28 de nov. de 2008

O DIA

Hoje é niver do meu amore :)
A pessoa que me ensinou a olhar para os lados, a ver sempre outra alternativa!
Aquele que me ama como sou, mesmo que estreiando ferraduras na TPM em casa.
O melhor pai, padrasto e marido do mundo... Meu amore querido que cuida de todos,
e trata qualquer pessoa com respeito.
Enfim... Hoje é um dia especial, o dia especial!

Beijos amore, feliz aniversário te amo muito, sou muito feliz contigo... Tenho muito orgulho de ti... E sim me acho a bolachinha recheada do pacote por ter teu amor e conseguir te fazer feliz!

Te amo!

27 de nov. de 2008

Patativa do Assaré


Patativa do Assaré, cujo verdadeiro nome é Antônio Gonçalves da Silva, nascido no dia 5 de março de 1909 na Serra de Santana, pequena propriedade rural da prefeitura de Assaré, ao sul do estado do Ceará, inclui-se na linhagem dos cantadores sertanejos de quem ele mantém a tradição. Oriundo de um meio muito modesto, descobre a literatura através dos folhetos de cordel e dos cantadores, repentistas e violeiros do Nordeste. Casado, pai de nove filhos, dedicou sua vida aos trabalhos dos campos de Assaré, onde reside ainda atualmente. No dia 23 de março de 1995, o presidente Fernando Henrique Cardoso rendeu uma homenagem pública ao poeta popular, atualmente cego, conferindo-lhe a medalha “José de Alencar” quando de sua passagem a Fortaleza (Ceará) para a celebração de seu octogésimo sexto aniversário.

[leia mais] no local de origem.





Aos Poetas Clássicos


Poetas niversitário,
Poetas de Cademia,
De rico vocabularo
Cheio de mitologia;
Se a gente canta o que pensa,
Eu quero pedir licença,
Pois mesmo sem português
Neste livrinho apresento
O prazê e o sofrimento
De um poeta camponês.

Eu nasci aqui no mato,
Vivi sempre a trabaiá,
Neste meu pobre recato,
Eu não pude estudá
No verdô de minha idade,
Só tive a felicidad
De dá um pequeno insaio
In dois livro do iscritô,
O famoso professô
Filisberto de Carvaio.

No premêro livro havia
Belas figuras na capa,
E no começo se lia:
A pá — O dedo do Papa,
Papa, pia, dedo, dado,
Pua, o pote de melado,
Dá-me o dado, a fera é má
E tantas coisa bonita,
Qui o meu coração parpita
Quando eu pego a rescordá.

Foi os livro de valô
Mais maió que vi no mundo,
Apenas daquele autô
Li o premêro e o segundo;
Mas, porém, esta leitura,
Me tirô da treva escura,
Mostrando o caminho certo,
Bastante me protegeu;
Eu juro que Jesus deu
Sarvação a Filisberto.

Depois que os dois livro eu li,
Fiquei me sintindo bem,
E ôtras coisinha aprendi
Sem tê lição de ninguém.
Na minha pobre linguage,
A minha lira servage
Canto o que minha arma sente
E o meu coração incerra,
As coisa de minha terra
E a vida de minha gente.

Poeta niversitaro,
Poeta de cademia,
De rico vocabularo
Cheio de mitologia,
Tarvez este meu livrinho
Não vá recebê carinho,
Nem lugio e nem istima,
Mas garanto sê fié
E não istruí papé
Com poesia sem rima.

Cheio de rima e sintindo
Quero iscrevê meu volume,
Pra não ficá parecido
Com a fulô sem perfume;
A poesia sem rima,
Bastante me disanima
E alegria não me dá;
Não tem sabô a leitura,
Parece uma noite iscura
Sem istrela e sem luá.

Se um dotô me perguntá
Se o verso sem rima presta,
Calado eu não vou ficá,
A minha resposta é esta:
— Sem a rima, a poesia
Perde arguma simpatia
E uma parte do primô;
Não merece munta parma,
É como o corpo sem arma
E o coração sem amô.

Meu caro amigo poeta,
Qui faz poesia branca,
Não me chame de pateta
Por esta opinião franca.
Nasci entre a natureza,
Sempre adorando as beleza
Das obra do Criadô,
Uvindo o vento na serva
E vendo no campo a reva
Pintadinha de fulô.

Sou um caboco rocêro,
Sem letra e sem istrução;
O meu verso tem o chêro
Da poêra do sertão;
Vivo nesta solidade
Bem destante da cidade
Onde a ciença guverna.
Tudo meu é naturá,
Não sou capaz de gostá
Da poesia moderna.

Deste jeito Deus me quis
E assim eu me sinto bem;
Me considero feliz
Sem nunca invejá quem tem
Profundo conhecimento.
Ou ligêro como o vento
Ou divagá como a lesma,
Tudo sofre a mesma prova,
Vai batê na fria cova;
Esta vida é sempre a mesma.



[*crédito de imagem]

24 de nov. de 2008

A falta de respeito e bom senso

Vocês sabem aquela coisa tipicamente feminina, dos dias de TPM, o maldito respondo - quase mordendo? Quando qualquer pergunta se transforma, em um poderoso PORQUE, como se alguém estivesse perguntando ou pedindo algo absurdo? Pois... Creio que atualmente as pessoas estão todos os dias de TPM, e ela que é "coisinha de mulher" está presente nos homens também, coisa complicada isso!
Fato é que recebemos inúmeros e-mails chatos dizendo que devemos tratar o próximo com carinho, respeito... E todas as palavrinhas mágicas possíveis, mas as pessoas no geral são grossas e estúpidas, não tratam as pessoas com respeito! O respeito a que me refiro, é o de ser um humano como qualquer outro, em qualquer parte do universo... Qualquer criatura que caminha merece um pingunho de respeito, conversar olhando no olho, não tratar todo mundo como estorvo!
Tenho notado, que no comércio em geral, os clientes não tem mais razão... Quem tem razão é o dono do negócio ou o funcionário que te atende... Sem nenhum respeito! Parece que estão fazendo um favor para quem compra, isso não pode ser real!
Se o bendito respeito não existe mais, o que dizer do fatal bom senso? Esse se perdeu mesmo, até recebi e-mail convidando para o enterro. As pessoas no geral deveriam ler Durkhein, falta um pouco de tudo entendem? Somos animais socializados, que vivem muito pouco em grupo(?)... As famosas "regras sociais" de Durkhein, não existem mais... Senso comun, bom senso, está tudo deturpado. E continuamos afetadinhos procurando liberdade, gritando aos quatro ventos que temos nossos direitos... E os deveres? Ninguém mais tem, é uma baderna!
Eu tenho uma relação estável, mas não fico me "amassando" na frente de todo mundo, pq tenho que aceitar duas meninas namoradas ou dois meninos namorados literalmente se esfregando na frente de todo mundo? Ahhhh pq se eu falar alguma coisa, logo vem a placa taxativa de : INTOLERANTE E PRECONCEITUOSA! Na verdade, penso que cada um faz o que quer e beija quem quer... Agora para lá, um pouquinho de bom senso não faz mal para ninguém. Como acho ridículo um casal heterosexual se "comendo " em público tenho o direito de achar ridículo um casal homosexual se "comendo"tb, e isso não me qualifica como intolerante... Pelo menos não deveria.
Se eu andar com uma camiseta com a bandeira da Alemanha na rua... Pelo menos 10 pessoas vão me chamar de NAZISTA, porém se eu colocar uma camiseta da áfrica com o rosto do Bob Marley... Eu sou o máximo e não tenho preconceito contra os negros. Se eu reclamar do sistema de cotas, sou RACISTA... Se eu defender respeito os negros... Isso tem lógica? No meu entendimento não.
Eu mulher, dona de casa e mãe tenho horror do feminismo, e de quem reclama do "quanto a mulher é desvalorizada no mundo"... E acho ridículo a mania que mulher tem de falar mal de mulher, desvalorizar a outra. Se é mais bonita é puta, se é bonita não pode ser inteligente, se é inteligente é feia, se é dona de casa é escorada, se trabalha deixa os filhos "para Deus criar" ... Mulher detona a mulher, por isso reclamam do "respeito"... Acho isso engraçado demais!
Se eu reclamo dos sem terra que querem desapropriar a terra das outras pessoas... Sou elitista, preconceituosa e não defendo " a classe pobre do País"... Agora se eu cidadã resolver debandar para a casa do meu vizinho pq acho que mereço aquela casa, vou presa pq sou psicótica! Fico sem entender!
O bom senso não existe mais, respeito então é ilusório... TODOS pedem respeito, mas não respeitam os outros. Agora pouco no meio do trânsito um carroceiro passa com a carroça cheia de madeira, podendo atingir algum carro... Mas se alguém reclamar disso, fica mal visto é ou não é? Eu tenho que respeitar o pobre do carroceiro, agora ele não precisa me respeitar!
As pessoas saem de casa TODAS tapadas de razão todos os dias, a TPM é coletiva... Ninguém se respeita mais... Porém ainda tem gente que grita por liberdade, onde vamos parar? E olha que nem estou de TPM hoje!

23 de nov. de 2008

Óia o orgúio que me atoxa o peito!

Pois ontem aconteceu a tal sessão de autógrafos de minha musa.
A ansiedade dessa "estréia" em Santa Cruz foi grande. Dona Letícia estava aquela pilha, ora achando que ninguém compareceria, ora não caberia tanta gente.
Nem um nem outro: o público foi ótimo, as vendas foram superiores ao esperado e acabou sendo perfeito.

Logo de cara, entrevista para o Arauto, jornal da vizinha Vera Cruz:


Ambiente aconchegante da Livraria Iluminura.




Pausa para o cafezinho básico:


Mais autógrafos:



É nóis na fita

22 de nov. de 2008

Pausa para os preparativos

Enquanto aguardo pelo início da tarde de autógrafos da Letícia, vou buscando na net músicas que todo mundo ouve mas que ninguém sabe de quem é, as trilhas sonoras de comerciais. Sim, pode ser bizarrice, mas vou atrás de todas.
Esta aqui abaixo é do novo Ford Focus:

O comercial do novo Ford Focus (leia sobre o modelo aqui: http://carros.uol.com.br/ultnot/2008/09/05/ult634u3175.jhtm) mostra "funcionários" da marca trabalhando no carro desde o projeto, passando pela linha de montagem e chegando aos testes de pista, enquanto cantam uma música de altíssimo astral para simbolizar o quanto estão "felizes" em ajudar na produção do Focus (lembre-se, trata-se de uma propaganda). O comercial você assiste na TV -- e aqui mostramos uma apresentação da banda The Turtles e sua 'Happy Together', o hit de 1967 que virou trilha para o novo carro da Ford.
UOL




Letra:

Imagine me and you, I do
I think about you day and night
It's only right
To think about the girl you love
And hold her tight
So happy together

If I should call you up
Invest a dime
And you say you belong to me
And ease my mind
Imagine how the world could be
So very fine
So happy together

I can't see me loving nobody but you
For all my life
When you're with me
Baby the skies will be blue
For all my life

Me and you
And you and me
No matter how they tossed the dice
It had to be
The only one for me is you
And you for me
So happy together

I can't see me loving nobody but you
For all my life
When you're with me
Baby the skies will be blue
For all my life

Me and you
And you and me
No matter how they tossed the dice
It had to be
The only one for me is you
And you for me
So happy together
So happy together
How is the weather
So happy together
We're happy together
So happy together...

21 de nov. de 2008

Gazeta do Sul - 21/11/2008

Matéria Livro Leticia
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Estamos na Gazeta do Sul, divulgando o Ensaios Amadores e o livro Uns e Outros, do David. Essa é a página da reportagem.
Abraços

20 de nov. de 2008

Algumas coisas

Então... Andamos meio sumidos, sem tempo para a net! Estamos em plena correria, mas logo logo atualizamos direitinho nosso blog bem como a leitura no blog de vocês.
Viram a imagem que o David fez? Pois é pessoas... É para lembrar um pouquinho do antigo Aqui não Genésio, blog do David; e do Letícia Coelho, meu blog. Blogs "nervosos" sobre política, que faleceram antes de juntarmos nossas escovas de dente em blogs e vida real!
Porém, aqui nesse espaço cultural... Postaremos alguns textos nossos sobre política, assuntinho bom para destilar o veneno. Para abrir nossos pitacos sobre o tema, aí uma frase interessante do "operário mais bem pago do Brasil":
"O problema é o medo. As pessoas que estão trabalhando vão ficando com medo de perder o emprego. Por conta disso, as pessoas não fazem mais compras. O que pode acontecer? O desemprego de que tanto tem medo."
Essa brilhante frase foi dita por Lula... Dando a impressão de uma espécie de conselho aos consumidores. Triste né? Pois, esse é o Presidente que tu elegeu, o mesmo que não houve nem sabe de nada... O mesmo que tem como profissão - ser sindicalista - e pede para o brasileiro consumir mesmo quando tem medo de perder o emprego para movimentar a economia... Falta pouco para criarmos o factóide " american dream tupiniquin"... Comprar casa e carros em diversas prestações, financiar e não pagar... Conseguiremos quebrar mais o Brasil assim?
A solução é "alugar o Brasil"... E definitivamente não pagar nada!

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Faz algum tempo, a Flor convidou - nos para participar da blogagem Interlúdio com Florbela, que vai acontecer no dia 8 de dezembro , que é a comemoração do nasicmento de Florbela Espanca. Eu adoro Florbela, e já postei no blog alguma coisa sobre ela, e sobre minha amiga querida Stella Vives, que faz uma performance emocionante de Florbela.
O selo da blogagem é esse aqui, quem quiser participar vai no blog da Flor e diz: vou participar!Um pequeno UP DATE da postagem sobre Florbela e Stella Vives no dia 24 de setembro:
Stella Vives, como Florbela


Toda a pessoa, deveria ler Florbela Espanca... Uma das maiores poetas que dividiu suas letras com o mundo. Poesia é muito do gosto de cada um, e eu passei a gostar de Florbela Espanca, quando assisti a apresentação da querida amiga Stella Vives.
Florbela, escreveu sua primeira poesia aos 7 anos e desde essa época sua preferência por temas melancólicos e escusos se mostram latentes. Florbela, queria ser mãe e nunca conseguiu, casou - se 3 vezes e tentou o suicídio por 2 vezes.
A poesia de Florbela mesmo diante da melancólica tem vida, fala por si só! Apesar da sua vida sofrida lotada de preconceitos por suas ações, ela foi a primeira mulher a cursar a Universidade de Lisboa e foi precursora do movimento feminista em Portugal.
Stella Vives, faz atualmente a performance de Florbela Espanca... Veste roupas da época e declama poesias. No ano passado, tive a feliz oportunidade de participar de um sarau com a Stella... E fiquei emocionada com a maneira como ela nos apresenta Florbela. Stella Vives, participou da exposição "Porto Alegre: Imagem e Poesia"... Emprestou suas letras em três fotos que o David tirou de Porto Alegre e agora nos convida para participar da sua performance no dia 8 de Outubro das 16h 30min ás 17:00 na sala 2 do Pub John Bull em Porto Alegre.


A poesia de Florbela:

"Eu (Florbela Espanca)

Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada... a dolorida...

Sombra de névoa tênue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,

Impele brutalmente para a morte!

Alma de luto sempre incompreendida!

...
Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...

Sou a que chora sem saber porquê...

Sou talvez a visão que Alguém sonhou,

Alguém que veio ao mundo pra me ver,
E que nunca na vida me encontrou!"

19 de nov. de 2008

Greve dos professores: eles realmente merecem?

Aqui no RS os professores entraram em greve... Praticamente no final do ano letivo, querem aumentar seus salários, tendo em vista o aumento do "piso salarial federal" ( aquela lorota do Lula para jogar a culpa do mau pagamento dos professores em cima dos Estados: quebrados - falidos e dizer que está ajudando).
Sou Pedagoga, eu poderia ter feito um concurso público e ganhar a merreca que os professores ganham no Estado, ficar fazendo greve durante toda a minha vida funcional... Ou dar aulas de acordo com o salário para os alunos (já escutei isso de uma professora aqui do Estado), mas não... Prefiro não trabalhar no Estado! Durante muito tempo, alguns professores alimentam o sonho dourado de trabalhar na rede pública de ensino, porém o que querem na verdade é GARANTIR o salário sem muito esforço, tirando licenças saúde, licença interesse, licença prêmio e emburrecendo os alunos... Pq os professores ganham muito pouco e não tem animo para trabalhar no Estado. Pobres professores... Mas é um círculo vicioso, e quem paga o pato é sempre o aluno!
Conseguir fazer uma greve no final do ano letivo, é um absurdo! São professores que não pensam no aluno, estão pouco ligando para as aulas que ministram dentro da rede pública de ensino, pq justamente sabem que as aulas são horríveis e realmente não acrescenta muito na vida de uma pessoa em crescimento. Se estudar em colégio público fosse bom, não existiriam os colégios particulares e todos estariam nivelados para entrar em Universidade pública... Mas não é o que acontece.
Antes de passar em um concurso público, e literalmente se instalar quase como câncer nas escolas públicas, os educadores deveriam fazer um estágio probatório de no mínimo 5 anos, sem garantia de estabilidade para pelo menos garantir 5 anos de educação com um mínimo de qualidade para os educandos... Pq hoje o que se vê é: Passar no concurso - cumprir estágio probatório - ministrar aulas medonhas - entrar em greve - reclamar do salário - ministrar aulas medonhas - reclamar do salário, etc... Ahhhhhhhhhhhh mas ganham muito pouco, sim ganham... Mas deveriam fazer greve com o ponto cortado e não no final do ano letivo! Engraçado... Que quando o partido do nosso "operário"mais bem pago estava no poder as greves se chamavam PARALISAÇÕES, um nome bem meigo para deixar de trabalhar e ficar empinando bandeirinha na frente do Palácio do Estado, para ganhar talvez 3% de aumento... 10% não sei...
Vergonha na cara é o que falta para os professores atuais, sinceramente entrem nas salas de aula e ensinem os alunos, façam por merecer pelo menos a merreca que ganham, querem aumento para que? Para ficar tirando licença... isso é fato! Se as escolas públicas fossem melhores em qualidade que as particulares, e os professores ganhassem o salário baixo que ganham... Realmente deveriam paralisar tudo! Mas não... O ensino público é uma droga, e os alunos formados nesse ensino RALAM para não se perder pelo mundo! RALAM para entrar em uma Universidade, RALAM para ter uma profissão, RALAM muito, muito , muito... Pq os professores desistiram de ensinar, vale mais a pena se manter no emprego e dar aula quando quer.
Eu se fosse professor, voltaria para a sala de aula e me preocuparia em fazer meus alunos passar no vestibular, sair do colégio sabendo mais do que ler e escrever... E sim pensar... Para depois, TAPADA de razão cobrar meu salário digno!
Não entendo a mística que se criou, que todo o funcionário público é um pobre coitado, existem os que estão pouco ligando para a importância que existe no serviço público, são profissionais da "carreira" e vislumbram somente a aposentadoria com o máximo de benefícios que puder fazer o Estado pagar... Ou seja, nós os contribuintes! O serviço é uma merda? Vamos cobrar, ou ficaremos a vida toda dependendo de greves e injustiças sociais promovidas pelo serviço básico do Estado: Saúde, segurança e educação! Os funcionários públicos mereciam um salário melhor? Sim com certeza, mas certamente merecemos um quadro de funcionários melhor! Se a polícia quer fazer greve, que façam... Pelo menos liberem e facilitem o porte de arma para o cidadão se defender! Se os funcionários da saúde querem fazer greve, beleza! Só comecem a distribuir cartilhas de sobrevivência para o cidadão... E se os professores querem fazer greve, ótimo! Mas por favor... Pelo menos deixem que os pais ensinem em casa, ou outra pessoa que estiver a fim de realmente formar cidadãos preparados para a vida... E claro, contem as aulas que os alunos receberam em casa, como aula letiva... E não como vocês fazem, de ir em uma festa junina no final de semana, e contar como aula extra! Dá para notar como tem algo errado com a educação pública, e os outros serviços? É fim de várzea mesmo!

17 de nov. de 2008

Eu nem ia falar nada...

...mas não guento!

Barack Obama, eleito nos Estaduzunidos. Primeiro presidente negro. Comparado, em vários textos que li, a Martin Luther King. Outros o acham o novo JFK.

Mas, cá quietinho com meus botões me rest a pergunta: QUIQUI EU TENHO COM ISSO?????

Os Estaduzunidos só interessam aos brasileiros enquanto mercado de exportação ou como destino a lavadores de prato. Nada mais. O que influenciaria a eleição do Big MaCain ou do Obama?

Os gringos lá, por patriotismo desenfreado beirando ao nacionalismo, tem a economia mais protecionista do planeta. Acreditam mesmo que agora que um sujeito com cara de 80% da população brasileira (ou seja, miscigenado) será nosso salvador da pátria?

Enquanto isso nosso presidente, aquele mesmo - o tal Lula, lembra? - passa mais tempo viajando que em reunião com o Mantega. Lança a Dilma como sua sucessora "sem ela saber". Os professores estão entrando em grave a pouco mais de 30 dias do final do ano letivo. A recessão está batendo em nossas portas e ninguém toma uma atitude séria. Os conchavos e fraudes dos corruptos eleitos por nós, burros eleitores, continuam empatando um desenvolvimento sério deste país onde os Três Poderes criaram o Quarto poder: o cada um por si.

Prestem mais atenção ao seu país e deixem lá os do norte com os problemas deles. Ou vocês acham que quando a casa cair aqui o Obama vai chegar em um cavalo branco?

15 de nov. de 2008

Evocação de Silves

Evocação de Silves

Saúda, por mim, Abu Bakr,
Os queridos lugares de Silves
E diz-me se deles a saudade
É tão grande quanto a minha.
Saúda o palácio dos Balcões
Da parte de quem nunca os esqueceu.
Morada de leões e de gazelas
Salas e sombras onde eu
Doce refúgio encontrava
Entre ancas opulentas
E tão estreitas cinturas!
Mulheres níveas e morenas
Atravessavam-me a alma
Como brancas espadas
E lanças escuras.
Ai quantas noites fiquei,
Lá no remanso do rio,
Nos jogos do amor
Com a da pulseira curva
Igual aos meandros da água
Enquanto o tempo passava...
E me servia de vinho:
O vinho do seu olhar
Às vezes o do seu copo
E outras vezes o da boca.
Tangia cordas de alaúde
E eis que eu estremecia
Como se estivesse ouvindo
Tendões de colos cortados.
Mas retirava o seu manto
Grácil detalhe mostrando:
Era ramo de salgueiro
Que abria o seu botão
Para ostentar a flor.
(Al - Mu'tamid)

Al - Mu'tamid , Morreu em 1095, não sem antes ter escrito um poema para o seu epitáfio. A sua personalidade, o seu drama e arte comoveram a gente do seu tempo. Ainda hoje a sua memória, ligada à trágica amizade com Ibn 'Ammar, permanece viva, muito em especial no mundo árabe; tanto assim, que o seu túmulo em Agmat é objeto de piedosas romagens de muçulmanos.

13 de nov. de 2008

algumas imagens



quiqui é isso?

Na Escola que meu enteado estuda, o prestigioso Colégio Mauá e seus 130 anos de existência, há uma biblioteca infantil. Toda semana, traz para casa dois livrinhos diferentes. Toda semana fico desanimado.

A qualidade literária desses livros é vergonhosa. Pensam talvez os autores que nossos infantes sejam, digamos...retardados. Nada contra os retardados, esses sim merecedores de uma atenção diferenciada. Mas pressupor que todas as crianças (incluindo ai os que realmente tenham algum tipo de atraso mental) tenham o QI de uma ameba, é demais.

Existem para todos os (maus) gostos: fofinhos, miguxinhos, inocentezinhos, bobinhos, idiotinhas.
Graficamente tentam disfarçar a ausência de conteúdo. São sempre multi-coloridos e entupidos de gravuras ao estilo "nada a ver".

Hoje tomei um susto, com o livro que veio parar aqui em casa. Chama Dodó e foi escrito e "decorado" pelo Ziraldo, aquele da pensão milionária. Dodó, se você não tem idéia de quem seria, é uma bunda. Isso mesmo, uma bunda que quer ser livre. Nada contra o new rich da nossa literatura, que respeitava quando criança (tá, nem tão criança assim) e apareceu a Turma do Pererê.

Eu poderia tecer um daqueles comentários bonitos que existiam no falecido Aqui não, Genésio, meu antigo blog. Mas como não adianta nada e este é para ser um blog cultural ( e bem comportado), descrevo esse tipo de literatura com uma só palavra: MERDA!

Onde está o bom e velho Monteiro Lobato? Ou um mais recente, famoso em várias áreas, como o Marcos Rey? Ou mesmo antigos contos de fadas, como as Mil e Uma Noites, Gato de Botas, Simbad o Marújo?

Para se dar crédito ao gosto duvidoso, banem das bibliotecas escolares o que realmente presta. O que hoje realmente tem valor é a cultura meia-boca vigente como meta de nossos amados governantes semi-alfabetizados.

11 de nov. de 2008

Uma amostra

Esse conto é uma pequena amostra do que pode ser encontrado no livro Uns e Outros do David, meu amore :)... Que vai ser lançado em Dezembro! Boa leitura!



UTI

David Nobrega


Se me encontro aqui hoje, é por persistência. Minha vontade de viver é maior que essa profusão de tubos que me mantém vivo.

Há exatos 6 anos, sofri um gravíssimo acidente, enquanto me encaminhava para o trabalho. Estava chovendo e eu, em minha imprudência valente dos motoristas com algum tempo de habilitação, dirigia a toda velocidade, desviando de poças e buracos de minha cidade. Não estava atrasado nem nada, mas dirigir de maneira agressiva tornou-se um hábito, independente do compromisso ou do leito pelo qual trafegasse.

Sabe quando você usa óculos e não nota a sujeira se acumulando nas lentes? Parece que o mundo vai perdendo a cor pouco a pouco, chega a pensar que necessita de uma nova consulta com seu oftalmologista, quando na verdade basta uma boa lavada em seus óculos para que tudo retorne a normalidade. Aconteceu algo parecido na hora do acidente: embaçou o vidro, eu me esforçava para enxergar, não vi o caminhão parado na esquina que entrei derrapando pelo excesso de velocidade e deu no que deu. Até hoje, passados tantos anos, me lembro dos números da licença, mal-escritas em vermelho contra o fundo verde da carroceria de madeira.

Quando acordei estava saindo de uma cirurgia, onde repararam um pulmão perfurado, extraíram meu baço, costuraram alguns pontos em meus intestinos e remendaram alguns tantos ossos partidos, principalmente em meu rosto, braços e pernas. Pela dor que sentia não poderia precisar em quantos lugares eu sofrera algum tipo de injúria. Apaguei de novo e só acordei meses depois...

Minha primeira recordação aqui da UTI foi a de um enfermeiro me virando para trocar os lençóis. Não sei se vocês sabem, mas os colchões que se usam nos hospitais são revestidos com uma capa plástica, o que faz com que nós, enfermos, transpiremos como uma bica sobre o lençol. É desconfortável mas limpo. Ao menos trocam as roupas de cama uma vez ao dia.

Minha esposa e meus filhos têm vindo me visitar, ela mais que eles. No começo tinham que barrar minhas visitas, mas com o tempo foram rareando, sobrando apenas a presença diária de minha esposa. Muitos já me condenaram. Estou morto para o mundo e esqueceram de me enterrar. Ouvi isso da boca de um de meus melhores “amigos”, em sua última visita.

É interessante quando pensam que você não ouve o que dizem. Quase uma sensação vouyerística, se me permitem o termo. Dizem uns aos outros coisas que jamais diriam na minha frente. Como quando um meu conhecido, cliente de longa data, aproveitou o sofrer de minha esposa e, colocando-lhe a mão sobre o ombro, quis consolá-la de uma maneira não muito galante. Dois sonoros tapas dados por ela foram o suficiente para que ele se afastasse, não antes de jurar que ela ainda seria sua. Que ainda ela o procuraria. Esse também nunca mais apareceu.

Ao lado de minha cama existe outra cama e enfileiradas até o outro lado da imensa sala que é esta UTI, outras mais. Quando me viram de uma lado para o outro para que meu corpo não fique em feridas pelo contato do maldito colchão eu consigo vê-las, iguais em sua forma, diferentes em seus conteúdos. Meu divertimento consiste hoje em descobrir quem seriam essas pessoas, assim como eu enfileirados a espera de suas mortes.

Na cama mais próxima de mim, à minha esquerda, um paciente asiático, já idoso, teve um derrame. AVC – Acidente Vascular Cerebral. E H, de Hemorrágico. Sinto que se um dia conseguir sair daqui posso clinicar como médico por aí, pois tenho aprendido muito nesta minha universidade forçada. Esse paciente, meu vizinho, deve ter lá seus 65 anos, pouco mais, pouco menos. Seus visitantes são sempre engravatados, aparentados a ele de alguma maneira. Senhora chorosa não há, pelo que suponho seja ele viúvo. Logo mais torno a lhes contar algo que sei deste meu vizinho.

Pelo que consigo ver de onde me encontro, deitado sobre meu lado esquerdo, com o respirador também a minha esquerda, enriquecendo meu sangue com ar puro, existem ao todo mais oito pacientes.

Numerando-os de 1 a 9, sendo eu o nono, a primeira cama e o ocupante do quinto leito sofrem de uma tal SARA. Não sei o que significaria isso, mas coisa boa não é, já que vi outros pacientes anteriores com esse mal morrerem em questão de dias.

Ocupando a segunda posição de nosso hit-parade, temos um infartado que acabaram de operar e colocar um marca-passo. Coisa sem graça que nem vale o sacrifício dos comentários.

No terceiro leito, sempre “de lá para cá”, um outro acidentado. Esse teve menos sorte que eu. Perdeu duas pernas.

O número 4 é interessante e não o perco de vista; é um assaltante perigoso, mas que tem convênio médico, baleado em uma perseguição policial. Eu fiz das tripas coração para poder pagar meu convênio, caríssimo. Esse sem-vergonha, bandido, tem o mesmo convênio que o meu. Garanto que aquele meu carro roubado há alguns anos financiou também o convênio de algum desses safados. Coisas da vida. Fico rezando para que algum dia seus comparsas invadam a UTI para tentar resgatá-lo. Ao menos um pouco de emoção em minha vida...

Número 6. Uma mulher. Teve, segundo um dos médicos comentou com outro, pré-eclampsia. Algo sobre a pressão subir demais na hora do parto ou algo assim. Coitada...nem vai conhecer o filho. Está já sem sinais cerebrais e vão desligar seus aparelhos logo, logo.

Apresentados meus colegas, me permitam retornar a meu colega aqui ao lado, que apesar de inconsciente não precisa dessa parafernália toda que tenho para mim para poder viver. O bom velhinho, pelo que entendi, não tem nada de bom. Mafioso, segundo ouvi comentarem. Trazia contrabando da China e revendia aos R$ 1,99 por aí. Coisa que, se entendi direito, além de acabar com os comércios locais ainda fazia com que estes transformassem suas lojas em pontos de venda de seus produtos piratas. O comércio em si era uma grande fachada que encobria, entre outras coisas, tráfico de escravos, jóias e drogas. Ou seja, o perfeito capitalista selvagem.

Corre a boca pequena, entre murmúrios que escuto da boca da enfermagem, que sua doença não tinha nada a ver com o verdadeiro motivo dele estar ali. Dizem eles que alguém da família havia tentado envenená-lo e o filho mais velho estava pagando para manter o pai naquele local, pois temia que se o levasse para casa, tentando fazer com que ali se restabelecesse, tentassem mais uma vez matá-lo. Se pedirem minha opinião, de quem, está a anos presenciando de tudo que por aqui acontece, diria que quem quer dar cabo do velho é o sobrinho com cabelo tingido.

Poucos antes deste texto ser escrito, monges budistas vieram orar pelo semi-defunto, tentando encaminhar sua alma de volta para seu corpo. Ou não, sabe-se lá se o chinês loiro não está metido nisso, querendo de vez despachar a alma do tio.

Começaram com um cântico lento, uma campainha soando ao fundo. Querendo ou não, você acaba fixado nos sons por ele emitidos. A cantilena vai ficando cada vez mais rápida, como se uma onda estivesse se formando nas profundezas do oceano. Cada vez mais os sons, embora não passem de murmúrios quase inaudíveis, vão se tornando uma espécie de zumbido grosso, como um zangão.. Não sei lhes explicar...seria como se você pudesse “apalpar”, “tocar” , na realidade um “sentir-se tocado” pelos sons.

Não sei mais nada quanto ao velho ali ao lado, mas em mim o ritual teve seu efeito. O que dizem de uma tal luz brilhando no final do túnel é quase que uma verdade total. Quando dei por mim estava de pé, olhando para meu corpo morto, embalado por uma música suave e, acreditem, banhado pelo sol da manhã, que jorrava sobre mim vinda diretamente de algum lugar sobre minha cabeça. Nada mudou, mas ao mesmo tempo me sinto livre. Se alguém conseguir psicografar isto, por favor, avise minha mulher do seguro que está em meu cofre. Despeçam-se de meus filhos. E diga àquele safado que cantou minha mulher ao lado de meu leito, que quando ele sentir um arrepio na espinha, sou eu ali, cuidando para que ele sinta medo pelo resto da vida.


7 de nov. de 2008

Mais um indíce estatístico... Para enganar

Recentemente foi lançada, pela imprensa oficial de São Paulo e pelo Instituto Pró - Livro, uma obra... Retratos da Leitura no Brasil, organizado por Galeano Amorim. É um livro estatístico, realizado sobre uma amostra de mais de 5 mil pessoas em 311 Municípios. Foram considerados leitores, pessoas entrevistadas, que declararam ter lido um livro nos três meses anteriores.
Levando em consideração que, pesquisa no Brasil, não serve para nada... E a amostra é muito pequena para o livro ter o título de : Retratos da Leitura do Brasil, como sempre essa grande obra estatística serve para esconder os reais problemas do País... Mesma coisa quando fazem aqueles estudos e se comemoram os índices baixos de repetência dos alunos... É pq atualmente ninguém roda no colégio, só se o aluno se inscrever e não comparecer a aula.
Segundo o índice desse livro e fazendo uma "baita" generalização , conclui - se que mais da metade da população é leitora no Brasil... Vocês sinceramente concordam com isso? Vocês não acham que entrevistar somente 5 mil pessoas de 311 municípios é muito pouco para se fazer uma média, de quem é leitor ou não no Brasil? E o que me dizem do "um livro nos três meses anteriores"?

6 de nov. de 2008

Vida

Gosto muito dessa música! Acho a letra muito legal!


Vida

(Calique/garay)

Vida é chuva, é sol
Uma fila, um olá
Um retrato, um farol
Que será que será

Vida é um filho que cresce
Uma estrada, um caminho
É um pouco de tudo
É um beijo, um carinho


É um sino tocando, uma Fêmea no cio
É alguém se chegando
É o que ninguém viu
É discurso, é promessa
É um mar, é um rio

Vida é a revolução, é deixar como está

É uma velha canção, Deus nos deu, Deus dará

Vida é a solidão, é a turma do bar
É partir sem razão, é voltar por voltar

Vida é palco é platéia, é cadeira vazia
É rotina, odisséia, é sair de uma fria
É um sonho tão bom, é a briga no altar

Vida!!! É um grito de gol
É um banho de mar
É inverno e verão
Vida!!! É mentira, é verdade
E quem sabe a vida é da vida razão.

4 de nov. de 2008

Que período literário vivemos hoje?

Recebemos, por esses dias, a edição impressa do Jornal Vaia em casa. O Jornal é ótimo e recomendo a leitura, nem que seja na internet ( eu ainda prefiro o papel), porém para quem gosta de ler na "tela", vale a pena. Um dos textos que mais me chamou a atenção foi Quem paga por isso de Ademir Assunção, poeta e jornalista... Autor de diversos livros e letrista de música.
Um dos pontos do texto de Ademir, é que olhando as mega estruturas montadas nas feiras do livro, se tem a impressão que o escritor ou poeta vive em um eterno "glamour"... O que não é verdade, escrever é um trabalho também, e para isso é necessário estudo, leitura, e tudo mais que todos nós sabemos.
Uma afirmação importante que existe no texto dele... Noventa por cento do que é vendido ou que movimenta a Bienal do livro, é lixo(...) Concordo e digo mais, além das pessoas estarem acostumadas a ler livros imbecis, como bem diz Ademir, setenta por cento mais ou menos dessas mesmas pessoas não costumam ler o livro inteiro. Quando digo isso, é por ver pessoas que acreditam que " fazem uma leitura dinâmica", quando na verdade estão só passando os olhos nos livros e não entendem o que estão lendo... Isso quando as páginas consideradas " chatas" não são puladas ,acredito que com a mesma culpa de quem " cola" as respostas de uma palavra cruzada.
Existe uma centena de livros enganadores que são os mais vendidos, que ensinam como enriquecer, como se tornar um milionário, e os de auto - ajuda. Lixo editorial, que vende... e como vende! Conheço inúmeras pessoas que escrevem e poetam como ninguém... Mas não publicam seus escritos, alguém já parou para pensar o "real"porque disso? É simples, quem escreve livro de poesia, contos e vários outros assuntos interessantes... é explorado pela editora ou paga para publicar seu livro! Ademir mesmo fala em seu texto, que as editoras sempre dizem: Poesia não vende. Mas pq não vende? Pq eles estão acostumados a publicar lixo e vender!
Alguém consegue definir o período literário que vivemos? Na minha opinião, vivemos um período em que se tem uma enorme criação literária de todos os tipos... editoras, gráficas e livrarias enriquecem. Vários escritores não fazem a leitura de nada que não seja seu, muitas pessoas não entendem o que estão lendo... E vai adiante!
Quando estudei literatura no colégio, sempre me foi apresentado o contexto histórico do Brasil, que refletia de alguma maneira no período literário... Creio que para definir período literário atual, precisamos definir o contexto histórico que vivemos no País... Resumindo: Vivemos em uma grande esculhambação nacional! Somos roubados, lesados, a justiça é lenta - fraca - burocrática... E a sociedade civil e organizada é refém do clima "nada vai mudar" e por isso nada muda, será que não é óbvio? Todo mundo pode tudo, e são poucos os deveres... Por isso chegamos nesse ponto que chegamos. Temos uma sociedade que não recebe cultura de verdade, a maioria dos programas nacionais são uma bosta, pagamos "fortunas" para assistir peças de teatros que deveriam ser baratas, e as que são baratas as vezes com muito mais valor cultural não são assistidas, pq o ator global "tal" não faz parte do elenco. Cadê o incentivo cultural dos governos para facilitar o acesso a cultura no País? Não estão nas pequenas companhias... isso é lógico.
Enfim, acho que nosso presente literário é conturbado... Mas gostaria de ler algo que seja contraditório ou mesmo a opinião das pessoas sobre esse assunto.

Tentei dar um fechamento, para a série de postagens que fiz sobre os períodos literários do Brasil, e depois que recebi o Jornal Vaia em casa, achei que o texto do Ademir fechou muito com o que penso.
Abraços

Neo - Realismo

Os escritores retomam a crítica social e as denúncias aos grandes problemas do Brasil. Os assuntos urbanos, místicos e religiosos também aparecem com forte apelo.
Os principais poetas da época (entre outros escritores ) são:

Cecília Meireles:

"Gargalhada

Homem vulgar! Homem de coração mesquinho!
Eu te quero ensinar a arte sublime de rir.
Dobra essa orelha grosseira, e escuta
o ritmo e o som da minha gargalhada:


Ah! Ah! Ah! Ah!
Ah! Ah! Ah! Ah!


Não vês?
É preciso jogar por escadas de mármores baixelas de ouro.
Rebentar colares, partir espelhos, quebrar cristais,
vergar a lâmina das espadas e despedaçar estátuas,
destruir as lâmpadas, abater cúpulas,
e atirar para longe os pandeiros e as liras...


O riso magnífico é um trecho dessa música desvairada.


Mas é preciso ter baixelas de ouro,
compreendes?
— e colares, e espelhos, e espadas e estátuas.
E as lâmpadas, Deus do céu!
E os pandeiros ágeis e as liras sonoras e trêmulas...


Escuta bem:


Ah! Ah! Ah! Ah!
Ah! Ah! Ah! Ah!


Só de três lugares nasceu até hoje essa música heróica:
do céu que venta,
do mar que dança,
e de mim."

Carlos Drummond de Andrade:

"Poema da purificação


Depois de tantos combates
o anjo bom matou o anjo mau
e jogou seu corpo no rio.


As água ficaram tintas
de um sangue que não descorava
e os peixes todos morreram.


Mas uma luz que ninguém soube
dizer de onde tinha vindo
apareceu para clarear o mundo,
e outro anjo pensou a ferida
do anjo batalhador."


Vinícius de Moraes:

"Soneto da intimidade


Nas tardes de fazenda há muito azul demais.
Eu saio as vezes, sigo pelo pasto, agora
Mastigando um capim, o peito nu de fora
No pijama irreal de há três anos atrás.


Desço o rio no vau dos pequenos canais
Para ir beber na fonte a água fria e sonora
E se encontro no mato o rubro de uma amora
Vou cuspindo-lhe o sangue em torno dos currais.


Fico ali respirando o cheiro bom do estrume
Entre as vacas e os bois que me olham sem ciúme
E quando por acaso uma mijada ferve


Seguida de um olhar não sem malícia e verve
Nós todos, animais, sem comoção nenhuma
Mijamos em comum numa festa de espuma. "

3 de nov. de 2008

aguardem...

Modernismo

O modernismo tem seu início com a semana da arte moderna. A semana da arte moderna nada mais foi que um evento que não foi bem aceito na época. Pode - se dizer que todo movimento artístico quando "quebra" paradigmas não é aceito... Mas já na sua abertura quando Manuel Bandeira recitou o poema "Sapos", as pessoas que o assistiam o vaiaram.
A semana da arte moderna, foi uma explosão de idéias que aboliam por completo a perfeição e a estética na poesia tão apreciada nos outros movimentos. Os artistas modernistas promoveram uma ruptura com a estética européia, buscando assim a identidade Nacional. Não foi só na poesia que o modernismo se mostrou , mas em todas as outras formas de arte.

Alguns escritores da época:

Guilherme de Almeida:

"Flor do Asfalto

Flor do asfalto, encantada flor de seda,
sugestão de um crepúsculo de outono,
de uma folha que cai, tonta de sono,
riscando a solidão de uma alameda...

Trazes nos olhos a melancolia
das longas perspectivas paralelas,
das avenidas outonais, daquelas
ruas cheias de folhas amarelas
sob um silêncio de tapeçaria...

Em tua voz nervosa tumultua
essa voz de folhagens desbotadas,
quando choram ao longo das calçadas,
simétricas, iguais e abandonadas,
as árvores tristíssimas da rua!

Flor da cidade, em teu perfume existe
Qualquer coisa que lembra folhas mortas,
sombras de pôr de sol, árvores tortas,
pela rua calada em que recortas
tua silhueta extravagante e triste...

Flor de volúpia, flor de mocidade,
teu vulto, penetrante como um gume,
passa e, passando, como que resume
no olhar, na voz, no gesto e no perfume,
a vida singular desta cidade!"


Oswald de Andrade:

"Erro de português


Quando o português chegou
Debaixo de uma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português."


Manuel Bandeira:

"Os sapos


Enfunando os papos,
Saem da penumbra,
Aos pulos, os sapos.
A luz os deslumbra.


Em ronco que aterra,
Berra o sapo-boi:
— "Meu pai foi à guerra!"
— "Não foi!" — "Foi!" — "Não foi!".


O sapo-tanoeiro,
Parnasiano aguado,
Diz: — "Meu cancioneiro
É bem martelado.


Vede como primo
Em comer os hiatos!
Que arte! E nunca rimo
Os termos cognatos!


O meu verso é bom
Frumento sem joio
Faço rimas com
Consoantes de apoio.


Vai por cinqüenta anos
Que lhes dei a norma:
Reduzi sem danos
A formas a forma.


Clame a saparia
Em críticas céticas:
Não há mais poesia,
Mas há artes poéticas . . ."


Urra o sapo-boi:
— "Meu pai foi rei" — "Foi!"
— "Não foi!" — "Foi!" — "Não foi!"


Brada em um assomo
O sapo-tanoeiro:
— "A grande arte é como
Lavor de joalheiro.


Ou bem de estatuário.
Tudo quanto é belo,
Tudo quanto é vário,
Canta no martelo."


Outros, sapos-pipas
(Um mal em si cabe),
Falam pelas tripas:
— "Sei!" — "Não sabe!" — "Sabe!".


Longe dessa grita,
Lá onde mais densa
A noite infinita
Verte a sombra imensa;


Lá, fugindo ao mundo,
Sem glória, sem fé,
No perau profundo
E solitário, é


Que soluças tu,
Transido de frio,
Sapo-cururu
Da beira do rio"


Mario de Andrade:

"Moça linda bem tratada


Moça linda bem tratada,
Três séculos de família,
Burra como uma porta:
Um amor.


Grã-fino do despudor,
Esporte, ignorância e sexo,
Burro como uma porta:
Um coió.


Mulher gordaça, filó,
De ouro por todos os poros
Burra como uma porta:
Paciência...


Plutocrata sem consciência,
Nada porta, terremoto
Que a porta de pobre arromba:
Uma bomba."


Cassiano Ricardo:

"O acusado


Quando eu nasci, já as lágrimas que eu havia
De chorar, me vinham de outros olhos.


Já o sangue que caminha em minhas veias pro futuro
Era um rio.


Quando eu nasci já as estrelas estavam em seus lugares
Definitivamente
Sem que eu lhes pudesse, ao menos, pedir que influíssem
Desta ou daquela forma, em meu destino.


Eu era o irmão de tudo: ainda agora sinto a nostalgia
Do azul severo, dramático e unânime.
Sal — parentesco da água do oceano com a dos meus olhos,
Na explicação da minha origem.


Quando eu nasci, já havia o signo do zodíaco.


Só, o meu rosto, este meu frágil rosto é que não
Quando eu nasci.


Este rosto que é meti, mas não por causa dos retratos
Ou dos espelhos.


Este rosto que é meu, porque é nele
Que o destino me dói como uma bofetada.
Porque nele estou nu, originalmente.
Porque tudo o que faço se parece comigo.
Porque é com ele que entro no espetáculo.
Porque os pássaros fogem de mim, se o descubro
Ou vêm pousar em mim quando eu o escondo."


Alcântara Machado:

"MANA MARIA

1

- Vá perguntar pra mana Maria.

Era assim desde que a mãe morrera. Era assim a propósito de tudo. Mana Maria é que resolvia, mandava, punha e dispunha, fazia, desfazia. E Ana Teresa obedecia.

Quando Dona Purezinha morreu, deixou Ana Teresa com dez anos. Tinha duas tranças compridas e com uma delas quis enxugar as lágrimas diante do cadáver da mãe. E foi ai que sentiu pela primeira vez a nova autoridade. Mana Maria deu um puxão na trança e lhe pôs um lenço na mão:

- Enxugue com o lenço.

Lenço seco.

De fato a coragem de mana Maria foi uma coisa que admirou toda a gente. Não derramou uma lágrima. Não teve um gesto, uma expressão de sofrimento. Ninguém esperava tanta fortaleza de ânimo num corpo tão franzino.

Dona Purezinha agonizou seis meses com um cancro no piloro. Era gorda, foi ficando magrinha. Também era boa, paciente, e foi ficando má, impertinente. Parecia que tudo nela morria, menos os olhos que enxergavam uma sombra de poeira na cômoda e os ouvidos que percebiam lá longe, na cozinha, o bater de um prato na pia.

Em torno dela foi se fazendo um silêncio que já era de túmulo. Primeiro se suprimiu o piano de Ana Teresa. Para ela foi uma alegria. Mesmo a aula de Português, Aritmética, Geografia, História do Brasil, Religião, Desenho e Caligrafia, tudo ensinado por Dona Mercedes, passou para o porão.

No porão vivia. Subia para almoçar, lanchar. jantar, dormir. Fora disso, mal punha os pés na escada que conduzia â copa, uma criada, a irmã, o pai, alguém falava:

- Não venha que mamãe está doente.

Era o estribilho. Pegava no voador, rodava dez metros no cimento do jardim, uma janela se abria:

- Não faça barulho! Mamãe está doente!

Na mesa, não queria sopa ou queria pão com manteiga e açúcar:

- Seja boazinha. Olhe que mamãe está doente.

Aos poucos se habituou. Ficava no quarto grande do porão horas e horas vendo a arrumadeira passar roupa. Também ia visitar o galinho garnisé. Corria atrás dele, ele não se deixava pegar, ela dizia:

- Não faça barulho que mamãe está doente.

Até que chegou também o dia do garnisé. O canto dele incomodava Dona Purezinha. Foi para a faca. E Ana Teresa nem direito de chorar teve porque mamãe estava doente.

Já era sossegada de natureza, ficou uma santinha na opinião da cozinheira. Parecia gente grande. Amorteceram com algodão a campainha da entrada, a campainha do telefone. Todos se entendiam por gestos. Joaquim Pereira pensou até em imitar o vizinho senador que quando a mulher esteve para morrer arranjou uns grilos que não deixavam os choferes tocarem cláxon nas imediações. Mas desprovido de qualquer influência política desistiu da idéia. Ana Teresa passou a fazer parte do silêncio: se perturbava quando falavam perto dela. Quase no ouvido da professora segredava as capitais dos Estados do Brasil. E ficou com o hábito de responder movendo a cabeça, sacudindo os ombros, movendo as mãos. A boniteza dela não entristeceu: ficou indiferente, perdeu a vivacidade, ficou distante.

Uma madrugada mana Maria acordou Ana Teresa. Como estava, de camisola e descalça, foi levada até o quarto de Dona Purezinha. O pai a ergueu nos braços, molhou de lágrimas o rosto dela, abraçou forte, beijou muito a filha. Depois falou:

- Venha beijar sua mãezinha que foi pro céu. No quarto estavam um padre, o médico, a enfermeira, tio Laerte e a mulher dele, tia Carlota. Ana Teresa sacudida pelo choro agarrou na mão da morta, deu um beijo. Porém silencioso. Alguém falou: - "Pobrezinha". Com certeza tia Carlota que a tirou do quarto. Ana Teresa viu no fundo do corredor uma vela acesa nas mãos de mana Maria. Teve medo, dobrou o braço no rosto. Voltou carregada pro seu quarto. Ainda ouviu mana Maria falar:

- É bom que tio Laerte vá encomendar o caixão.

Na hora do enterro é que mana Maria não a deixou enxugar os olhos com a trança. Foi o primeiro gesto de mando. E por isso Ana Teresa nunca mais esqueceu dele. Era um quadro que ela via sempre. Sobretudo de noite, no escuro, de olhos fechados, na cama: a sala repleta, o caixão muito alto e florido, a cara barbuda do pai, o jeito duro com que mana Maria lhe puxou a trança, lhe deu o lenço. Lenço seco.

E três dias depois, logo de manhã cedo, Ana Teresa teve a revelação física de mana Maria. Até então nunca reparara direito na irmã. Quer dizer: reparara sim, mas sem compreender. Nessa manhã ela principiou a compreender. Pela primeira vez a viu de óculos. E isso já foi uma surpresa. Nunca suspeitara da existência daqueles óculos de aros de tartaruga. Nunca, nunca mana Maria pusera os óculos na presença dela. Pois mana Maria a recebeu assim, de óculos. Estava com a costureira e mandara chamar Ana Teresa para tomar as medidas. Ana Teresa ficou em pé, no meio do quarto, imóvel, com os olhos nos óculos. A arrumadeira entrou, Ana Teresa olhou para ela e viu também nos olhos dela a mesma surpresa dos óculos. Nunca, nunca mana Maria aparecera de óculos para ninguém. Ana Teresa se deixou dominar por aqueles vidros redondos, aqueles aros de tartaruga manchada. Sentiu a autoridade daqueles óculos.

Aumentou nela o respeito que já tinha pela irmã mais velha e que a levava instintivamente a chamá-la mana Maria. Não Maria simplesmente. A irmã, quinze anos mais velha, impôs-se desde logo ao respeito de Ana Teresa. E esse respeito se exprimiu como de regra por um título: mana Maria valia por Doutora Maria, Excelentíssima Senhora Baronesa Maria, Sua Majestade a Rainha Maria. Sempre a chamou assim.

Ana Teresa olhava os óculos. Depois disfarçou, olhou as mãos. Mãos magras, unhas bem tratadas, mãos esquisitas. Magras demais. Depois bruscas. Faziam tudo depressa. Ajeitavam o cabelo com um repelão. Ana Teresa olhou os cabelos. Eram ondeados. Eram pretos. Pretos demais. E não eram cortados. Todas as moças usavam os cabelos cortados. Todas. Mana Maria não usava. Mana Maria enrolava os cabelos na nuca. E o penteado quase cobria as orelhas. Só se viam os lóbulos.

As sobrancelhas eram grossas. Grossas demais. E o nariz também era ossudo demais. E os dentes? Os dentes não se viam. Mana Maria falava sem mostrar os dentes. Ana Teresa não achava mana Maria bonita.

Mas aqueles óculos, passada a surpresa, eram bonitos. Iam bem para mana Maria. Ana Teresa não sabia direito o que era mas já agora lhe parecia que mana Maria sempre usara aqueles óculos. E ficava melhor assim. Ficava completa.

Mana Maria olhou num papelzinho, falou pra costureira:

- O uniforme pra sair tem gola branca.

Uniforme? Ana Teresa não compreendeu. Nem mana Maria lhe explicou nada. Só dias depois é que o pai com ela no colo contou tudo:

- É muito bom. É o melhor colégio de São Paulo. As internas são tratadas como filhas.

Falou outras coisas, reparou nas lágrimas da filha, enxugou, parecia triste. E disse:

- Eu por mim não punha você interna. Mas sua irmã quer. Ela é que é a mãezinha de meu bem agora. Precisa fazer como ela quer, obedecer em tudo, ser bem boazinha pra ela. Como pra mamãe antes de ir pro céu. Igualzinho.

Foi para o colégio. Mana Maria a deixou entre a madre superiora e a madre prefeita no dia seguinte ao da missa de sétimo dia. Passaram antes pelo cemitério. Colocaram umas flores entre as coroas murchas do enterro, rezaram, tocaram para o colégio. Mana Maria corajosa como sempre. Conversou com a superiora, pagou o primeiro semestre adiantado, virou-se pra irmã:

- Então até domingo.

Ana Teresa com os olhos chorosos deixou-se beijar na testa, beijou mana Maria no rosto, abraçaram-se. Mana Maria se desprendeu com uma recomendação:

- Tenha juízo.

No domingo voltou com o pai. Ana Teresa recebeu-os com uma reverência: " (CONTINUA)

2 de nov. de 2008

Pré - Modernismo

É um período, marcado para a transição do modernismo, que só vai se efetivar com a semana da arte moderna. Na verdade, não existe um grupo de autores afinados seguindo as mesmas características, e sim uma grande e vasta produção literária. O individualismo de alguns autores era claro como é o caso de Euclides da Cunha e Lima Barreto.
Existem muitos escritores que surgem com um estilo inovador, como é o caso de Augusto dos Anjos. Lima Barreto por sua vez, ironiza os ditos "escritores importantes" e existe um forte apelo ao Regionalismo.

Alguns escritores da época:

Monteiro Lobato:

"Cidades Mortas

A quem em nossa terra percorre tais e tais zonas, vivas outróra, hoje mortas, ou em via disso, tolhidas de insanavel caqueixa, uma verdade, que é um desconsolo, ressurte de tantas ruinas: nosso progresso é nomade e sujeito a paralisias subitas. Radica-se mal. Conjugado a um grupo de fatores sempre os mesmos, reflue com eles duma região para outra. Não emite peão. Progresso de cigano, vive acampado. Emigra, deixando atrás de si um rastilho de taperas.

A uberdade nativa do solo é o fator que o condiciona. Mal a uberdade se esvai, pela reiterada sucção de uma seiva não recomposta, como no velho mundo, pelo adubo, o desenvolvimento da zona esmorece, foge dela o capital – e com ele os homens fortes, aptos para o trabalho. E lentamente cai a tapera nas almas e nas coisas.

Em S. Paulo temos perfeito exemplo disso na depressão profunda que entorpece boa parte do chamado Norte.

Ali tudo foi, nada é. Não se conjugam verbos no presente. Tudo é pretérito.

Umas tantas cidades moribundas arrastam um viver decrepito, gasto em chorar na mesquinhez de hoje as saudosas grandezas de dantes.

Pelas ruas ermas, onde o transeunte é raro, não matracoleja sequer uma carroça; de ha muito, em materia de rodas se voltou aos rodizios desse rechinante simbolo do viver colonial – o carro de boi. Erguem-se por ali soberbos casarões apalaçados, de dois e três andares, solidos como fortalezas, tudo pedra, cal e cabiuna; casarões que lembram ossaturas de megateiros donde as carnes, o sangue, a vida, para sempre refugiram.

Vivem dentro, mesquinhamente, vergonteas mortiças de familias fidalgas, de boa prosapia entroncada na nobiliarquia lusitana. Pelos salões vazios, cujos frisos dourados se recobrem de patina dos anos e cujo estuque, lagarteado de fendas, esboroa à força de goteiras, paira o bafio da morte. Ha sobre os aparadores Luis XV bronzeos candelabros de dezoito velas, esverdecidos de azinhavre. Mas nem se acendem as velas, nem se guardam os nomes dos enquadrados – e por tudo se agruma o bolor rancido da velhice.

São os palacios mortos da cidade morta.

Avultam em numero, nas ruas centrais, casas sem janelas, só portas, tres e quatro: antigos armazens hoje fechados, porque o comércio desertou também. Em certa praça vazia, vestígios vagos de “monumento” de vulto: o antigo teatro – um teatro onde já ressoou a voz da Rosina Stolze, da Candiani..." (CONTINUA)



Euclides da Cunha:

"Os Sertões

Capítulo I

Preliminares. A entrada do sertão. Terra ignota. Em caminho para Monte Santo. Primeiras impressões. Um sonho de geólogo.

O Planalto Central do Brasil desce, nos litorais do Sul, em escarpas inteiriças, altas e abruptas. Assoberba os mares; e desata-se em chapadões nivelados pelos visos das cordilheiras marítimas, distendidas do Rio Grande a Minas. Mas ao derivar para as terras setentrionais diminui gradualmente de altitude, ao mesmo tempo que descamba para a costa oriental em andares, ou repetidos socalcos, que o despem da primitiva grandeza afastando-o consideravelmente para o interior.

De sorte que quem o contorna, seguindo para o norte, observa notáveis mudanças de relevos: a principio o traço contínuo e dominante das montanhas, precintando-o, com destaque saliente, sobre a linha projetante das praias; depois, no segmento de orla marítima entre o Rio de Janeiro e o Espírito Santo, um aparelho litoral revolto, feito da envergadura desarticulada das serras, riçado de cumeadas e corroído de angras, e escancelando-se em baias, repartindo-se em ilhas, e desagregando-se em recifes desnudos, à maneira de escombros do conflito secular que ali se trava entre os mares e a terra; em seguida, transposto o 15° paralelo, a atenuação de todos os acidentes -- serranias que se arredondam e suavizam as linhas dos taludes, fracionadas em morros de encostas indistintas no horizonte que se amplia; até que em plena faixa costeira da Bahia, o olhar, livre dos anteparos de serras que até lá o repulsam e abreviam, se dilata em cheio para o ocidente, mergulhando no âmago da terra amplíssima lentamente emergindo num ondear longínquo de chapadas...

Este facies geográfico resume a morfogenia do grande maciço continental.

Demonstra-o análise mais íntima feita por um corte meridiano qualquer, acompanhando à bacia do S. Francisco.

Vê-se, do fato, que três formações geognósticas díspares, de idades mal determinadas, aí se substituem, ou se entrelaçam, em estratificações discordantes, formando o predomínio exclusivo de umas, ou a combinação de todas, os traços variáveis da fisionomia da terra. Surgem primeiro as possantes massas gnaissegraníticas, que a partir do extremo sul se encurvam em desmedido anfiteatro, alteando as paisagens admiráveis que tanto encantam e iludem as vistas inexpertas dos forasteiros. A princípio abeiradas do mar progridem em sucessivas cadeias, sem rebentos laterais, até as raias do litoral paulista, feito dilatado muro de arrimo sustentando as formações sedimentárias do interior. A terra sobranceia o oceano, dominante, do fastígio das escarpas; e quem a alcança como quem vinga a rampa de um majestoso palco, justifica todos os exageros descritivos -- do gongorismo de Rocha Pita às extravagâncias geniais de Buckle -- que fazem deste país região privilegiada, onde a natureza armou a sua mais portentosa oficina." (CONTINUA)



Augusto dos Anjos:

"Psicologia de um vencido

Eu, filho do carbono e do amoníaco,

Monstro de escuridão e rutilância,

Sofro, desde a epigênese da infância,

A influência má dos signos do zodíaco.

Produndissimamente hipocondríaco,

Este ambiente me causa repugnância...

Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia

Que se escapa da boca de um cardíaco.

Já o verme -- este operário das ruínas --

Que o sangue podre das carnificinas

Come, e à vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,

E há de deixar-me apenas os cabelos,

Na frialdade inorgânica da terra! "


Lima Barreto:

"Triste fim de Policarpo Quaresma

A Lição de Violão

Como de hábito, Policarpo Quaresma, mais conhecido por Major Quaresma, bateu em casa às quatro e quinze da tarde. Havia mais de vinte anos que isso acontecia. Saindo do Arsenal de Guerra, onde era subsecretário, bongava pelas confeitarias algumas frutas, comprava um queijo, às vezes, e sempre o pão da padaria francesa.

Não gastava nesses passos nem mesmo uma hora, de forma que, às três e quarenta, por aí assim, tomava o bonde, sem erro de um minuto, ia pisar a soleira da porta de sua casa, numa rua afastada de São Januário, bem exatamente às quatro e quinze, como se fosse a aparição de um astro, um eclipse, enfim um fenômeno matematicamente determinado, previsto e predito.

A vizinhança já lhe conhecia os hábitos e tanto que, na casa do Capitão Cláudio, onde era costume jantar-se aí pelas quatro e meia, logo que o viam passar, a dona gritava à criada: "Alice, olha que são horas; o Major Quaresma já passou."

E era assim todos os dias, há quase trinta anos. Vivendo em casa própria e tendo outros rendimentos além do seu ordenado, o Major Quaresma podia levar um trem de vida superior aos seus recursos burocráticos, gozando, por parte da vizinhança, da consideração e respeito de homem abastado.

Não recebia ninguém, vivia num isolamento monacal, embora fosse cortês com os vizinhos que o julgavam esquisito e misantropo. Se não tinha amigos na redondeza, não tinha inimigos, e a única desafeição que merecera fora a do Doutor Segadas, um clínico afamado no lugar, que não podia admitir que Quaresma tivesse livros: "Se não era formado, para quê? Pedantismo!"

O subsecretário não mostrava os livros a ninguém, mas acontecia que, quando se abriam as janelas da sala de sua livraria, da rua poder-se-iam ver as estantes pejadas de cima a baixo.

Eram esses os seus hábitos; ultimamente, porém, mudara um pouco; e isso provocava comentários no bairro. Além do compadre e da filha, as únicas pessoas que o visitavam até então, nos últimos dias, era visto entrar em sua casa, três vezes por semana e em dias certos, um senhor baixo, magro, pálido, com um violão agasalhado numa bolsa de camurça. Logo pela primeira vez o caso intrigou a vizinhança. Um violão em casa tão respeitável! Que seria?

E, na mesma tarde, uma das mais lindas vizinhas do major convidou uma amiga, e ambas levaram um tempo perdido, de cá pra lá, a palmilhar o passeio, esticando a cabeça, quando passavam diante da janela aberta do esquisito subsecretário.

Não foi inútil a espionagem. Sentado no sofá, tendo ao lado o tal sujeito, empunhando o "pinho" na posição de tocar, o major, atentamente, ouvia: "Olhe, major, assim." E as cordas vibravam vagarosamente a nota ferida; em seguida, o mestre aduzia: "É ‘ré’, aprendeu?"

Mais não foi preciso pôr na carta; a vizinhança concluiu logo que o major aprendia a tocar violão. Mas que cousa? Um homem tão sério metido nessas malandragens!"


Outros escritores que se destacaram foram: Graça Aranha, Raul de Leoni, Simões Lopes Neto... Entre outros.