-lo, ao passo que não sentia escrúpulo algum em maltratar os coelhos, o macaco e mesmo o cão, quando, por acaso ou afeto, cruzavam em meu caminho. Meu mal, porém, ia tomando conta de mim _ que outro mal pode se comparar ao álcool? _ e, no fim, até Pluto, que começava agora a envelhecer e, por conseguinte, se tomara um tanto rabugento, até mesmo Pluto começou a sentir os efeitos de meu mau humor.
Certa noite, ao voltar a casa, muito embriagado, de uma de minhas andanças pela cidade, tive a impressão de que o gato evitava a minha presença. Apanhei-o, e ele, assustado ante a minha violência, me feriu a mão, levemente, com os dentes. Uma fúria demoníaca apoderou-se, instantaneamente, de mim. Já não sabia mais o que estava fazendo. Dir-se-ia que, súbito, minha alma abandonara o corpo, e uma perversidade mais do que diabólica, causada pela genebra, fez vibrar todas as fibras de meu ser.Tirei do bolso um canivete, abri-o, agarrei o pobre animal pela garganta e, friamente, arranquei de sua órbita um dos olhos! Enrubesço, estremeço, abraso-me de vergonha, ao referir-me, aqui, a essa abominável atrocidade.
Quando, com a chegada da manhã, voltei à razão _ dissipados já os vapores de minha orgia noturna, experimentei, pelo crime que praticara, um sentimento que era um misto de horror e remorso; mas não passou de um sentimento superficial e equívoco, pois minha alma permaneceu impassível. Mergulhei novamente em excessos, afogando logo no vinho a lembrança do que acontecera.
Entrementes, o gato se restabeleceu, lentamente. A órbita do olho perdido apresentava, é certo, um aspecto horrendo, mas não parecia mais sofrer qualquer dor. Passeava pela casa como de costume, mas, como bem se poderia esperar, fugia, tomado de extremo terror, à minha aproximação. Restava-me ainda o bastante de meu antigo coração para que, a princípio, sofresse com aquela evidente aversão por parte de um animal que, antes, me amara tanto. Mas esse sentimento logo se transformou em irritação. E, então, como para perder-me final e irremissivelmente, surgiu o espírito da perversidade. Desse espírito, a filosofia não toma conhecimento. Não obstante, tão certo como existe minha alma, creio que a perversidade é um dos impulsos primitivos do coração humano - uma das faculdades, ou sentimentos primários, que dirigem o caráter do homem. Quem não se viu, centenas de vezes, a cometer ações vis ou estúpidas, pela única razão de que sabia que não devia cometê-las? Acaso não sentimos uma inclinação constante mesmo quando estamos no melhor do nosso juízo, para violar aquilo que é lei, simplesmente porque a compreendemos como tal? Esse espírito de perversidade, digo eu, foi a causa de minha queda final. O vivo e insondável desejo da alma de atormentar-se a si mesma, de violentar sua própria natureza, de fazer o mal pelo próprio mal, foi o que me levou a continuar e, afinal, a levar a cabo o suplício que infligira ao inofensivo animal. Uma manhã, a sangue frio, meti-lhe um nó corredio em torno do pescoço e enforquei-o no galho de uma árvore. Fi-lo com os olhos cheios de lágrimas, com o coração transbordante do mais amargo remorso. Enforquei-o porque sabia que ele me amara, e porque reconhecia que não me dera motivo algum para que me voltasse contra ele. Enforquei-o porque sabia que estava cometendo um pecado _ um pecado mortal que comprometia a minha alma imortal, afastando-a, se é que isso era possível, da misericórdia infinita de um Deus infinitamente misericordioso e infinitamente terrível.
Na noite do dia em que foi cometida essa ação tão cruel, fui despertado pelo grito de “fogo!”. As cortinas de minha cama estavam em chamas. Toda a casa ardia. Foi com grande dificuldade que minha mulher, uma criada e eu conseguimos escapar do incêndio. A destruição foi completa. Todos os meus bens terrenos foram tragados pelo fogo, e, desde então, me entreguei ao desespero.
Não pretendo estabelecer relação alguma entre causa e efeito - entre o desastre e a atrocidade por mim cometida. Mas estou descrevendo uma seqüência de fatos, e não desejo omitir nenhum dos elos dessa cadeia de acontecimentos. No dia seguinte ao do incêndio, visitei as ruínas. As paredes, com exceção de uma apenas, tinham desmoronado. Essa única exceção era constituída por um fino tabique interior, situado no meio da casa, junto ao qual se achava a cabeceira de minha cama. O reboco havia, aí, em grande parte, resistido à ação do fogo _ coisa que atribuí ao fato de ter sido ele construído recentemente. Densa multidão se reunira em torno dessa parede, e muitas pessoas examinavam, com particular atenção e minuciosidade, uma parte dela, As palavras “estranho!”, “singular!”, bem como outras expressões semelhantes, despertaram-me a curiosidade. Aproximei-me e vi, como se gravada em baixo-relevo sobre a superfície branca, a figura de um gato gigantesco. A imagem era de uma exatidão verdadeiramente maravilhosa. Havia uma corda em tomo do pescoço do animal.
Logo que vi tal aparição, pois não poderia considerar aquilo como sendo outra coisa, o assombro e terror que se me apoderaram foram extremos. Mas, finalmente, a reflexão veio em meu auxílio. O gato, lembrei-me, fora enforcado num jardim existente junto à casa. Aos gritos de alarma, o jardim fora imediatamente invadido pela multidão. Alguém deve ter retirado o animal da árvore, lançando-o, através de uma janela aberta, para dentro do meu quarto. Isso foi feito, provavelmente, com a intenção de despertar-me. A queda das outras paredes havia comprimido a vítima de minha crueldade no gesso recentemente colocado sobre a parede que permanecera de pé. A cal do muro, com as chamas e o amoníaco desprendido da carcaça, produzira a imagem tal qual eu agora a via.
Embora isso satisfizesse prontamente minha razão, não conseguia fazer o mesmo, de maneira completa, com minha consciência, pois o surpreendente fato que acabo de descrever não deixou de causar-me, apesar de tudo, profunda impressão. Durante meses, não pude livrar-me do fantasma do gato e, nesse espaço de tempo, nasceu em meu espírito uma espécie de sentimento que parecia remorso, embora não o fosse. Cheguei, mesmo, a lamentar a perda do animal e a procurar, nos sórdidos lugares que então freqüentava, outro bichano da mesma espécie e de aparência semelhante que pudesse substituí-lo.
Uma noite, em que me achava sentado, meio aturdido, num antro mais do que infame, tive a atenção despertada, subitamente, por um objeto negro que jazia no alto de um dos enormes barris, de genebra ou rum, que constituíam quase que o único mobiliário do recinto. Fazia já alguns minutos que olhava fixamente o alto do barril, e o que então me surpreendeu foi não ter visto antes o que havia sobre o mesmo. Aproximei-me e toquei-o com a mão. Era um gato preto, enorme _ tão grande quanto Pluto _ e que, sob todos os aspectos, salvo um, se assemelhava a ele. Pluto não tinha um único pêlo branco em todo o corpo _ e o bichano que ali estava possuía uma mancha larga e branca, embora de forma indefinida, a cobrir-lhe quase toda a região do peito.
Ao acariciar-lhe o dorso, ergueu-se imediatamente, ronronando com força e esfregando-se em minha mão, como se a minha atenção lhe causasse prazer. Era, pois, o animal que eu procurava. Apressei-me em propor ao dono a sua aquisição, mas este não manifestou interesse algum pelo felino. Não o conhecia; jamais o vira antes.
Continuei a acariciá-lo e, quando me dispunha a voltar para casa, o animal demonstrou disposição de acompanhar-me. Permiti que o fizesse _ detendo-me, de vez em quando, no caminho, para acariciá-lo. Ao chegar, sentiu-se imediatamente à vontade, como se pertencesse a casa, tomando-se, logo, um dos bichanos preferidos de minha mulher.
De minha parte, passei a sentir logo aversão por ele. Acontecia, pois, justamente o contrário do que eu esperava. Mas a verdade é que - não sei como nem por quê _ seu evidente amor por mim me desgostava e aborrecia. Lentamente, tais sentimentos de desgosto e fastio se converteram no mais amargo ódio. Evitava o animal. Uma sensação de vergonha, bem como a lembrança da crueldade que praticara, impediam-me de maltratá-lo fisicamente. Durante algumas semanas, não lhe bati nem pratiquei contra ele qualquer violência; mas, aos poucos - muito gradativamente _ , passei a sentir por ele inenarrável horror, fugindo, em silêncio, de sua odiosa presença, como se fugisse de uma peste.
Sem dúvida, o que aumentou o meu horror pelo animal foi a descoberta, na manhã do dia seguinte ao que o levei para casa, que, como Pluto, também havia sido privado de um dos olhos. Tal circunstância, porém, apenas contribuiu para que minha mulher sentisse por ele maior carinho, pois, como já disse, era dotada, em alto grau, dessa ternura de sentimentos que constituíra, em outros tempos, um de meus traços principais, bem como fonte de muitos de meus prazeres mais simples e puros.
No entanto, a preferência que o animal demonstrava pela minha pessoa parecia aumentar em razão direta da aversão que sentia por ele. Seguia-me os passos com uma pertinácia que dificilmente poderia fazer com que o leitor compreendesse. Sempre que me sentava, enrodilhava-se embaixo de minha cadeira, ou me saltava ao colo, cobrindo-me com suas odiosas carícias. Se me levantava para andar, metia-se-me entre as pernas e quase me derrubava, ou então, cravando suas longas e afiadas garras em minha roupa, subia por ela até o meu peito. Nessas ocasiões, embora tivesse ímpetos de matá-lo de um golpe, abstinha-me de fazê-lo devido, em parte, à lembrança de meu crime anterior, mas, sobretudo _ apresso-me a confessá-lo _ , pelo pavor extremo que o animal me despertava. Esse pavor não era exatamente um pavor de mal físico e, contudo, não saberia defini-lo de outra maneira. Quase me envergonha confessar _ sim, mesmo nesta cela de criminoso _ , quase me envergonha confessar que o terror e o pânico que o animal me inspirava eram aumentados por uma das mais puras fantasias que se possa imaginar. Minha mulher, mais de uma vez, me chamara a atenção para o aspecto da mancha branca a que já me referi, e que constituía a única diferença visível entre aquele estranho animal e o outro, que eu enforcara. O leitor, decerto, se lembrará de que aquele sinal, embora grande, tinha, a princípio, uma forma bastante indefinida. Mas, lentamente, de maneira quase imperceptível _ que a minha imaginação, durante muito tempo, lutou por rejeitar como fantasiosa _, adquirira, por fim, uma nitidez rigorosa de contornos. Era, agora, a imagem de um objeto cuja menção me faz tremer… E, sobretudo por isso, eu o encarava como a um monstro de horror e repugnância, do qual eu, se tivesse coragem, me teria livrado. Era agora, confesso, a imagem de uma coisa odiosa, abominável: a imagem da forca! Oh, lúgubre e terrível máquina de horror e de crime, de agonia e de morte!
Na verdade, naquele momento eu era um miserável _ um ser que ia além da própria miséria da humanidade. Era uma besta-fera, cujo irmão fora por mim desdenhosamente destruído… uma besta-fera que se engendrara em mim, homem feito à imagem do Deus Altíssimo. Oh, grande e insuportável infortúnio! Ai de mim! Nem de dia, nem de noite, conheceria jamais a bênção do descanso! Durante o dia, o animal não me deixava a sós um único momento; e, à noite, despertava de hora em hora, tomado do indescritível terror de sentir o hálito quente da coisa sobre o meu rosto, e o seu enorme peso _ encarnação de um pesadelo que não podia afastar de mim _ pousado eternamente sobre o meu coração!
Sob a pressão de tais tormentos, sucumbiu o pouco que restava em mim de bom. Pensamentos maus converteram-se em meus únicos companheiros _ os mais sombrios e os mais perversos dos pensamentos. Minha rabugice habitual se transformou em ódio por todas as coisas e por toda a humanidade _ e enquanto eu, agora, me entregava cegamente a súbitos, freqüentes e irreprimíveis acessos de cólera, minha mulher - pobre dela! - não se queixava nunca convertendo-se na mais paciente e sofredora das vítimas.
Um dia, acompanhou-me, para ajudar-me numa das tarefas domésticas, até o porão do velho edifício em que nossa pobreza nos obrigava a morar, O gato seguiu-nos e, quase fazendo-me rolar escada abaixo, me exasperou a ponto de perder o juízo. Apanhando uma machadinha e esquecendo o terror pueril que até então contivera minha mão, dirigi ao animal um golpe que teria sido mortal, se atingisse o alvo. Mas minha mulher segurou-me o braço, detendo o golpe. Tomado, então, de fúria demoníaca, livrei o braço do obstáculo que o detinha e cravei-lhe a machadinha no cérebro. Minha mulher caiu morta instantaneamente, sem lançar um gemido.
Realizado o terrível assassínio, procurei, movido por súbita resolução, esconder o corpo. Sabia que não poderia retirá-lo da casa, nem de dia nem de noite, sem correr o risco de ser visto pelos vizinhos.
Ocorreram-me vários planos. Pensei, por um instante, em cortar o corpo em pequenos pedaços e destruí-los por meio do fogo. Resolvi, depois, cavar uma fossa no chão da adega. Em seguida, pensei em atirá-lo ao poço do quintal. Mudei de idéia e decidi metê-lo num caixote, como se fosse uma mercadoria, na forma habitual, fazendo com que um carregador o retirasse da casa. Finalmente, tive uma idéia que me pareceu muito mais prática: resolvi emparedá-lo na adega, como faziam os monges da Idade Média com as suas vítimas.
Aquela adega se prestava muito bem para tal propósito. As paredes não haviam sido construídas com muito cuidado e, pouco antes, haviam sido cobertas, em toda a sua extensão, com um reboco que a umidade impedira de endurecer. Ademais, havia uma saliência numa das paredes, produzida por alguma chaminé ou lareira, que fora tapada para que se assemelhasse ao resto da adega. Não duvidei de que poderia facilmente retirar os tijolos naquele lugar, introduzir o corpo e recolocá-los do mesmo modo, sem que nenhum olhar pudesse descobrir nada que despertasse suspeita. E não me enganei em meus cálculos. Por meio de uma alavanca, desloquei facilmente os tijolos e tendo depositado o corpo, com cuidado, de encontro à parede interior. Segurei-o nessa posição, até poder recolocar, sem grande esforço, os tijolos em seu lugar, tal como estavam anteriormente. Arranjei cimento, cal e areia e, com toda a precaução possível, preparei uma argamassa que não se podia distinguir da anterior, cobrindo com ela, escrupulosamente, a nova parede. Ao terminar, senti-me satisfeito, pois tudo correra bem. A parede não apresentava o menor sinal de ter sido rebocada. Limpei o chão com o maior cuidado e, lançando o olhar em tomo, disse, de mim para comigo: “Pelo menos aqui, o meu trabalho não foi em vão”.
O passo seguinte foi procurar o animal que havia sido a causa de tão grande desgraça, pois resolvera, finalmente, matá-lo. Se, naquele momento, tivesse podido encontrá-lo, não haveria dúvida quanto à sua sorte: mas parece que o esperto animal se alarmara ante a violência de minha cólera, e procurava não aparecer diante de mim enquanto me encontrasse naquele estado de espírito. Impossível descrever ou imaginar o profundo e abençoado alívio que me causava a ausência de tão detestável felino. Não apareceu também durante a noite _ e, assim, pela primeira vez, desde sua entrada em casa, consegui dormir tranqüila e profundamente. Sim, dormi mesmo com o peso daquele assassínio sobre a minha alma.
Transcorreram o segundo e o terceiro dia _ e o meu algoz não apareceu. Pude respirar, novamente, como homem livre. O monstro, aterrorizado fugira para sempre de casa. Não tomaria a vê-lo! Minha felicidade era infinita! A culpa de minha tenebrosa ação pouco me inquietava. Foram feitas algumas investigações, mas respondi prontamente a todas as perguntas. Procedeu-se, também, a uma vistoria em minha casa, mas, naturalmente, nada podia ser descoberto. Eu considerava já como coisa certa a minha felicidade futura.
No quarto dia após o assassinato, uma caravana policial chegou, inesperadamente, a casa, e realizou, de novo, rigorosa investigação. Seguro, no entanto, de que ninguém descobriria jamais o lugar em que eu ocultara o cadáver, não experimentei a menor perturbação. Os policiais pediram-me que os acompanhasse em sua busca. Não deixaram de esquadrinhar um canto sequer da casa. Por fim, pela terceira ou quarta vez, desceram novamente ao porão. Não me alterei o mínimo que fosse. Meu coração batia calmamente, como o de um inocente. Andei por todo o porão, de ponta a ponta. Com os braços cruzados sobre o peito, caminhava, calmamente, de um lado para outro. A polícia estava inteiramente satisfeita e preparava-se para sair. O júbilo que me inundava o coração era forte demais para que pudesse contê-lo. Ardia de desejo de dizer uma palavra, uma única palavra, à guisa de triunfo, e também para tomar duplamente evidente a minha inocência.
_ Senhores _ disse, por fim, quando os policiais já subiam a escada _ , é para mim motivo de grande satisfação haver desfeito qualquer suspeita. Desejo a todos os senhores ótima saúde e um pouco mais de cortesia. Diga-se de passagem, senhores, que esta é uma casa muito bem construída… (Quase não sabia o que dizia, em meu insopitável desejo de falar com naturalidade.) Poderia, mesmo, dizer que é uma casa excelentemente construída. Estas paredes _ os senhores já se vão? _ , estas paredes são de grande solidez.
Nessa altura, movido por pura e frenética fanfarronada, bati com força, com a bengala que tinha na mão, justamente na parte da parede atrás da qual se achava o corpo da esposa de meu coração.
Que Deus me guarde e livre das garras de Satanás! Mal o eco das batidas mergulhou no silêncio, uma voz me respondeu do fundo da tumba, primeiro com um choro entrecortado e abafado, como os soluços de uma criança; depois, de repente, com um grito prolongado, estridente, contínuo, completamente anormal e inumano. Um uivo, um grito agudo, metade de horror, metade de triunfo, como somente poderia ter surgido do inferno, da garganta dos condenados, em sua agonia, e dos demônios exultantes com a sua condenação.
Quanto aos meus pensamentos, é loucura falar. Sentindo-me desfalecer, cambaleei até à parede oposta. Durante um instante, o grupo de policiais deteve-se na escada, imobilizado pelo terror. Decorrido um momento, doze braços vigorosos atacaram a parede, que caiu por terra. O cadáver, já em adiantado estado de decomposição, e coberto de sangue coagulado, apareceu, ereto, aos olhos dos presentes.
Sobre sua cabeça, com a boca vermelha dilatada e o único olho chamejante, achava-se pousado o animal odioso, cuja astúcia me levou ao assassínio e cuja voz reveladora me entregava ao carrasco. Eu havia emparedado o monstro dentro da tumba!"

8 de dez. de 2008

Interlúdio Com Florbela

"Eu (Florbela Espanca)
Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada... a dolorida...

Sombra de névoa tênue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,

Impele brutalmente para a morte!

Alma de luto sempre incompreendida!

...
Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...

Sou a que chora sem saber porquê...

Sou talvez a visão que Alguém sonhou,

Alguém que veio ao mundo pra me ver,
E que nunca na vida me encontrou!"


"Poetas

Ai as almas dos poetas
Não as entende ninguém;
São almas de violetas
Que são poetas também.


Andam perdidas na vida,
Como as estrelas no ar;
Sentem o vento gemer
Ouvem as rosas chorar!


Só quem embala no peito
Dores amargas e secretas
É que em noites de luar
Pode entender os poetas


E eu que arrasto amarguras
Que nunca arrastou ninguém
Tenho alma pra sentir
A dos poetas também!"


"Lágrimas ocultas

Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era q'rida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...


E a minha triste boca dolorida
Que dantes tinha o rir das Primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!


E fico, pensativa, olhando o vago...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...


E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!"


- Sei que muitos post's escreverão sobre a biografia de Florbela, então para não ficar repetitivo deixo um link com a biografia dela aqui

Blogagem proposta pela Flor.


6 de dez. de 2008

Sifú cacique máximo?

No colégio, aprendi os devidos pronomes de tratamento e as diversas expressões usadas... Acredito que todos aprenderam também. Aprendi, antes de mais nada, que existem ocasiões para determinadas expressões serem usadas; e o termo sifú, que o Nosso Guia utilizou em um discurso não deve ser considerado apropriado para se falar em público.
Logicamente, o cacique da tribo tupiniquim, deve ter considerado normal o termo sifú em seu discurso... Bem como, os que insistem em simplificar tudo o que causaria um grande escândalo se não fosse com Nosso Guia, e se fosse em outro País.
Por essas e outras aprendi que determinados cidadãos, não merecem o pronome de tratamento que ostentam, não consigo chamar o Lula de Presidente... Em primeiro lugar, não me sinto representada e nem respeitada por ele como ser humano e em segundo lugar tenho vergonha de chamar de Presidente um cidadão que foi sustentado boa parte da vida pelo seu sindicato e diz na cara dura que faz parte da classe trabalhadora do País. Tenho vergonha, de ler aos quatro cantos que esse mesmo cidadão "acha chato ler", e mais vergonha ainda quando escuto ou leio ( o que é pior) algum discurso transcrito que o líder máximo da Tupiniquinzada ( termo surrupiado da senhorita Rosa) fez, cheio de palavras desconexas e frases de impossível entendimento.
Mas voltando ao sifú... Eu sou uma pessoa que falo bastante palavrão, mas quando estou na presença de amigos ou em uma conversa informal, e é hipócrita quem diz que nunca falou um palavrão em alguma ocasião. Agora, em público e dando discurso...ainda mais saindo da boca do ocupante do cargo máximo do País, não é aceitável um sifú, nem para exemplificar o que outra pessoa não falaria.
As pessoas não se chocam mais com o impróprio, me perdoem os liberais de plantão... Mas se eu estivesse lecionando e falasse um sifú na sala de aula, certamente chamariam minha a atenção, ou não é mais assim? Sim, mas todo mundo fala, o povo fala, o pobre fala, porque o cacique mor, não poderia falar? Simplesmente por que ele é o cacique mor, e deveria ter um vocabulário um pouco mais próprio para se expressar em público. Mas estamos falando de Brasil, e como já foi muito falado: Cada um tem o Governante e o Governo que merece!

4 de dez. de 2008

Uns e Outros


Então... Aí está o livro do David!!!! :)
O livro vai custar R$ 16,00 mais as despesas de envio.
O livro é de contos e a contra - capa foi feita pela querida Gerana Damulaski (clique na imagem para ampliar)
Quem quiser já ir pedindo o seu é só mandar e-mail!
Dá para notar, o quanto tô orgulhosa do meu amoreeeee? :)
Abraços para todos!

2 de dez. de 2008

Ecce homo

Já li o livro do Nietzsche uma vez, Ecce homo, estou lendo novamente. Confesso para vocês, que quando o David, me deu o livro para ler de cara adorei, mas ao mesmo tempo achei estranho os títulos do sumário: Por que sou tão sábio; Por que sou tão inteligente; Por que escrevo tão bons livros... E vai adiante.
Gosto muito de Nietzsche, e fiquei impressionada com a perfeição desse livro! Esse livro não é somente uma simples biografia... Chega a ser uma confissão de seus conflitos. Ecce homo, foi iniciado depois de Nietzsche completar 44 anos... É um balanço de sua vida.

" Nesse dia perfeito, em que tudo amadurece e não ó a videira doura, caiu - ma na vida um raio de sol: olhei para trás, olhei para a frente, jamais vi tantas e tão boas coisas de uma só vez. Não foi em vão que enterrei hoje o meu quadragésimo quarto ano, era - me lícito sepultá - lo - o que nele era a vida está salvo, é imortal. O primeiro livro da Tresvaloração de todos os valores, as Canções de Zaratustra, O Crepúsculo dos ídolos, meu ensaio filosófico com o martelo - tudo dádivas desse ano, aliás de seu último trimestre! Como não deveria ser grato à minha vida inteira?
- E assim me conto minha vida. " ( Friedrich Nietzsche - Ecce Homo)

Vale a pena ler o livro... Bem, já li uma vez estou lendo novamente, fica aí uma dica de leitura! Abraços, boa semana!

1 de dez. de 2008

Coletânea Artesanal

imagem: David Nóbrega



Está no ar a XVX Edição da Coletânea Artesanal!

Edição

Lunna Montez´zinny Guedes

Letícia Coelho

Autores Convidados.

Adriana Costa
Bruna Azevedo
Chamas do Fenix
David Nobrega
Fernando Rozano
Flamarion
Gabriele Fidalgo
Giovanna Venturini
Madalena Barranco
Paulo Ricardo Diesel
Rui Carlo